O oramento de 2013, os juros da dvida e a balana comercial

Pedro do Coutto

Os maiores jornais do pas publicaram esta semana reportagens focalizando o desempenho da economia, os cortes oramentrios anunciados pelo governo e os resultados, nos primeiros quatro meses, do cotejo entre as exportaes, de um lado, as importaes e as remessas de lucros, de outro. O Estado de So Paulo, por exemplo, apontou um dficit da ordem de 33 bilhes de dlares na balana comercial, de janeiro a abril, noventa por cento a maias que em igual perodo de 2012. As exportaes brasileiras recuaram, as importaes e as remessas de lucros cresceram. O resultado preocupante, j que o dficit, se mantido, vai exigir a destinao de recursos oficiais para cobri-lo. Uma das alternativas retirar recursos do saldo das reservas que o Brasil acumulou no exterior, de acordo com o jornal na escala de 380 bilhes de dlares. Mas esta no a questo essencial.

O essencial que as exportaes foram contidas. Qual a razo. preciso atuar nas causas, no somente nos efeitos. Eles cessaro quando as causas cessarem. possvel que as exportaes tenham enfrentado dificuldade em consequncia dos preos no mercado internacional e suas variaes. Mas existem outras questes. No tem muita influncia no panorama global os cortes de 28 bilhes de reais aplicados nas despesas oramentrias como O Globo destacou. Lendo-se oramento para o atual exerccio publicado no Dirio Oficial de 5 de abril, verifica-se que seu montante de 2,2 trilhes de reais. Os cortes representariam assim praticamente 1,4% da lei de meios. Muito pouco. A conteno de despesas, neste caso, no apresenta maiores dimenses.

O pagamento dos juros pela rolagem da dvida interna sim. No ano passado, conforme o balano da Secretaria do Tesouro Nacional publicado na edio de 30 de janeiro no Dirio Oficial, este item da despesa pblica alcanou 140,5 bilhes de reais. Tudo indica tais desembolsos vo prosseguir este ano, pois o endividamento no recuou. Ao contrrio. A leitura do DO de 5 de abril revela que a lei oramentria sancionada pela presidente Dilma Rousseff prev um refinamento no montante de 610 bilhes e 700 milhes de reais. Se h refinanciamento porque a soma dos compromissos no foi reduzida. Pois no aparece no texto nenhuma informao sobre este aspecto.

Vale a pena ler o oramento e procurar entender os seus efeitos no processo econmico em especial e na sociedade brasileira em geral. Por exemplo: os investimentos reprodutivos, execuo dos projetos do governo, entre eles os das grandes hidreltricas, esto previstos numa escala de 110,6 bilhes de reais. Praticamente, em percentuais redondos, apenas 5% do total da lei de meios. Paralelamente necessrio considerar a taxa de inflao, que est atingindo 6,5% para doze meses, e o aumento da populao do pas que, no mesmo espao de tempo, cresce velocidade de 1,2%. Para efeito de correo plena, em minha opinio, tem que se adicionar o ndice inflacionrio taxa demogrfica. Isso porque as aes de governo tem que se voltar para o nmero efetivo de habitantes.

Temos assim um quadro bastante sensvel da questo econmico-financeira. O pas cresce menos do que deveria porque investe pouco. E, na outra ponta, investe pouco porque recursos pblicos so drenados e direcionados para o pagamento de juros aos bancos e tambm agora para o financiamento dos resultados comerciais negativos. Era o contrrio. Tanto assim que o Brasil acumulou um saldo de 380 bilhes de dlares no exterior.

