O país espera sentado que o empresário invista apenas por confiar em Bolsonaro

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Charge do Emidio (Arquivo Google)

Laura Carvalho
Folha

A queda brutal das projeções de crescimento e as evidências de uma nova recessão no primeiro trimestre de 2019 trouxeram à tona o círculo vicioso causado pela insuficiência de demanda na economia brasileira.  As vendas fracas geram capacidade ociosa nas empresas e desestimulam, assim, investimentos em novas máquinas e unidades, o que, por sua vez, impede a expansão do produto e da renda das famílias e trava a retomada do consumo e das próprias vendas…

Para agravar o quadro, empresas e famílias endividaram-se ao longo dos anos de crescimento que precederam a crise, gerando o fenômeno que o economista Richard Koo convencionou chamar de “recessão de balanço”.

REDUZIR AS DÍVIDAS – Nesse tipo de crise, prevalece uma falácia da composição: consumidores e firmas cortam seus gastos visando reduzir suas dívidas passadas e tornar seus balanços mais saudáveis, mas acabam com isso causando um efeito agregado de redução do produto, da renda e do emprego, o que contribui para fragilizar ainda mais a sua situação financeira inicial.

Reativar uma economia que se encontra em tal cenário não é nada fácil. De pouco adianta, por exemplo, tentar estimular o crédito, pois empresários e famílias não estão interessados em tomar mais empréstimos: ao contrário, estão buscando saldar as dívidas existentes.

Já a queda da taxa de juros pode até contribuir para reduzir as despesas financeiras com as dívidas acumuladas, diminuindo um pouco a necessidade de cortar gastos com consumo e investimento, mas não é capaz por si só de estimular uma retomada.

EFEITO ASSIMÉTRICO – Na realidade, os juros têm conhecido efeito assimétrico: embora o aumento do custo do crédito possa atuar para desaquecer uma economia em expansão, reduzindo os incentivos ao consumo e ao investimento, sua queda não é capaz de convencer famílias e empresas a gastar mais em um cenário de crise.

Tal assimetria tornou-se conhecida pela metáfora utilizada por um diretor do banco central americano durante a Grande Depressão dos anos 1930: não se pode empurrar uma corda (“you cannot push a string”).

A única forma de quebrar o atual círculo vicioso é a expansão de algum componente autônomo da demanda. E, ao contrário do que se imagina, a recuperação dos investimentos das empresas nunca vem primeiro, pois não é autônoma, é induzida pelo grau de utilização da capacidade existente e pelas próprias expectativas de crescimento das vendas.

CONFIANÇA MÍSTICA – Ou seja, não adianta achar que os empresários vão investir em novos equipamentos com base em algum elemento místico de confiança enquanto houver capacidade ociosa: só vai haver estímulo ao investimento se as empresas se depararem com uma evidência concreta de aceleração das vendas de seus produtos.

As exportações poderiam ser esse motor, mas a desaceleração global em meio à escalada da guerra comercial entre EUA e China não ajuda. Já o caminho das concessões para o investimento privado em infraestrutura foi tentado, com pouquíssimo sucesso, pelos governos Dilma e Temer: parece haver pouco interesse dos investidores estrangeiros em investimentos de longo prazo com retorno incerto em meio à estagnação.

Só resta, portanto, a política fiscal. O retorno do investimento público direto em infraestrutura ao patamar pré-crise teria alto poder de estímulo, mesmo que fosse inteiramente coberto pela eliminação de desonerações, subsídios e outras despesas com multiplicador mais baixo sobre a geração de empregos e renda e/ou pela alta de impostos sobre a renda dos mais ricos. Ou seja, a economia brasileira, pelo visto, vai continuar esperando sentada.

13 thoughts on “O país espera sentado que o empresário invista apenas por confiar em Bolsonaro

    • A assertiva final de tributar a renda dos mais ricos é uma afirmação interessante. Porém antes de acha-la interessante há que se responder dois questionamentos: 1. Quem são os mais ricos; 2. Salário é renda?

