O “pacote” de d. Dilma e seus jovens ministros

Sandra Starling
O Tempo

Afinal de contas, não é tão ruim assim ser mais velha e ter estudado ou vivido episódios da história do Brasil. O anúncio do “pacote” do governo me fez voltar no tempo. Aliás, houve ali um momento muito interessante de verdadeiro ato falho: o ministro Joaquim Levy, ao citar exemplos no mundo de quem vem propondo medidas semelhantes, não teve como segurar e revelou: “Aliás, como vem sendo feito por vários governos conservadores, a saber, o do ministro Cameron na Inglaterra, dentre outros”.

Quer maior candura que isso? Os dois ministros, Levy e Barbosa, são absolutamente crus em matéria de informação histórica e jurídica. Mas os jornalistas que os interrogavam – com exceção apenas do último a perguntar – pouco sabiam sobre os assuntos que estavam sendo propostos.

PACOTES MILITARES

O anúncio de um monte de medidas de uma só vez – ninguém no auditório se lembrou disso – produziu em mim a horrível impressão de ter voltado ao tempo dos “pacotes” dos governos militares. “Pacote de Abril”, para lembrar um que ficou célebre, quando Geisel mandou fechar o Congresso e mudou as regras do jogo eleitoral, para resolver o problema do resultado das eleições de 1974, quando o MDB derrotou fragorosamente a Arena em todo o país.

Pois o “pacote da d. Dilma” tem todas as características. Inclusive porque dificilmente passa no Congresso – a menos que ela se arrogue o direito de fechá-lo ou que os governadores e os prefeitos ajudem querendo o aumento da alíquota para tirar sua casquinha. Afinal, estão todos quebrados.

ATÉ MINISTRO CHIA

A chiadeira já começou mal terminou o anúncio das medidas. Um mundaréu de gente contra. A começar, é claro, pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Armando Monteiro, que falou grosso em nome dos empresários contra a remessa de recursos do Sistema S para a Previdência Social.

Memória curta tem d. Dilma. E ela, pela idade, deveria se lembrar. Foi no governo Figueiredo que aconteceu a primeira e única vez em que um decreto-lei foi editado e revogado no curto espaço de um mês. E o motivo, absolutamente idêntico ao de agora: seu governo tentou passar recursos do Sistema S para a Previdência e teve de recuar diante da gritaria dos empresários.

Pegou mal também que o corte de gastos tenha vindo incompleto: quais ministérios serão fundidos com outros ou simplesmente desaparecerão?

BOLA PRETA

Antigos e malandríssimos políticos costumavam dizer que você nunca deve nomear quem não pode demitir. Como é que ela vai fazer para despachar os ilustres representantes da montoeira dos mais diferentes partidos que conformam o “cordão da bola preta” que a elegeu e garantiu a reeleição? A começar pelo próprio PT, que antigamente (ah, o PT de antigamente!) rejeitava qualquer cooptação de movimentos sociais com a criação de secretarias disso ou daquilo – como foi o caso em Minas, quando Tancredo Neves criou pela primeira vez, creio, uma Secretaria das Mulheres e entregou esse confeito de bolo para alguma sigla cooptável… Tristes tempos os de agora!

5 thoughts on “O “pacote” de d. Dilma e seus jovens ministros

  1. A Professora Sandra Meira Starling, muito bem intencionada como mostram seus vários artigos publicados aqui na TI, equivocou-se a vida toda em fazer as suas escolhas políticas. Só se uniu a pilantras, achando que estes eram gente séria. Vou dar dois exemplos que abarcam mais de 30 anos da vida política da professora Sandra. Neste seu artigo de agora, bastante confuso poque mistura o pacote Dilma-Levy com o pacote de abril, do general-ditador Geisel que mandou fechar o Congresso e mudou as regras do jogo eleitoral para resolver o problema do resultado das eleições de 1974, quando o MDB derrotou fragorosamente a ARENA em todo o Brasil – a não ser pelo uso da palavra “pacote”, o pacote Dilma-Levy nada tem a ver nem em aparência com o pacote de Geisel. Neste artigo, a professora Sandra mistura as bolas e não está fazendo bom uso da História do Brasil que ela estudou e que comenta neste artigo.

    A professora Sandra tem alma de esquerda, mas como disse acima, sempre se cercou de más companhias, de pilantras, achando que estes eram idealistas como ela. Aqui no artigo ela dá um exemplo de sua longeva ingenuidade. Diz ela: “A começar pelo próprio PT, que antigamente (ah, o PT de antigamente !) … Posso daqui sentir o suspiro de saudade que a professora Sandra sente ao falar no “PT de antigamente”, um PT para ela idealista, ideológico, mas que nunca existiu – a não ser na imaginação de pessoas ingênuas como a professora. Desde o começo o PT já era um antro de pilantras e bandidos, que só estava se fortalecendo para dar o golpe que deu no Brasil.

    A outra prova de que a professora Sandra só andou na companhia de pilantras e bandidos está na razão porque, após 30 anos de ingênua militância, ela abandonou e rompeu com o PT. Foi para defender a candidatura do atual governador de Minas, Fernando Pimentel, que, sozinho, está fazendo tudo que os empreiteiros presos e os políticos investigados no Petrolão fizeram, nestes curtos nove meses de governo. Recebeu o governo com R$ 8 bilhões em caixa, e não só já sumiu com este dinheiro, sabe-se lá para quê, e o Estado de Minas já está quebrado. Pimentel já não aparece mais em público em Belo Horizonte ou em cidades médias de Minas Gerais, porque quando apareceu foi agressivamente hostilizado pela população. Ele se queimou e está totalmente desacreditado em Minas. Além do que, o que não é do gosto dos mineiros, abandonou a mulher, com dois filhos e se amasiou com uma lobista, suspeita de negócios ilícitos, de 30 anos de idade. Vejam a notícia dos jornais da época sobre o por quê a professora Sandra abandonou o PT:

    BELO HORIZONTE – Militante do PT por mais de 30 anos, a professora, advogada e cientista política Sandra Starling se desfiliou do partido que ajudou a fundar após a direção nacional da legenda impor ao ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel que cedesse a candidatura ao governo de Minas ao senador Hélio Costa (PMDB).

    Starling, que foi a primeira mulher a disputar o governo mineiro e já se elegeu deputada estadual e federal pelo PT, afirma que o partido agora está refém de algumas pessoas que ocupam a executiva nacional e, principalmente, das vontades do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

    Em artigo, ela justifica a decisão dizendo que não se curvará “à imposição de quem quer que seja dentro daquele que foi meu partido por tantos e tantos anos”.

    – Pensei que ficaria no PT até meu último dia de vida. Mas não aceito fazer parte de uma farsa: participei de uma prévia para escolher um candidato petista ao governo, sem que se colocasse a hipótese de aliança com o PMDB. Prevalece, agora, a vontade dos de cima – afirmou.

    Em entrevista ao GLOBO, a ex-petista diz que deixou o partido “com a dor da mãe que deixa um filho”, mas afirmou que não haveria mais condição de permanecer na legenda após a imposição em nome da candidatura de Dilma Rousseff à Presidência – o PMDB teria exigido a candidatura em Minas como condição para apoiar a ex-ministra.

    – A decisão foi tomada na cabeça do Lula. Isso é caudilhismo e ditadura, com a justificativa de permanecer na Presidência. Mas é preciso permanecer na Presidência para melhorar o que está aí. Não para piorar – disparou.

    Todavia, a professora Sandra tem alma de esquerda, nunca aproveitada. Por isso ela não gosta de governos conservadores, o que quer dizer, de direita – é o que ela lamenta em seu artigo ao citar o que ela supõe que tenha sido um “ato falho” do ministro Joaquim Levy, quando o ministro da Fazenda declarou : ” o ministro Joaquim Levy, ao citar exemplos no mundo de quem vem propondo medidas semelhantes, não teve como segurar e revelou: “Aliás, como vem sendo feito por vários governos conservadores, a saber, o do ministro Cameron na Inglaterra, dentre outros.” Ora, não foi ato falho nenhum. O ministro estava falando a verdade. A solução para a crise tem de ser conservadora, de direita. O caos que aí está não tem como ser administrado pela esquerda. Fica patente que a professora Sandra considera o ministro Levy um estranho no ninho, já que ele representa a direita e, por corolário, Sandra ainda não se deu conta de que o governo Dilma e o PT não são a esquerda contida em sua alma. Nem são a direita. São apenas ladrões sem piedade do povo, como o governador de Minas Fernando Pimentel.

  2. “Recebeu o governo com R$ 8 bilhões em caixa, e não só já sumiu com este dinheiro, sabe-se lá para quê, e o Estado de Minas já está quebrado.”
    Com certeza o Sr. Ednei era o contador do governo emplumado. Enfim, é melhor ler isso do que ser cego.

  3. A sorte de Fernando Pimentel

    Minas Gerais Alberto Lage

    O governador petista de Minas Gerais, Fernando Pimentel, é um sujeito definitivamente afortunado. Até quando as coisas dão errado para ele, acaba saindo do jeito que faz o menor estrago.

    Nem vamos discutir aqui a sorte gigantesca de Pimentel ter sido eleito governador por WO. Aconteceu do PSDB mineiro esquecer que tinha que lançar um candidato e depois esquecer de planejar uma campanha para o lich que arrumaram pra ingrata missão.

    Falemos de agora, do seu tempo depois de eleito mesmo.

    A situação de Pimentel é trágica. A sua gestão ainda nem começou. Mas quem se importa? Os 6 meses de PT em Minas ainda não geraram os efeitos dramáticos que a imbecilidade econômica da era Lula-Mantega-Dilma gerou. Quando a escola em tempo integral foi suspensa em Minas, Dilma já estava ocupando as manchetes e causando pesadelos de quem dependia do FIES ou do Pronatec. Pouca gente se importou quando o governo quis fechar o Ballet Jovem do Palácio das Artes, afinal Dilma já estava na fase de cortar tantos outros programas. Não fosse os esforço dos próprios bailarinos, estariam desamparados até hoje. Quando Pimentel tentou vender a mentira de que o estado estava quebrado, e foi desmentido pelo Banco Central, que disse que Minas teve o maior superávit do Brasil em 2014.

    Pimentel pôde nomear em paz um secretário condenado por improbidade, um assaltante condenado e foragido, e diversos parentes de petistas de todos os tipos pro seu governo. Não prestamos muita atenção, pois eram imoralidades menos impactantes que as muitas que se revelavam diariamente na Petrobras.

    E agora, quando sobra diretamente para o governador, a sorte arruma um problema maior e salva Pimentel novamente. Quando a Polícia Federal pede ao Superior Tribunal de Justiça para investigar Fernando Pimentel por lavagem ou ocultação de bens, direitos ou valores, toda a imprensa está mais ocupada com a declaração de que os Odebrecht, ao contar o que sabem, derrubariam a república, e o risco de Lula ser preso.

    Se prestarmos atenção, Fernando Pimentel é mais uma tragédia protagonizada pelo PT. Mas no meio de tanta desgraça que o mesmo PT produziu no país inteiro, a gente nem lembra.

    Alberto Lage

  4. BUSCAR NO BLOG

    25/06/2015 às 20:48

    Pimentel no olho do furacão. Ou: Se governador acha que é conspiração, que diga os nomes dos conspiradores e represente contra a PF, ora!

    O Brasil está virando o reino do bate-boca estéril e da conversa mole. O quiproquó da hora envolve o governador de Minas, Fernando Pimentel, do PT, e a Polícia Federal. Já explico por que digo isso.

    Nesta quinta, a PF deu início à segunda fase da Operação Acrônimo. Com um mandado de busca e apreensão autorizado pela Justiça, foram alvos da ação escritórios da agência Pepper, que presta serviços ao PT, e um imóvel que foi alugado para a campanha de Pimentel ao governo do estado. A Acrônimo apura se o empresário Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, o Bené, coordenava o caixa dois da campanha do petista.

    Pimentel e Bené, que já chegou a ser preso e está indiciado por formação de quadrilha, são amigos pessoais. O empresário, dono da Gráfica Brasil, fez fortuna na última década, no mandarinato petista. Entre 2005 e 2014, manteve contratos com o governo federal que somam R$ 525 milhões. Ele e o governador já apareceram juntos em outro caso cabeludo.

    A PF encontrou indícios, informa a Folha, de que a campanha do PT ao governo ocultou pagamentos feitos à gráfica de Bené. “Subfaturamento ou doação ‘in natura’ não declarada teriam por objetivo minorar gastos da Gráfica Brasil com a campanha, bem como possibilitar que os gastos do candidato não atingissem o limite estipulado no início da campanha”, sustenta a PF.

    Os policiais também tentaram um mandado de busca e apreensão na residência oficial do governador e na sede do partido em Minas, mas o pedido foi negado pela Justiça. Documentos obtidos pela VEJA indicam que a PF aponta Carolina Oliveira, mulher de Pimentel, como dona de uma empresa fantasma utilizada pela organização criminosa.

    O STJ tem na gaveta um pedido da PF para a abertura de inquérito que investigue o governador por “lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores”. Na primeira fase da operação, como já informou VEJA, “investigações indicaram que Bené montou uma ampla rede criminosa envolvendo empresas fantasmas para financiar as campanhas petistas, incluindo a do governador Pimentel. Basicamente, ele superfaturava contratos com o governo federal e repassava parte do que arrecadava aos partidos através de doações legais, como no petrolão, ou clandestinas, através das empresas fantasma. Na operação que prendeu o empresário, a polícia realizou buscas no apartamento onde Carolina morava antes de se mudar para Belo Horizonte”

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