O poema subjaz e lateja na criatividade de Artur da Távola

Resultado de imagem para artur da távolaPaulo Peres
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ite Poemas & Canções

Artur da Távola era o psedônimo do carioca Paulo Alberto Moretzsohn Monteiro de Barros (1936-2008) que, além de advogado, jornalista, radialista, professor e político, era um excelente poeta, como podemos perceber neste soneto, em que ele aborda os estados e os sentidos que fazem o poema existir antes de ter nascido.

SONETO INASCIDO
Artur da Távola

O poema subjaz.
Insiste sem existir
escapa durante a captura
vive do seu morrer.

O poema lateja.
É limbo, é limo,
imperfeição enfrentada,
pecado original.

O poema viceja no oculto
engendra-se em diluição
desfaz-se ao apetecer.

O poema poreja flor e adaga
e assassina o íncubo sentido.
Existe para não ser

One thought on “O poema subjaz e lateja na criatividade de Artur da Távola

  1. Falar em Artur da Távola é falar também em música. Para ele “Música é vida interior. E quem tem vida interior jamais está sozinho.” Seu programa da TV Senado era imperdivel. Tinha o sentido de desmistificar o preconceito que existe sobre a música clássica. Com muita didática, ele comentava os autores e intérpretes, informava o tempo de duração da obra e ia explicando cada andamento de cada uma, interpretação os maestros, enfim ele explicava a técnica musical e apresentação de cada espetáculo.
    “O poema subjaz, viceja, lateja, moreja” – era um mestre em jogo de palavras. “A poesia começa quando o poeta pensa que acabou o poema”, mas não acabou, ela está oculta, basta ao poeta, buscá-la, para começar outra poesia. Saudades de Paulo Alberto Moretzohn Monteiro de Barros, o nosso Artur da Távola, que foi politico, escritor, poeta, cronista, radialista, jornalista.
    Muito legal, Paulo Peres, começar uma semana com o Mestre Artur da Távola.

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