  1. “Bolsonaro, pelo que investiguei, sempre foi um rebelde, faltava a causa”, diz Ipojuca Pontes.“E quer causa mais justa do que se indignar – e enfrentá-las – com as comanditas que exploram miseravelmente o Brasil? Tenho a impressão de que ele se fez político quando percebeu que uma boa parte da população consciente se lançou contra o establishment esquerdista. Quero dizer, aprendeu, corajosamente, a navegar a favor da maré nacionalista, patriótica e cristã que distingue a nossa população. (Ipojuca Pontes)

    • Ipojuca é um dos poucos que ficaram contra a maré vermelha enquanto toda essa escória midiática, acadêmica, tucana e puxa sacos vários abanavam o rabo para a ladroagem e desgoverno do PT!

  2. “Só resta, portanto, a política fiscal. O retorno do investimento público direto em infraestrutura ao patamar pré-crise teria alto poder de estímulo, mesmo que fosse inteiramente coberto pela eliminação de desonerações, subsídios e outras despesas com multiplicador mais baixo sobre a geração de empregos e renda e/ou pela alta de impostos sobre a renda dos mais ricos.”

    Ou seja, o autor quer que o governo mesmo quebrado faça mais dívidas ou imprima dinheiro, gerando inflação, para ativar a economia. Como é que nunca pensaram nisso antes? Pois não só pensaram, como foi exatamente por fazer isso que estamos na situação atual.

    • Caro Alex Moura … o nosso colega think tank Sr. Flávio José Bortolotto já alertou que para diminuir a dívida pública a inflação é solução kkk KKK kkk

      O Delfim Netto tem alertado desde 1997 que os juros ALTÍSSIMOS no Brasil são ESCANDALOSOS … e os Diretores do BC são muito mais poderosos que os Diretores da Odebrecht, OAS etc etc etc

  3. Boa tarde , leitores (as) :

    Senhora Laura Carvalho ( Folha) e Srº Carlos Newton , os principais e maiores responsáveis pelo agravamento da atual porque o Brasil esta passando é o próprio ministro da economia Paulo Guedes e auxiliares , que ao invés de ficar estimulando o desemprego e redução de salário e ficar demonizando obcessivamente a ” Previdência Social Pública ” , deveria cobrar os devedores da Previdência e não Anistia-los , estimular o consumo , pois nenhum trabalhador em sã consciência vai gastar/consumir sabendo que seu salário será reduzido ou mesmo será demitido , ou seja , o empresário não vai produzir , pois não terá para quem vender , com o agravando dos sucessivos aumentos abusivos das tarifas públicas e derivados de petróleo , sem levar em conta o baixíssimo poder aquisitivo da grande maioria da população Brasileira .
    O Ministro da Economia não o respeito pelos interesses do Brasil e de seu povo , haja que ele não pensou duas vezes em SAQUEAR e ROUBAR os ” Fundos de Pensão ” dos funcionários das estatais , e vai fazer o mesmo com Previdência Social Pública , com a conivência do próprio Presidente da Republica Jair Messias Bolsonaro , que o esta acoitando.

  4. E toma desonestidade intelectual! A senhora Laura Carvalho (da Folha, só podia ser) acha que o povo brasileiro é idiota? O empresário vai começar a investir quando o congresso nacional fizer a sua parte e votar as reformas do Bolsonaro, Guedes e Moro. São estas reformas que levarão as pessoas as ruas nas manifestações deste fim de semana. O resto é tudo blablabla…

  5. Mas que comentário besta. O Bolsonaro nunca esteve sozinho. Nós, os brasileiros de bem, é que governamos. O Bolsonaro apenas representa os nossos anseios e objetivos. Tudo o que o Bolsonaro decidir, decidirá com o nosso apoio. E basta. Isso é mais do que suficiente para que os empresários voltem a investir. Não tem mais toma-la-da-cá, não tem mais roubos, não tem mais gastos exorbitantes, não tem mais propina para políticos e empresários amigos do rei, não tem mais bilhões de dólares para Cuba e outras bostas socialistas, não tem mais teta para esquerdopatas e petralhas. Podem chiar à vontade. Vocês serão cada vez menos e insignificantes. Adeus, larápios!

  6. O dia 26 mostrará que a mídia bilionária, unindo-se contra o Olavo e o Bolsonaro, só conseguiu a adesão dela mesma e de mais ninguém.
    Olavo De Carvalho

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