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12 thoughts on “O oramento de 2013, os juros da dvida e a balana comercial

  1. E como anda o nosso oramento at o presente momento?

    Est assim:

    LOA 2013 EXECUO ORAMENTRIA (em bilhes)
    ……………………………………………………………………………………………………………..
    RECEITA……………………………….PREVISTA…………(%)…………ARRECADADA

    Receita administrada……………..R$746,55………….34,50………….R$249,43
    Receita no administrada………R$150,71…………….6,90…………..R$38,24
    Arrecadao lquida INSS………R$310,51……………14,35…………..R$95,65
    Receita financeira………………….R$912,51……………42,13…………..R$280,65
    No informado………………………R$45,63………………2,12…………..R$12,13
    TOTAL…………………………………..R$2.165,91………….100…………..R$676,09

    …………………………………………………………………………………………………………………

    DESPESA………………………………DOTAO INICIAL………….(%)…………..PAGO

    Pessoal e encargos sociais………………….R$225,98……………..10,42………….R$71,82
    Juros e encargos da dvida…………………R$152,88………………7,05…………..R$59,43
    Amortizao financeira da dvida………..R$747,17……………..34,50…………R$346,45
    Outras despesas correntes………………….R$858,64…………….39,63…………R$268,58
    Investimentos…………………………………….R$86,56……………….4,0…………….R$1,58
    Inverses financeiras…………………………..R$62,86……………….2,9…………….R$11,65
    Reserva de contingncia………………………R$31,82………………..1,5………………………….
    TOTAL…………………………………………………R$2.165,91…………..100…………..R$759,50

    ……………………………………………………………………………………………………………………..

    BALANO
    Receita arrecadada………R$676,09
    Despesa paga……………..(R$759,50)
    Dficit………………………….(R$83,41)
    …………………………………………………………………………………………………………………………………………

    Observaes:
    a) Acumulamos at agora R$83,41 bilhes em dficit oramentrio;
    b) A previso com despesas de pessoal e encargos sociais atinge 10,42% do oramento da Unio;
    c) O oramento da Unio prev investimentos de apenas 4,0% das receitas ou, aproximadamente 2,0% do PIB/2012.
    d) As despesas com a dvida, que inclui juros e amortizaes consomem 41,55% da dotao oramentria.
    e) Receita administrada o conjunto de arrecadao tributria (IR, IPI, PIS/PASEP, COFINS, CSLL, CIDE);
    f) Receita no administrada engloba concesses, dividendos e FGTS.

  2. Abrindo as contas juros e amortizaes da dvida (em bilhes):

    Juros e amortizaes da dvida interna:……….R$279,13
    Juros e amortizaes da dvida externa:……….R$13,00
    Refinanciamento da dvida interna:……………R$601,97
    Refinanciamento da dvida externa:……………R$5,95
    TOTAL……………………………………..R$900,05

    Observaes:

    1 – A dvida consumir 41,55% da dotao oramentria de 2013, o equivalente a 20,44% do PIB/2012.
    2 – 21% de investimento pblico e privado garantiria ao Brasil crescimento mnimo de 3,5%. O investimento pblico para este ano de aproximadamente 2%, os outros 19% dependem do setor privado.
    3 – Faria muito melhor, a Dilma, se trocasse, neste momento, os papis da dvida interna por papis da dvida externa, cujos os juros se apresentam em patamares inferiores ao IPCA e SELIC, que remuneram nossa dvida.

  3. Outra observao: A conta receita financeira est relacionada rolagem da dvida, ou seja, o governo prev a emisso de ttulos (LTN, NTN, LFT) que serviro para pagar (rolar) a dvida anterior.

    Observe-se que a previso para 2013 a emisso de R$912,51 bilhes para rolar a despesa da dvida anterior fixada no oramento em R$900,05 bilhes.

