O político e o Estado

Mauro Santayana

A questão mais importante do poder é a de sua legitimidade. Os governos tirânicos usam o argumento de que se legitimam por si mesmos. Foi assim com o golpe de 1964, em seu primeiro ato: “a Revolução se legitima a si mesma”. A ideia foi exposta por Goering, no Tribunal de Nuremberg. Um procurador aliado inquiriu-o sobre a ousadia do regime, em violar os princípios básicos da civilização ocidental, sem pensar nas consequências. Ele respondeu que estavam criando uma nova ordem mundial, e a vitória militar a legitimaria. Nada tinham a ver com o passado.
Todas as interpretações de fundo sobre a atualidade brasileira (e mundial) confluem para identificar  grave crise de legitimidade da representação política. Os líderes perderam a confiança dos cidadãos,  única fonte legítima de poder, de direito, nas sociedades humanas.
As manifestações se repetem em todos os países, com maior ou menor intensidade, não só contra a corrupção, mas também contra a ineficiência dos governantes, incapazes de assegurar a justiça social. Agindo como gangsters, os banqueiros invertem a razão: são eles que controlam os governos.
Dois são os eixos sobre os quais se movem as sociedades humanas: o contrato e a lealdade. O contrato político se realiza no ato eleitoral: os cidadãos conferem mandatos temporários a alguns deles, a fim de legislar ou administrar. Em troca, os eleitos assumem, tacitamente, o dever de lealdade para com o Estado.
ESTADO DE DIREITO
O Estado de Direito deve reger-se pelos princípios imemoriais e éticos, de solidariedade nacional; pela Constituição e pelas leis. Quando o mandatário não cumpre o contrato, deveria perder a confiança do eleitor, e, assim, ter a  delegação cassada.
No Brasil não conseguimos ainda criar um Estado de Direito realmente solidário. Aqui, as nossas constituições têm sido alteradas pelas circunstâncias conjunturais, sob a pressão dos interesses privados e corporativos.
As bancadas corporativas sobrepõem-se, no Congresso Nacional, às partidárias. Os partidos já perderam o poder de fechar questão em votações de maior responsabilidade, porque sabem como irão votar seus deputados, obedecendo aos interesses das reais bancadas a que pertençam: dos banqueiros, do agronegócio, dos industriais, das confissões religiosas. Isso explica muitas coisas.
Explicam, por exemplo, a absoluta impossibilidade de se obter uma reforma política por via legislativa. E explicam os oitenta e seis deputados federais que se negaram a votar moção de repúdio à espionagem das nossas comunicações pelo telefone e pela internet, pelo governo norte-americano.
Esses parlamentares podem estar atendendo à visão de mundo de seus eleitores corporativos, que  só pensam em seus negócios. Mas não são leais com o Estado e a Nação.  Se aceitam essa interferência abjeta em nossa soberania, podemos imaginar como se comportariam diante de uma invasão estrangeira.
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5 thoughts on “O político e o Estado

  1. Candidaturas e pesquisas que aí estão não representam e nem refletem a Verdade das ruas do Brasil. Marina, Itau, Natura, CIA da mesmice e o quebra-quebra das ruas. Marina Antonieta da Silva, talvez seja o nome do novo filme que Marina esteja tentando protagonizar, crente de que seja possível enganar os manifestantes conscientes, decididos e bem determinados que lutam pelo Novo Brasil de Verdade. Aliás, o quebra-quebra preferencial de lojas da rede Itaú, por manifestantes mais exaltados, talvez já seja um recado direto e expressivo para Marina, à moda piruá ou pipoca. E em sendo crente, Marina sabe que é impossível servir a dois Senhores ao mesmo tempo, muito menos navegar com os mesmos pés em várias canoas ao mesmo tempo. A Revolução, todavia, está em marcha, com nome, sobrenome, começo, meio e fim, talhada para a liderança natural que Marina tem consciência que não é ela. E na hora H será impossível o camando em mãos de impostores ou impostoras políticos temporais. Portanto, o ideal é que Marina não brinque com coisa tão séria e diga logo qual é a sua e até que ponto o seu caminhãozinho de pneus arriados é capaz de responder, sinceramente, a tanta e tamanha espectativa popular e a carga tão pesada que vem por aí, face às quais, no frigir dos ovos, ver-se-a que de nada adiantou tentar se apropriar de um discurso novo alheio já pronto e construido a duras penas ao logo dos últimos 20 anos, enquanto a mesma se deleitava no poder, que ela sabe que não é seu, que apropriar-se de coisa alheia dá castigo, que o Paí a tudo vê, e que na hora H o sapato histórico (RPL-PNBC-ME) foi confeccionado para ser calçado nos pés certos . O povo brasileiro, sofrido, não agüenta mais 171 eleitoral. Chega de falsos profetas e profetizas, oportunistas. Aliás, a Revolução Popular Pacífica que está nas ruas não precisa de dinheiro do Itaú e nem da Natura (a elite financeira cheirosa), que tb são alvos das ruas, ao que parece. Entenderam, Marina e marineiros, ou preferem que desenhemos ?

