O poder vivo das redes sociais


Luiz Tito

As últimas pesquisas divulgadas pelo Instituto Datafolha, que o governo Dilma insiste em não valorizar, revelaram o quanto as manifestações públicas, servidas dos recursos das redes, impuseram um novo traço no processo de organização política do povo brasileiro e realçaram sua capacidade de se manifestar e reclamar. Excluída a violência, que nós civilizados repudiamos, o saldo que deixaram até agora as manifestações é muito positivo.

Primeiro, foi o retrocesso de governadores e prefeitos das cidades que haviam permitido o reajuste das passagens e tiveram que desfazer tais concessões, mote dos protestos iniciados em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, para depois ganharem as ruas do país.
O que em outros tempos seria ponto final sofreu recuo e as lideranças populares ainda querem discutir mais avanços desse item da pauta, o que obrigará à abertura dos números do negócio transporte público. Bate-se pelo passe livre pelo menos dos estudantes. Depois foi o confronto avivado nas manifestações, dos investimentos feitos pelos Estados e pelo governo federal na reforma e adequação dos estádios de futebol às exigências da Fifa com outras prioridades, num país onde pessoas ainda morrem de inanição, da falta de médicos, hospitais e saneamento básico e estão condenadas à dependência pelo subdesenvolvimento, que se funda na baixa qualidade da educação, principalmente.
REPRESENTATIVIDADE

No plano da representação popular, ganhou dimensão a discussão sobre a falta de representatividade dos partidos políticos, tão evidentemente baixa que essas agremiações foram barradas no baile, abertamente excluídas e repudiadas da intimidade das manifestações. Senadores, deputados e vereadores se apressaram em inserir na ordem do dia discussões que estavam destinadas a acontecer num futuro longínquo; outras postulações nem ganharam vez, como foi o caso da PEC 37, que no Congresso era dada como certa de ser aprovada, retirando do Ministério Público a prerrogativa de investigar os fatos antes desses tornarem-se denúncias. O povo gritou pelo que quer ver se tornar realidade; não se admitem mais promessas e enrolação, que a propaganda oficial ajuda a confundir maquiando a realidade.

Estrategicamente recolhida, por absoluta incapacidade do seu governo de lidar com as massas, em mau momento surgiu a presidente Dilma, já com sua liderança ruída pelos fatos das ruas, oferecendo investimentos até então prometidos em campanha, mas nunca efetivados, de apoio à mobilidade urbana, à construção de hospitais, Upas, com a possibilidade de importação de médicos de outros países para reforçar os cuidados de saúde. Teremos uma Cacex-saúde, como se nossos problemas se resumissem à falta de médicos, abundantes em Cuba.
Para fechar o festival de equívocos, nasceu a proposta de realização de um plebiscito, já rotulado como um golpe. A ideia é tão disparatada e diversionista e foi tão bombardeada que seu rechaço veio nas pesquisas divulgadas pelo Datafolha nesse fim de semana: Dilma caminha a passos largos para perder a eleição, depois de ter sido considerada imbatível e com mão na taça. Outros também que se cuidem e se ajustem. As redes não dormem.

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