  4. Os nmeros da nossa Balana Comercial, da Conta Corrente, e do Balano de Pagamentos Internacional, esto se deteriorando. De forma simplificada podemos dizer que:
    Balana Comercial (Balano de todas as Exportaes-Importaes de Visveis = Mercadorias/Commodities, etc). Nossa Balana Comercial no primeiro Quadrimestre 2013, teve um Deficit de US$ -6,151 Bi.
    Conta Corrente ( Balano englobando a Balana Comercial dos Visveis + Balano dos Invisveis = Fretes, Turismo, Juros, Dividendos de Investimentos, Royalties, Assistncia Tcnica e outros Servios). Nossa Conta Corrente no primeiro Quadrimestre 2013, teve um Deficit de US$ -33,176 Bi. Nosso calcanhar de Aquiles est nos Invisveis.
    O Banco Central estima para 2013 inteiro, um Deficit em Conta Corrente de US$ -67 Bi, frente aos US$ -54,246 Bi de 2012.
    Balano de Pagamentos ( Conta Corrente + Contas de Capital = Balano de Emprstimos que o Brasil recebe de fora, e o que emprestamos Ns para o exterior), ou (soma de todos os Pagamentos, menos todos os Recebimentos do Brasil, com o Exterior). Estimo que na Conta de Capital de Longo e Curto Prazo, tenhamos tambm um Deficit em 2013 de +- US$ 18 Bi, ficando nosso Balano de Pagamentos 2013 com um Deficit de US$ 85 Bi.
    Ora, se nosso PIB (Produto Interno Bruto) crescer 3% em 2013, e 3% do PIB de US$ 2.600 Bi = US$ 78 Bi, no deu para tapar o furo de US$ 85 Bi do Balano de Pagamentos. Se levarmos em conta, conforme alerta o Sr. Pedro do Coutto, que nossa Populao cresce a 1,2%aa, e que teremos uma Inflao de +- 7% no ano, estamos indo para trs. Isso no vem de hoje, mas estamos deteriorando, e acendeu a luz amarela forte.
    E como financiado o Deficit de US$ 85 Bi, do Balano de Pagamentos 2013? Com Investimento do Exterior, estimado pelo BC em 2013 em US$ 70 Bi, e o saldo US$ 15 Bi, em perda de Reservas/Ouro/e ou aumento da Dvida Externa. por isso que somos a 6 Economia do Mundo e 84 em mdia de Padro de Vida. Como toda, ou quase toda a Riqueza gerada no ano sai para tampar o buraco do Deficit do Balano de Pagamentos, ficamos estagnados e descapitalizados, como Economia Nacional. Temos que atuar urgentemente para ir reduzindo esses horrveis Deficits, que nos mantem estagnados em baixo Padro de Vida. Abrs.

  5. Em 2012 o Investimento Estrangeiro Direto (IED)cobriu a nossa necessidade de dlares, o dficit em transaes correntes de US$54,246 bilhes foi coberto pelo ingresso de US$65,2 bilhes.

    O problema que em 2012 j tnhamos registrado 2% de queda desses ingressos em relao a 2011.

    Se a conta do Sr. Bortolotto estiver correta, ai sim “a vaca j foi para o brejo”.

    A Dilma fez certo em abrir os portos inciativa privada, estamos na corda bamba. Ou o Brasil abre de vez a sua economia ao capital externo ou vamos afundar, a comear pela liquidao das nossas reservas cambiais.

    Penso at de maneira mais radical, temos de trocar os papis da dvida interna pela dvida externa, deixar o cmbio em paridade e deixar o pau quebrar com os dlares entrando para o pas. Nossa balana comercial j foi para o espao e ela responde por menos de 9% do nosso PIB. No temos nada a perder, s a ganhar.

    Crescimento a 3,5% com inflao de mais de 6% no sustentvel, ainda mais com ganhos reais da massa salarial.

    por isso que a Dilma est “deitando o cabelo” nas concesses. No temos mais escapatria, pois o governo pisou fundo na “jaca” e no consegue diminuir os custos da mquia pblica.

  6. O real j foi “catar coquinho”, nossa economia se encontra plenamente vinculada ao dlar, isto , dolarizada, devido ao grande nmero de multinacionais. E a cada concesso uma nova abertura. Que deixem a paridade cambial imperar. hora de tomarmos emprstimos no exterior, pagar a dvida interna e investir pesado em infraestrutura. Que venham os dlares!

    O Brasil no pode parar!

