“O pós-pandemia exigirá uma renda mínima nos moldes do Bolsa Família”, diz líder do PT no Senado

Senador criticou tentativa de se evitar a extensão do Auxílio Emergencial

Israel Medeiros
Correio Braziliense

Para a retomada eficaz da economia, é necessário criar um novo programa de renda mínima nos moldes do Bolsa Família. A afirmação foi feita pelo senador de Sergipe Rogério Carvalho, líder do PT no Senado. Em entrevista ao CB.Poder — parceria do Correio Braziliense e da TV Brasília —, nesta quarta-feira, dia 22, ele defendeu maior atuação do Estado para conter os efeitos da pandemia, e falou sobre a necessidade, na sua avaliação, de um programa voltado a atender os mais necessitados.

“O pós-pandemia exigirá uma renda mínima nos moldes do programa que é referência para o mundo inteiro, o Bolsa Família. A gente precisa aprovar isso definitivamente para garantir a que a economia vai ser retomada de forma orgânica, o que significa as pessoas terem capacidade de consumo e geração de postos de trabalho”, disse ele.

AQUECIMENTO DA ECONOMIA – Carvalho também comentou que acredita que o governo deve ter um programa de investimento público eficiente e robusto para gerar aquecimento da economia. “Por exemplo, os EUA estão gastando 22% do seu PIB para aquecer a economia. Itália, Espanha, França, por volta de 15%. Alemanha, 9%. No Brasil, até agora, dos 7% programado só executou 3%”, argumentou.

O parlamentar também saiu em defesa do Sistema Único de Saúde (SUS) e disse que ele se mostrou eficaz durante a pandemia até agora. Carvalho acredita, no entanto, que é preciso fortalecê-lo ainda mais, e, para isso, é preciso a participação da população.

“É importante registrar que o Sistema Único de Saúde deu um show nesta pandemia. Vimos o estrangulamento em países da Europa que têm bons sistemas de saúde. Aqui, nós tivemos problemas onde não houve nenhuma medida de isolamento efetivo, como foi em Manaus. Ceará teve muita gente contaminada, por causa do aeroporto internacional. Mas o SUS foi um instrumento muito poderoso para salvar vidas, sai mais forte desta situação. No pós-pandemia, precisamos convocar a população a fortalecer o SUS”, afirmou.

AUXÍLIO EMERGENCIAL – O senador falou ainda sobre as dificuldades financeiras enfrentadas por micro e pequenos empresários por causa da pandemia. Ele destacou que o Congresso Nacional foi autor da maioria das medidas econômicas para atenuar os efeitos da crise, e criticou a postura do governo federal ao tentar evitar a extensão do Auxílio Emergencial.

“A gente tem votado medidas que é só olhar os dados do comércio de junho que foram melhores que os de junho do ano anterior. Mas o Auxílio Emergencial se encerra daqui a duas parcelas. O governo não deixou que fosse estendido até o fim do ano. Nós vamos ter milhares de desempregados que precisam ter uma renda básica”, declarou.

Carvalho disse acreditar que a prorrogação do prazo pode ocorrer, mas ainda é necessária a criação de um programa de renda mínima. “O governo já derrotou uma proposta de extensão (do Auxílio) até o fim do ano. É óbvio que tem que ser estendido até o fim do ano. E agora o Senado pode ter iniciativa, aprovar e ir para a Câmara. Acredito que tenhamos essa prorrogação. Mas é preciso ter uma renda mínima estabelecida por um prazo indeterminado para retomada econômica, um novo programa”, completou.

PARTE I

PARTE II

2 thoughts on ““O pós-pandemia exigirá uma renda mínima nos moldes do Bolsa Família”, diz líder do PT no Senado

  1. O cara que preside este desafortunado país pouco se importa com quem passa fome ou necessidades. Como ele mesmo diz, um dia todo mundo vai ter que morrer… A presidência dele vai morrer mais cedo, por falta de votos. De tanto apanhar, o povo vai acabar aprendendo.

  2. A única coisa que os 3 poderes pensam de fato, é garantir o dinheiro para que o paquidérmico estado brasileiro seja sustentado. E consequentemente que os dependurados no cabidismo da máquina pública se mantenham no bem bom de suas altas remunerações e benesses, uma ofensa para mais de 90% da população brasileira que paga 46% do PIB em impostos com retorno quase zero em serviços.

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