  2. Dada a crise de legitimidade que o eminente articulista observa, deveriamos então abdicar deste modelo de representatividade. Mas colocar o que no lugar? Quem pode resolver a questão é o congresso, este não representa mais, conforme implicito acima, então fariamos o que? Talvez Lula ou outro(a)lá sem congresso? Seria esta a alternativa implicita tambem?
    Será que não valeria à pena trabalharmos todos, sociedade, intelectuais, jornalistas sérios e quantos mais para o fim imediato de todas as reeleições de presidente à vereador? Posto que a perpetuação no poder é a mãe geradora de todas as formas de corrupção na politica?

  3. Bazófias rudimentares!
    “Todas as interpretações de fundo sobre a atualidade brasileira (e mundial) confluem para identificar grave crise de legitimidade da representação política. Os líderes perderam a confiança dos cidadãos, única fonte legítima de poder, de direito, nas sociedades humanas”.
    Como alguém consegue escrever cretinices afirmando que a “única fonte de legitimidade do cidadão viver em sociedade é confiar em seu LÍDER! Quanta propaganda estupida de ser aceita.
    É por isso que deve-se investir em educação, aqueles que por um motivo ou outro deixaram de frequentar uma escola, até pode acreditar nessas bobagens escritas acima, ou acabam perdendo a razão ao abraçar a estupide partidária com ares de revolução contra os yanques.
    Através das urnas pode-se legitimar governos discricionários, autoritários e despostas. Só olharmos para a Venezuela. Eleições que não acontecem em Cuba ou Coreia do Norte.
    Dar vazão ao anti-americanismo bolivarianista é querer insuflar a população em conversa fiada para desviar do foco da insatisfação contra esse governo que ai está.
    Será que isso chama liberdade de expressão? Livre pensar é só pensar? Será isso e pregação de um suposto arauto da insensatez na tentativa de explicar uma vergonhosa velhacaria?
    Nada melhor que alternar o poder. O Brasil não merece o PT e suas cartilhas vermelhas e escrotas de anti-democracia. Fora PT!Fora Lula!Fora Dilma! Cadeia para os mensaleiros!
    PS: o jornalista esqueceu de listar os empreiteiros que Lula tanta questão fez de alimenta-los religiosamente com muita, mais muita grana verde.
    PS: invasão estrangeira ao meu ver,é essa tentativa de empregar 6.000 mil agentes cubanos ao preço de US$ 4.500 dólares cada.

  4. No mundo de santayana não existem as tiranias comunistas, pois ele é um dos que acreditam na sua ideologia nefasta.
    Para ele Fidel é democrata.
    Por si só ele legitima a sua condição de sectário.
    É um hospedeiro e transmissor desse mal que assolou o mundo no século passado.
    Não conhece a fenomenologia da mente ou consciência e se ilude com suas criações.

    Vai morrer acreditando no humano demasiado humano.
    Jamais pegará o espírito da coisa: “a mente mente”.

  5. TÕ CANSADO DE DIZER QUE EM 64 NÃO HOUVE GOLPE. HOUVE, SIM, UM CONTRA-GOLPE, POIS O GOLPE VEM SE ARRASTANDO DESDE 35 E QUE FOI PRONTAMENTE BATIDO. VEIO O DE 64 QUE NOVAMENTE FOI ACACHAPADO E,O DE 1973(GUERRI-
    LHA DO ARAGUAIA) QUE DE NOVO FOI BATIDO. SEGUNDO AS PUBLICAÇÕES, A QUARTA TENTATIVA ESTÁ EM ANDAMENTO. VAMOS AGUARDAR.

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