O plano de combate à epidemia do crack e a contramão de direção dos progressistas que insistem na legalização de drogas

Milton Corrêa da Costa

A cada dia mais e mais jovens são seduzidos em nosso país pelo falso ‘mundo colorido’ das drogas, inclusive pelo uso do álcool. E o crescimento assustador das ‘cracolândias’ recisa ser encarado em várias frentes de atuação, tanto pelo governo quanto pela sociedade civil, não por políticas permissivas com drogas, mas sobretudo ousadas e realistas.

Quarta-feira passada, a presidente Dilma Rousseff anunciou ao país um plano integrado de combate à gravíssima e preocupante epidemia social do ‘crack’, a chamada droga da morte, sob a sigla “Crack, é possível vencer”, com investimentos da ordem de R$ 4 bilhões, com ênfase na internação involuntária (contra a vontade do dependente) e na compulsória (por decisão judicial), além de estratégias de prevenção, tratamento (cuidado), policiamento e repressão ao tráfico (combate), como importantes mecanismos de minimização da problemática.

Na mesma quarta-feira, o Movimento Viva Rio (MVR), em comemoração aos seus 18 anos de criação, num painel, sob o tema: “Drogas, por uma política mias eficaz e humana”, com a presença de estudiosos da questão, considerados progressistas do tema, liderados pelo ex-presidente Fernando Henrique, insistiu na tese de mudança de rumo no combate às drogas com a proposta de que a descriminalização e a legalização seriam a forma mais sensata de redução de danos aos usuários e dependentes e como forma de enfraquecer e reduzir a violência e os lucros do tráfico. Propuseram uma mudança de rumo, além também do aperfeiçoamento da Lei sobre Drogas na questão dos usuários.

Numa pesquisa própria, para embasar sua defesa de tese, o Via Rio afirma que a proibição do uso da maconha é o que torna sua venda mais atraente para os traficantes. Nenhuma novidade. O contrabando de armas, o tráfico internacional de mulheres e o comércio de drogas sempre foram os ramos de ilegalidade mais lucrativos no mundo. O estudo analisou os preços dos entorpecentes no Paraguai, principal fonte do mercado consumidor brasileiro concluindo que a droga chega na mão do comprador no Rio cerca de 283 vezes mais cara do que quando foi cultivada e vendida. “Se fosse um comércio legal, seria menos lucrativo”, disse um diretor do Viva Rio. Registre-se, por dever de justiça, os inestimáveis serviços de ajuda humanitária prestados pela citada ONG, além da efetiva participação numa política de redução de armamentos letais no Brasil..

Quanto à política sobre drogas, em que me coloco em oposição ao Viva Rio, aqui vale ressaltar que com a cocaína os lucros do tráfico também nunca foram diferentes. Com 200 quilos de folhas, vendida pelo cocaleiro por U$$ 350, 00, se produz um quilo de pasta base. De cada 2,5 kg de pasta retira-se um quilo de cloridato de cocaína. Refinado o cloridato produz 800 gramas de cocaína pura. Um quilo de cocaína pura custa U$$ 500 mil. O lucro do traficante na ponta da linha, portanto, é astronômico.

Somente no Complexo do Alemão, no Rio, conforme investigação da Polícia Civil, cujo esquema está sendo atualmente desarticulado com várias prisões, num período de dez meses, traficantes daquela comunidade, antes da ocupação efetiva da localidade pelas tropas do Exército, movimentaram R$ 80 milhões, fazendo depósitos em contas de empresas de Minas Gerais visando deste modo, num sistema de lavagem do dinheiro, investir licitamente o dinheiro ilícito.

Estamos mais preocupados com os lucros dos traficantes ou com a saúde pública? Será que chegaremos ao dia em que o filho avisa ao pai que vai dar um pulo na farmácia da esquina para comprar um ‘baseado’ ou um papelote de cocaína? É isso que almejam os progressistas? Tamanha e perigosa permissividade? O que é mais conveniente? Fornecer drogas a dependentes em hospitais públicos ou interná-los para tratamento da dependência? Ou o governo federal, como faz acertadamente agora, deve encarar de frente, com estratégia planejada, de forma urgente e integrada com estados, municípios e sociedade, o grave problema social das drogas?

Sociedades extremamente permissivas foram destruídas pela fraqueza dos valores éticos e morais. Drogas não agregam valores sociais positivos. A busca de estados alterados de consciência pelos mais jovens é um desafio a ser encarado com prevenção, tratamento, policiamento e repressão policial quando necessária. A produção, o comércio e o controle das drogas não podem ser missão de Estado. O papel de indutor do uso de droga não cabe ao Estado, que existe para produzir o bem comum, não para ser conivente e permissivo numa política claramente perigosa. Registre-se, inclusive, que na Holanda, a cannabis, com as constantes mutações genéticas na potência do seu princípio ativo, o tetrahidrocanabinol (THC), já está sendo incorporada ao rol das drogas pesadas, onde já não é tão recreacional assim. Recentes estudos demonstram inclusive que quem é usuário de maconha tem mais propensão a desenvolver esquizofrenia, além dos problemas da memória.

Nesse contexto de perigosa ameaça à juventude, há que se ressaltar a preocupante declaração do Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante a apresentação do novo programa de combate ao crack, afirmando que entre 2003 e 2011, passou de 25 mil para 250 mil a média mensal de atendimentos do Sistema Único de Saúde (SUS) a usuários de álcool e drogas em todo país.

Por enquanto, portanto, estamos perdendo a guerra contras as drogas, lícitas e ilícitas. A única certeza, porém, é que não a venceremos com a permissividade pretendida pelos progressistas. Pelo contrário, a emenda seria pior que o soneto. Ponto para o governo federal, que não tratou de descriminalização e legalização de drogas, mas de efetivo combate.

A promessa do trabalho de prevenção ao uso indevido de drogas, em 42 mil escolas públicas, a exemplo do que se faz há quase 20 anos por policiais militares capacitados, no âmbito do Estado do Rio de Janeiro, é outro ponto altamente positivo do programa anunciado visando, através da prevenção, colher bons frutos no futuro. Agora sim há uma estratégia definida e promissora de combate ao flagelo das drogas. É possível vencê-lo. Basta acreditar.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *