O prefeito Eduardo Paes e a agressão de uma ausência nada olímpica

Charge do Aroeira, reprodução de O Dia

Pedro do Coutto

Pois é. Ancelmo Gois noticiou em sua coluna no Globo que o prefeito Eduardo Paes não foi a Brasília participar da chegada da Tocha Olímpica para não ter que se encontrar com a presidente Dilma Rousseff. Incrível. A que ponto desceu o nível dos administradores públicos brasileiros. O Rio é a sede dos Jogos Olímpicos de 2016, a primeira Olimpíada a se realizar no Brasil. Marco Histórico na vida da cidade e, sobretudo, do país.

O prefeito esqueceu-se disso e expôs o governo a uma passagem vergonhosa. Confundiu os cargos com as pessoas. Dilma Rousseff ainda é a presidente da República. Eduardo Paes, prefeito da cidade do Rio de janeiro. O desempenho dos cargos públicos predomina sobre as pessoas que os ocupam. Eduardo Paes deve ter deixado perplexos os organizadores de mais uma página da história esportiva universal. Fatos como esse não passam rapidamente na visão e memória dos dirigentes olímpicos e dos governos das nações cujos atletas participam. Foi uma agressão desnecessária de um prefeito a uma presidente da República.

Não importa quem ocupe o Planalto. Tampouco que provavelmente a partir da semana que vem a presidência esteja ocupada por Michel Temer. Os governantes passam. O prefeito também vai passar depois das eleições deste ano. Os cargos ficam. Com eles a responsabilidade ética e administrativa.

ERA AMIGO DE DILMA…

Vale acentuar que até há bem pouco tempo, Eduardo Paes disputava ansioso, como tantos outros, um telefonema, uma atenção, uma audiência pública da presidente do país. Inclusive um diálogo telefônico com o ex-presidente Lula.

Tudo bem que tenha mudado de posição política. Mas fez muito mal em embaralhar as coisas e confundir posturas obrigatórias com indisposições que os colocaram em campos opostos.

Episódio lamentável, semelhante àquele que assinalou a saída do presidente João Figueiredo do governo, recusando-se a passar a faixa presidencial a José Sarney. Uma grosseria absolutamente desnecessária, da mesma forma que a ausência descabida do prefeito à chegada da flama olímpica a território brasileiro. Atitudes assim revelam, para pior, o caráter das pessoas que ocupam cargos públicos. Eduardo Paes poderia simplesmente inspirar-se no relacionamento entre o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e os deputados que a ele se dirigem habitualmente nas sessões parlamentares. Ataques do plenário não faltaram, mas sempre dirigidos ao presidente da Casa. Pois uma coisa é acusar alguém com base nos múltiplos motivos e acusações que se acumulam contra ele. Outra é desconhecer o cargo que ocupa.

AGREDIU AO PAÍS

Eduardo Paes errou. Mas na abertura dos jogos, a 5 de agosto, não se esquecerá de mencionar em seu inevitável discurso o nome do provável, e cada vez mais provável, presidente Michel Temer. Com o comportamento que adotou, ausentando-se de Brasília, numa passagem vinculada à história esportiva mundial, não agrediu somente a presidente da República, agrediu o próprio país.

Na medida em que, por falta de educação, destacou uma contradição entre o espírito olímpico de congregação dos povos e das nações, e uma atitude socialmente inadequada e, principalmente, desrespeitosa. Inclusive para consigo mesmo. A democracia não está somente nas urnas, mas na liberdade e na ética dos governantes.

5 thoughts on “O prefeito Eduardo Paes e a agressão de uma ausência nada olímpica

  1. Prezado Couto, artigo impecável. mostrando que as”coisas não se misturam”, o Paes para mim é um ‘doidão”, não mede consequências de seus atos, é um narcisista, quer estar sob os holofotes, o resto que se dane, olha a questão do transporte público, a bagunça que criou, aumentando despesas do trabalhador. Que DEUS nos acuda, mas a responsabilidade, é do eleitor, que vende sua consciência por cachaçada ou 30 dinheiros, NÃO DANDO O DEVIDO VALOR AO VOTO, PELO QUE ELE REPRESENTA EM NOSSAS VIDAS.

  2. O que poderia esperar desse “Lambe botas ” dos poderosos de plantão ? Sem caráter, sem personalidade ávido por holofotes. Aguardem que outras atitudes como esta acontecerão mais vezes pelas tresloucadas ações deste imbecil.Entre outros crimes que praticou, e certamente continuará praticando, falta revelar que fim deu as barras de aço.

