O Programa “Brasil sem Miséria” e os catadores de lixo em Brasília

José Carlos Werneck

O  problema vem se arrastando há anos e acontece bem no coração da capital da República, sem que as autoridades responsáveis tomem qualquer providência efetiva.

Na avenida L3 Norte, bem ao lado da Universidade de Brasília e outras instituições de ensino superior, além de igrejas, os moradores de Brasília se deparam, diariamente, com catadores de lixo, que “trabalham” sem as mínimas condições, em meio a cenas degradantes, envolvendo crianças em situação de risco, fora da escola, convivendo com bêbados, cavalos doentes, urubus, insetos e roedores e vivendo na maior promiscuidade, para fazer coleta de garrafas pet, latas, papelão e todo o tipo de material reciclável, que são recolhidos sem o mínino de critério, por  pessoas que fazem do lixo a única fonte de sua sobrevivência.

Fala-se tanto em cidadania e inserção social, mas a situação dessas pessoas em Brasília é realmente degradante.

Em 3 de junho passado,matéria de Álvaro Barbosa, divulgada pela Agência Brasil,mostrava catadores de lixo acampados nas proximidades da Esplanada dos Ministérios.

A reportagem era ilustrada com fotos de Elza Fiúza, mostrando a catadora de materiais recicláveis, Maria das Dores Figueiredo e outros catadores, que sem terem para onde ir, acamparam nas proximidades  da Esplanada dos Ministérios, em uma área próxima da UnB.

O fato aconteceu há muito tempo e a situação perdura até hoje.

Em 2 de junho passado, quando a presidente Dilma Rousseff realizou oficialmente o lançamento do Plano “Brasil Sem Miséria”, é que as autoridades perceberam a vizinhança, que precisa de assistência e, principalmente, de moradia digna.

Durante o lançamento do plano, a presidente Dilma Rousseff disse que o Estado precisa realizar uma “busca ativa”, para que as mais de 16 milhões de pessoas que vivem em situação de pobreza extrema não tenham que procurar os serviços públicos, mas sim, que sejam encontradas pelos governos federal, e também, estaduais e municipais.

“O Estado precisa correr atrás da miséria, para poder combatê-la de forma efetiva”, disse a presidente Dilma Rousseff.

O Plano “Brasil Sem Miséria”, que já está sendo visto por especialistas como um complemento do Programa Bolsa Família, foi lançado oficialmente em uma cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília, para cerca de 800 convidados, incluindo governadores, prefeitos, e também, líderes empresarias e de movimentos sociais.

Durante a cerimônia de abertura do evento, a presidente lembrou-se dos catadores de lixo que estão acampados próximos a UNB, e disse que o Governo precisa urgentemente resolver a questão deles.

“A busca ativa muda o compromisso que temos. Não vamos esperar que os pobres corram atrás. O Estado Brasileiro é que deve correr atrás da miséria”, afirmou a presidente.

Ela lembrou ainda que o Brasil Sem Miséria “ecoa o trabalho do presidente Lula”, e comparou a iniciativa a movimentos literários como a abolição da escravatura. Segundo as informações da Assessoria de Imprensa do Palácio do Planalto, os dados que orientam o Programa “Brasil Sem Miséria” indicam que quase 60% dos extremamente pobres no país, ou seja, com renda inferior a R$ 70,00 por mês, residem nas regiões Nordeste (43%), Sul e Sudeste (21%), e Norte e Centro-Oeste (20%).

Para  Dilma Rousseff, esses números ajudarão a “trazer a pobreza à pauta de todos os governos, já que a luta contra a miséria é antes de tudo um dever do Estado, mas é também de todos os brasileiros e brasileiras”.

A presidente da República aproveitou a cerimônia de lançamento do Plano “Brasil Sem Miséria”, para criticar visões do que chamou de ultrapassadas, para justificar a histórica miséria no Brasil.

Em 2010, segundo a presidente, a miscigenação e fatores climáticos foram oferecidos como motivações. “Os nossos pobres já foram acusados de tudo, inclusive de serem responsáveis pela própria pobreza. Isso tem que mudar”, concluiu Dilma Rousseff.

Mas infelizmente, até agora a situação desses trabalhadores e suas famílias encontra-se do mesmo jeito.

A população de Brasília e principalmente essas pessoas, que tanto necessitam de serem inseridas na sociedade, aguardam ansiosas a solução para o problema.

 

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