O patético ministro do Turismo enfim presta depoimento esta quarta-feira na Câmara. Será um show realmente imperdível.

Carlos Newton

Foi patética e até digna de pena a defesa que o ministro do Turismo, Pedro Novais, esboçou no seminário de “Infraestrutura Política, Megaeventos Esportivos e Promoção da Imagem do Brasil no Exterior” realizado na manhã de hoje no auditório do Tribunal de Contas da União, que está fazendo uma devassa nas contas do ministério comandado pelo surpreendente deputado maranhense, amigo e compadre de seu protetor, o senador José Sarney.

O ministro afirmou que o momento era oportuno para fazer uma apresentação (sem apartes, é claro), mas á tarde não teve coragem de comparecer à Câmara para prestar depoimentos, onde teria de ouvir as gravíssimas acusações das quais vem se escondendo desde o último dia 5, quando a Polícia Federal realizou a Operação Voucher, prendendo 36 pessoas, inclusive o secretário-executivo do ministério. Novais adiou a ida à Comissão de Defesa do Consumidor para esta quarta-feira, ganhando mais 24 horas de bonificação.

“Desde o início busco fazer uma administração correta e transparente”, disse Novais, que se queixou de portarias que mudam a estrutura interna do ministério: “São fatos, não é ficção”, alegou, listando uma série de medidas que estão sendo adotadas para dar maior transparência aos atos do ministério, depois do cofre ter sido roubado impediedosamente por diversas ONGs, que há anos mamam nas tetas turísticas.

Ele contou que se dedicou quatro meses trabalhando em documentos, que classificou como “pilares do Ministério do Turismo”, mas que ainda dependem de serem editados pela Presidência da República. Segundo ele, são referentes à estrutura organizacional do órgão.

Como se isso fosse suficiente para isentá-lo das gravíssimas acusações, disse que, entre as medidas adotadas após o escândalo de desvio de recursos públicos na pasta, está a revisão de todos os convênios do ministério com organizações não governamentais (ONGs). Quer dizer, depois da casa arrombada e saqueada, Sua Exa. decidiu colocar uma tramela.

O ministro também choveu no molhado ao afirmar que o ministério está aberto a todos os órgãos de fiscalização e de controle externo. “Estamos à disposição a qualquer tempo da CGU (Controladoria Geral da União), do Ministério Público Federal e do TCU (Tribunal de Contas da União) para oferecer informações. Somos inteiramente dependentes da orientação e do controle deles”, argumentou, como se fizesse alguma diferença.

PPS ACIONA PROCURADORIA

Enquanto Novais saía da toca para esboçar essa defesa tatibitate, o líder do PPS na Câmara, deputado Rubens Bueno (PR), protocolava hoje na Procuradoria Geral da República uma representação pedindo abertura de investigação sobre eventual crime de prevaricação praticado pelo ministro do Turismo. Na ação, o partido argumenta que há fortes indícios de que ele tinha informações sobre o esquema de corrupção na pasta.

– Acho difícil o ministro manter a alegação de que não sabia de nada – disse Rubens Bueno.

Na representação, o deputado argumenta que “são graves as suspeitas” sobre a gestão do Ministério do Turismo. Isso, é claro, para dizer apenas o mínimo, diante de todo o lamaçal que já foi mapeado pela Polícia Federal .

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