  3. Caríssimo Pedro do Coutto. Espantar-me-ia se esse playboyzinho da Barra tivesse uma atitude digna na vida. E olhe que chamá-lo de playboy da Barra da Tijuca é até um elogio diante dos descalabros administrativos que esse malfeitor comete diariamente. Descalabros que afetam o direito penal, para se dizer o mínimo.

    Que tal lembrar, em cardápio variado, sem ordem de preferência, as sandices desse doidivana?

    Quis mexer no bigorrilho dos táxis, aquela coisa que existe presa à capota com a palavra “táxi”. Simples, é assim no mundo todo. Aliás, táxi é táxi em várias línguas, com ou sem acento.

    Queria colocar um trambolho com o Corcovado, o Pão de Açúcar, o Maracanã e, talvez, a ciclovia, se deixassem. Um devaneio. Voltou em sua pretensão. Até aí, inofensivo, sem crime. Mas assustou os taxistas.

    Alterou a rota de vários ônibus da cidade, deixando os usuários perdidos, sem possibilidade de pleno uso do bilhete único ou sem saber qual o itinerário e ponto de parada desses veículos.
    A intenção, óbvia, era facilitar a vida dos empresários.

    E, por falar em empresários de transportes urbanos, baixou o Imposto sobre Serviços desses nobres colaboradores (de campanhas eleitorais, com dinheiro vivo) para 0,01% – isso mesmo: um centésimo por cento. Significa que de cada um milhão de reais recebidos, os empresários devem R$ 100,00 (cem reais) de ISS. Isso é que é paraíso fiscal?

    Não. Paraíso fiscal é o Panamá. É lá onde a famiglia Paes tem empresas. Já foi denunciado, mas nada aconteceu.

    Em cinco anos de vida política, Dudu esteve em sete partidos. Isso antes de se eleger prefeito. Já dava para perceber o perfil do candidato. Mas o povo não se liga nisso na hora de votar. Prefere reclamar e sofrer. Ou até sofrer sem reclamar.

    Durante todo o seu mandato foi fiel, fidelíssimo ao PT, a Lula e a Dilma. No fim, mandou seu deputado, aquele que bate em mulher (e depois a mulher nega), votar a favor do impeachment.

    Armou um sistema de Organizações Sociais para dirigir e “administrar” a Saúde e a Educação, fazendo o Município, como ente estatal, unidade federativa, abdicar dos direitos e deveres que tem em relação a esses dois importantes e fundamentais setores. Se o Estado abre mão de comandar áreas que são, a bem dizer, as razões de ser de sua própria existência, cabe a pergunta:
    para que serve o Estado?

    Nessa linha de OS’s, terceirizou, quando não quarterizou, diversos serviços típicos da entidade estatal, esbanjando recursos que seriam úteis em áreas desvalidas do município. Rodem pela cidade fora do eixo Zona Sul-Barra-Centro e vejam a pindaíba em que se encontra o restante. Não há diferença, por exemplo, entre a Pavuna e os municípios da Baixada Fluminense, ou Maricá, aquela cidade que o prefeitinho qualificou como “de merda”, numa animada conversinha com o chefe da Organização.

    Exemplos de esbanjamento de dinheiro público não faltam. A frota de automóveis de uso das autoridades é toda alugada. E alugada a preços que nenhum particular em gozo de suas capacidades mentais, ainda que não plenas, pagaria. As locadoras, quase sempre, são empresas situadas em endereços de fachada, muitas fora da cidade do Rio de Janeiro. Nessa linha de locação de serviços, as burras particulares se enchem e as públicas se esvaziam. E os burros, os que votaram nessa praga, assistem.

    É lógico que esses preços absurdos dos bens adquiridos e dos serviços contratados, do papel higiênico aos cartuchos de impressoras, dos materiais de limpeza aos de escritório, tudo, enfim, tudo, tudo que é adquirido, dos milhares de itens necessários (ou mesmo desnecessários) para a administração pública funcionar (ou não funcionar), sem falar nas óbvias contratações de empreiteiras de obras instáveis, tudo isso é pago a maior, mas não por eventual insanidade mental dos administradores, ou por pura incompetência – embora seja inegável que haja incompetência, também, e em alta dose.

    Enfim, caro Pedro, é berrar no deserto. Mas nada há na conduta desse cidadão que nos surpreenda.

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