  7. Prezado Sr Wagner Pires.
    Nossos US$ 380 Bi de Reservas nos do tempo para reagir. Por isso falei em acendeu forte a Luz Amarela.
    Me parece que em vez de abrir mais nossa Economia ao Capital Externo, deveremos reduzir os Deficits, Balana Comercial, Conta Corrente e Balano de Pagamentos, a, dependeramos bem menos do Capital Externo. possvel. No me parece boa soluo trocar Dvida Interna por Externa, mesmo com Juro mais baixo, por perdermos Autonomia Financeira. Se devo em Reais, em ltimo caso posso “fabricar Reais”, se devo em US $ Dollar, tenho que Exportar, e a dependo totalmente dos outros. Veja os EUA, devem em US$ Dollar, sua Moeda, e nunca vo falir, pois podem fabricar US$ Dollar a vontade, e fabricam. Se os USA devessem em Yuan Chins, o FMI da China j estaria em Washington com suas receitas de Austeridade Recessiva ( Reduo da Despesas do Governo, e aumento brutal de Impostos). Mas o que temos que fazer imediatamente reduzir os Deficits. Abrs.

  8. Cada um tem sua opinio: Futebol, religio e economia melhor no polemizar.

    Mas no fato que o Brasil arrecada 2,2 tri. Pois a est a arrecadao da Previdncia Social que no tributo e muito menos pertece ao governo. O Fgts se usado precisa retornar para a conta do trabalhador.

    Os maiores problemas que temos so pela ordem de importancia.

    1- Juros Selic (se no me engano 7,5%) juro alto no segura inflao, seno em 2001/2002 com selic cerca de 40% no deixaria a inflao bater a casa dos 10% aa. Na Europa ou nos EUA temos juros (tipo selic) quase negativo. E nossa situao dvida/PIB muito melhor que a deles. E enquanto isso os bancos esto abarrotados e o governo sem dinheiro para investir.

    2- Excesso de lucro.

    3- Juros ao consumidor, este ento sem comentrio.

    4- Privatizaes, que levaram os preos para as alturas.

    5- Tem muitas empresas por setor, mas no h concorrncia. H sim cartis.

    6- A bondade do BNDES mesmo de ficar com os olhos cheios de lgrimas.

    7- Falta de respeito com o consumidor.

    etc… etc… etc… etc….

    Obs: Nossa economia no est dolarizada, pois os preos aumentam muito mais que o dlar, o Brasil um pas mpar.
    As leis da economia no funcionam.

  9. Sr. Bortolotto, espetacular o seu artigo que li com prazer. verdade, corremos certo risco adotando o dlar como valor de troca, ou seja, mantendo a paridade cambial. Mas, no mais arriscado do que o quadro que j estamos vivenciando. Estamos, praticamente em um quadro de estagflao. Veja que todas as contas do governo se deterioraram, no h escapatria, pois o retorno dos investimentos privados no so instantneos. E como disse, o governo no tirar o p do acelerador de modo algum porque politicamente seria um desastre.

    Ento, no h outra alternativa seno a que eu disse, para manter a economia em crescimento. No quadro atual impossvel crescer. O Sr. tem total razo: estamos andando para trs.

    Mas, quase certo que a Dilma no far qualquer troca de papis, apesar de se apresentar como uma espetacular opo, pois os EUA esto “doidos” para desvalorizar o dlar, o que nos daria um plus de segurana financeira e tempo para dirimir a dvida em dlar.

    A Dilma est fazendo justamente o que o Sr. menciona – confinando em nossas reservas para dar tempo de reao da economia. sinal amarelo mesmo!

    Que Deus nos proteja!

  10. Lembrando que o governo no pode emitir mais moeda sob o peso de criar mais inflao!

    A inflao acumulada projetada est em torno de 7,29%.

    Uma outa opo seria o governo esperar o real se desvalorizar ainda mais e criar uma outra moeda, por exemplo, o Cruzeiro real ou Real II.

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