O policial estuprador e a covardia desse tipo de crime

Milton Corrêa da Costa

Caso comprovadas as gravíssimas acusações que pesam contra o cabo da PM Frank Cimas Barbosa, de sequestro seguido de estupro, praticado contra uma jovem de 21 anos, na noite do último sábado, estaremos diante de uma afronta à sociedade, pois envolve quem tem por missão servir e proteger os concidadãos e não traí-los, cometendo a monstruosidade dos abomináveis e covardes crimes de sequestro e estupro.

Tal e qual um bandido, ao ser detido também fugiu covardemente – as circunstâncias da fuga ainda estão sendo apuradas. Inacreditável, repugnante e inaceitável o comportamento de um agente do estado.

Ressalte-se que o hediondo crime de estupro é o delito mais subnotificado em todos os países do mundo, ainda que no Brasil a Lei Maria da Penha tenha propiciado ultimamente um aumento de seus registros, encorajando a vítima, apesar do constrangimento e do trauma psicológico, a denunciar os estupradores de todo gênero, que muitas vezes convivem sob o mesmo teto, onde o medo e a vergonha de um escândalo familiar fazem com que ainda se encubra o estupro e o assédio sexual também contra menores.

Registros de casos de violência sexual contra crianças e adolescentes cresceram 67,5% nos últimos dois anos em Brasília. Somente em janeiro deste ano, foram anotadas 34 ocorrências, mais de uma por dia. Histórias de abusos, como a do pai que engravidou a própria filha de 12 anos em Ceilândia e a do padre que praticava atos libidinosos com os filhos de fiéis em São Sebastião, chocaram o Distrito Federal.

As ocorrências em 27 das 31 regiões administrativas do DF mostram que o perverso crime não depende de conta bancária e está presente em todas as classes sociais. Em dois anos, os registros subiram 67,5%, saltando de 243 para 407 somente na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). Graças às denúncias e às investigações da DPCA, pelo menos 12 estupradores foram presos nos últimos meses.

O aumento das denúncias segue a tendência do resto do país. As queixas pelo Disque 100 cresceram mais de cinco vezes, saltando 160 mil atendimentos para 866 mil, de 2010 para 2011. A procura por auxílio especializado demonstra que as famílias brasileiras estão começando a perceber que o problema do abuso sexual não pode ser resolvido apenas no ambiente doméstico.

“Com o aumento das denúncias, percebemos que essa realidade começa a ser redesenhada”, afirma Adriana Costa de Miranda, mestre em sociologia pela Universidade de Brasília e autora do livro “Conversando sobre a violência sexual com a criança”.

O crime brutal e infame de que é acusado neste momento o citado policial militar causa, sem dúvida, vergonha e constrangimento aos mais de 40 mil profissionais integrantes da bicentenária instituição, que com o risco da própria vida, numa função altamente estressante, doam o seu sangue em defesa da sociedade, na linha de frente de uma violenta e permanente guerra urbana no desempenho da missão policial.

O lamentável fato constitui ainda um desafio ao comando da corporação no trabalho de expurgar de seus quadros a chamada ‘banda podre’ ainda existente.

A captura do policial militar em questão é, pois, ponto de honra para a polícia do Rio. É hora e vez de propor, também, alteração no Código Penal Brasileiro visando estabelecer a pena em dobro para policiais pelo cometimento de crimes hediondos como no caso do sequestro, tortura e estupro. Quem tem por missão ser o fiscal da lei não pode infringi-la de forma tão grave.

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