O palácio vermelho pendurado no azul

Sebastião Nery

De repente, da janela do avião, entre Córdoba e Sevilha, o céu azul, o chão azul e uma serra branca, luminosa, toda coberta de neve, a “Sierra Nevada” de Granada. Onde nasceu e por Franco foi assassinado Federico Garcia Lorca. Onde nasceu e também por Franco foi assassinada Mariana de Pineda. Onde o poeta andaluz Manuel Machado cantou a “água oculta que lhora”. E o mexicano Augustín Lara chorou, no bolero imortal, “Granada, tierra soñada por mim, ensangrentada em tardes de toros, mujer de ojos moros”.

Uma cidade sagrada. A 30 quilômetros do centro, a neve a zero grau. A 40 quilômetros do centro, o mar a 30 graus. De manhã, você pode esquiar na “sierra nevada”. E à tarde tomar banho de mar nas mornas praias de Salorrena.

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ALHAMBRA

Mas Granada é sobretudo Alhambra. Sobre a colina de 700 metros, ante o rio Darro e os picos prateados da Sierra Nevada (3.487m), está Alhambra, o “Castillo Vermejo”, Castelo Vermelho (Alhambra, em árabe, é “vermelho”, pelo barro vermelho, com que foi construído), “o mais belo e mais impressionante e melhor conservado palácio árabe do mundo”.

Em 1238, Alhamar, rei mouro, foi morar na colina e começou a construir o palácio, dentro de uma fortaleza. Seus sucessores foram ampliando, sobretudo no século XIV. É um magnífico conjunto de palácios. No século XV (1492), os cristãos a tomaram e Alhambra continuou a ser palácio real.

Foi a última trincheira dos mouros na península ibérica. Você entra pela “Porta da Justiça”, passa pela “Porta do Vinho”, chega à “Praça de Algibes”, de onde se vai para os subterrâneos. Um roteiro de encantamentos. Parece um navio, “enorme barco ancorado entre a montanha e a planície”, como disse o poeta. São 2.200 metros de muralhas e 30 torres.

Na “Porta das Granadas”, estão as últimas palavras do mouro “Villaespesa”: “Poderão restar apenas as sombras destes muros, mas sua lembrança ficará para sempre como derradeiro refúgio do sonho e da arte, e então o último rouxinol que cantar sobre o mundo construirá seu ninho e entoará suas canções como uma despedida, entre as ruínas gloriosas de Alhambra”.

Alhambra, o palácio vermelho pendurado no azul.

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CONCEIÇÃO TAVARES

Não gosto de ver voto meu chorando. Na “Isto É Dinheiro”, o Hugo Studart contava em 2006 que minha ex-deputada, a guerreira e mestra Maria da Conceição Tavares, “a economista mais influente do País está chorando, em depressão profunda, diante das denúncias contra o governo que ajudou a pôr de pé”.

“Fumava três carteiras de cigarro por dia, já fuma quatro e está passando para a quinta. Segundo seu amigo Carlos Lessa, ex-presidente do BNDES, ela está se arrastando emocionalmente, é só angústia; para ela, está sendo terrível ver desmoronar todos os seus sonhos; é muito doloroso suportar o que está acontecendo com o Brasil, o PT e com seus amigos petistas”:

“É um governo de merda! Mas é o meu governo, merda! Joguei meus últimos anos de vida em um projeto que fracassou. O choque foi muito grande. Estávamos todos lá. Não vem agora com ar de quem não tem nada a ver com isso. Então estavam todos dormindo ou de touca? A corrupção está associada a essa política econômica errada, reducionista. O superávit primário não vai levar o País a lugar nenhum”.

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MARIA ANTONIETA

O País e o governo têm uma Comissão de Ética que diz que um servidor público só pode receber presentes que custem até R$ 100. Acima desse valor, ou devolve ou manda para algum programa de assistência social. A mesma “IstoÉ” contava que “Marisa Letícia (a então primeira-dama) acostumou-se a ganhar roupas caras e cortes de cabeça de graça, como se fosse muito natural”:

1. “O cabeleireiro Wanderley Nunes, dono do Studio W, revelou que oferece, a título de cortesia, todos os cortes de cabelo de dona Marisa, que custam, cerca de R$ 250 cada. E dá toda a tintura”.

2. – “O estilista Ivan Aguiar revelou que já deu ternos, terninhos, vestidos e tailleurs, para o presidente e para dona Marisa, os dela avaliados em pelo menos R$ 30 mil. Cada vestido assinado por Aguilar custa entre R$ 800 e R$ 1,2 mil e foram 15 ternos e 27 tailleurs”.

No passado, o governador paraibano José Américo já ensinava: “O homem público não mistura os bolsos”. Mas parece que ninguém aprendeu isso.

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