O Paraguai – o Brasil – a OEA – o Protocolo de Montevidéu

Profª Guilhermina Coimbra

A OEA está preocupada com a situação do Paraguai. A Comissão Interamericana considera inaceitável a expedição do impeachment. Questiona a escassez de tempo de 30 horas, para a realização do processo e procedimento de um juízo imparcial, por se tratar de um Chefe de Estado de Direito.

Mas, os residentes no Paraguai – os diretamente interessados, porque serão eles os que sofrerão as conseqüências, se forem funestas – estão totalmente de acordo com o ocorrido. Segundo eles, não houve golpe de Estado. Todas as garantias do devido processo legal foram tomadas, o “impeachment” jamais poderá ser considerado um golpe de Estado, como querem fazer crer.

Aplicaram cuidadosamente a Constituição da República. Não foi violada qualquer norma legal ou direito humano, e o juízo político é uma alternativa prevista na Constituição. Informam que não é um governo de “direita” e sim um governo liberal. Quanto à razão, de fato, é a de que a população, cansada de todo tipo de ditaduras de “direita” e de “esquerda” não estava satisfeita com a dissimulada adesão do presidente deposto ao “bolivarianismo”.

O consenso é no sentido de que o governo deveria ter tomado a decisão um pouco antes e preservada a vida de sete policiais desarmados e onze falsos camponeses, Segundo eles, se continuassem demorando, teria havido mais derramamento de sangue, porque os radicais teriam tido a oportunidade de mobilizar os elementos infiltrados entre os camponeses, armados e treinados por organizações estrangeiras, possuidoras de armas que nem os militares de lá têm.

Segundo os residentes, as sentenças judiciais não estavam sendo cumpridos, escritórios privados emitiam títulos falsos. Grandes, médios e pequenos proprietários de terra paraguaios e estrangeiros não estavam satisfeitos, entre outras razões, motivaram que acabasse como acabou, sem esperar os dias que ainda faltavam para o final do governo julgado impedido.

Apesar de ter sido obedecido o processo legal e das justificativas dos residentes no Paraguai, foi tudo muito estranho. Principalmente pelo fato ter ocorrido justamente no final da Rio+20. E, estranho, principalmente, também, pelo “zelo” da OEA. Pelo histórico da organização, um liberal no governo de qualquer país da América do Sul é o “sonho de consumo” dos interesses da OEA.

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ENTENDENDO A DEMOCRACIA

A democracia tem várias maneiras de ser capciosamente entendida. Mas, para os que residem na América do Sul, a democracia é o exercício de eleger diretamente aqueles que irão governar o país, de acordo com os interesses dos nacionais e estrangeiros que nele residem. É a distribuição equitativa do poder dos eleitos para governar os que residem dentro do país. Este direito foi conquistado com esforço e sacrifício pelos países da América do Sul e deve ser defendido sem hesitação.

No Brasil e na América do Sul não se pode admitir que democracia seja entendida como o governo de outros Estados, em benefício de suas respectivas populações. Não se pode admitir que democracia seja entendida como carta-branca aos poderes para que façam negócios de Estado, prejudicando os residentes.

Não há como entender democracia como o poder de democratizar os bens públicos do Brasil entre os lobistas dentro do Brasil e os seus representados, fora do Brasil. Isto não é democracia, isto é colaboracionismo, é crime de lesa pátria. O mesmo raciocínio se aplica relativamente ao entendimento das palavras liberalizar, socializar e comunizar. Entender diferentemente é ainda inocentemente acreditar que os navegantes enfrentaram o Atlântico (chamado de Mar Tenebroso) por causa da pimenta, do cravo e da canela, acreditar em Papai Noel e em outras crendices.

O Brasil é o principal país do Continente sul-americano com divisa com o Paraguai. Por esta razão, o governo brasileiro tem que estar atento à segurança dos “brasiguaios”, agricultores brasileiros, porque eles constituem uma das principais forças da agropecuária paraguaia e estão entre os alvos dos que se dizem sem-terra, permanentemente molestados por um movimento que não se distingue do banditismo, haja vista a atuação deles na Rio+20.

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