O programa do PMDB é assumir o poder

Vittorio Medioli
O Tempo

Se hoje fosse colocado em votação o impeachment, a presidente Dilma estaria em apuros. O momento de mutação entre o improvável e o provável ocorreu na semana passada. Nem a oferta de ministérios, cargos e mimos ao PMDB mudou o clima. A prova, que pode ser algo próximo de se realizar, foi o programa partidário do PMDB exibido recentemente. Num discurso único e concatenado, recitado desde a abertura por Michel Temer, passando pelas figuras de proa do partido e finalizando com ele numa pose em que lhe faltava apenas a faixa verde-amarela.

“Mudar” e a maturidade do partido para conduzir o país a novos rumos se repetiram, deixando o projeto de tomada da Presidência da República como um passo natural. Mais ainda facilitados pela onda de descontentamento de setores políticos, econômicos e sociais, referendados na overdose de impopularidade da presidente Dilma Rousseff. É isso em que acreditam e que querem os peemedebistas.

Michel Temer já percorreu as principais lideranças políticas do país e encontrou sinal verde para promover o complô, apenas com a recomendação de usar luvas de pelica.

O programa partidário serviu para mostrar a coesão do PMDB e contar quem está na empreitada. Quem deu a cara assinou o projeto, como os conjurados romanos que apunhalaram ao mesmo tempo Júlio César à luz do dia, mostrando que não era um o culpado, mas muitos os responsáveis. Depois sobrou para Brutus, filho adotivo, imortalizando o “Até tu, filho meu?”.

SONHO A SE REALIZAR

O sonho peemedebista de ocupar o Planalto nunca esteve tão perto de se realizar, sem usar lâminas. Nem tanto por méritos do partido, mas pelas falhas da presidente, que vem escorregando em decisões desastradas. Faltaram-lhe diretrizes e planos, acenos a metas que Lula ditou e ela não conseguiu renovar.

O PMDB unido se mostrou para o “terceiro turno”, que se vence no tapetão. Nenhuma citação aos 13 anos de convivência com o poder, como se já não fizesse parte de suas responsabilidades a situação à qual se chegou. Fim de festa e de casamento.

Um pano de fundo preto mostrou, durante todo o programa, as cores do apagão de poder, nada a mostrar e tudo a esquecer. Os holofotes mostrando as “caras lavadas” dos peemedebistas recitando um pacto de união. Nenhum ministro com cargo, ou figura alinhada com o governo Dilma apareceu na moldura. Apenas a numerosa tropa de elite pronta para a missão mais dura.

A falta de remédio para a crise política vivida por Dilma estaria na aparente omissão em segurar a Lava Jato, que devastou adversários de alguns ministros petistas, mas acabou invadindo o quintal do PMDB e de outros partidos.

RAZÃO DO RACHA

Mesmo inconfessada, a razão do racha é essa, na dificuldade e no medo. Os ministros Aloizio Mercadante e Eduardo Cardozo seriam os responsáveis. As circunstâncias acabaram por gerar a união espontânea de diferentes interessados em salvar a pele. E já que Dilma não conseguiu se livrar dos ministros e das escolhas equivocadas, para o PMDB passou a ser melhor se livrar dela e, por tabela, de todos, e escalar a cadeira mais alta. Conta com um forte apoio e com a insatisfação gerada pelas medidas “levyanas”, a inflação, os juros altos e o desemprego, sem um aceno de luz no final do túnel.

Dilma se encontra vulnerável como nunca, e a conspiração segue um rito que não pareça um golpe, mas um chamamento das ruas. Precisa prestar atenção como quem passou pela ponte que caiu, e se encontra isolada.

3 thoughts on “O programa do PMDB é assumir o poder

  1. Sr. Newton, por falar em PODER
    Que poder é esse dado ao Super-Ditador da Rainha da França , o Des-governador de São Paulo.???
    Qual será o grande motivo de a Midiazinha e seus jornalistas amestrados (mérito ao Sr. Hélio Fernandes)., proteger e blindar o governo diariamente.??
    Grande parte dos bairros da Zona Leste ficam horas e alguns casos dias sem uma gota de água nas torneiras e a desgraça ainda tem a coragem de receber um Prêmio de Gestão Hídrica……e pior o fela ainda disse que ´” merecido” por seu trabalho e desemprenho frente o ´[obstáculo causado ao seu desgoverno por São Pedro…..
    Onde vamos parar com essa proteção e esse Hitler do século 21………
    VIVE LA FRANCE.

  2. O Brasil se defronta no momento atual com uma grave crise econômica, estreitamente vinculada, dentre outras, a uma delicada crise política cujas consequências são difíceis de prever e impossível, sobretudo, de definir prazos para sua solução.

    Uma das bases das dificuldades vividas pelo país é a falência do modelo econômico neoliberal e antinacional posto em prática desde 1990. Tal modelo faliu porque, depois de provocar uma verdadeira devastação na economia brasileira, configurada no crescimento econômico pífio, no descontrole da inflação nos últimos quatro anos, nos gargalos existentes na infraestrutura econômica e social, na desindustrialização, na explosão da dívida pública interna e externa e na desnacionalização da economia, não apresenta perspectivas de superação desses problemas haja vista que o governo Dilma Rousseff decidiu adotar uma política recessiva com o ajuste fiscal que se traduzirá na estagnação da economia, no aumento da dívida pública, no desequilíbrio das contas externas e também na retomada do desemprego.

    A primeira e grande consequência do desastroso governo Dilma já se manifesta na elevação dos níveis de desemprego que alcançou 8% de acordo com os dados da Pnad Contínua Trimestral, a nova pesquisa de emprego e renda do IBGE. Enquanto no setor da construção desapareceram 609 mil empregos com uma queda de 7,6%, o setor público perdeu 560 mil vagas, com uma queda de 9,5%. No caso do setor da construção, parte do problema resulta do colapso das obras em consequência da Operação Lava-Jato que atingiu a Petrobras e grandes empreiteiras.

    Isto não significa dizer que a recessão está concentrada apenas no setor da construção, até porque o ritmo de criação de empregos em outros setores, também, desacelera com o colapso que se manifesta na indústria de veículos e conexas, na de bens de capital e de eletrônicos cuja queda na produção é muito maior e mais relevante do que na de outros setores industriais.

    Outra parte do problema da recessão e do desemprego que atinge a economia brasileira resulta do corte de despesas do governo federal, do arrocho fiscal e dos atrasos de pagamentos de obras, que já ocorriam desde 2014, provocados pela desordem das contas governamentais. As causas de todos os problemas antes descritos não são devidas apenas à falência do modelo econômico neoliberal.

    Elas resultam também da incompetência do governo, do descontrole de gastos à má gestão na Petrobras, além da corrupção desenfreada que estão levando à bancarrota a economia e da decisão do governo brasileiro de fazer com que o ajuste fiscal assegure a realização do denominado superávit primário que não representa nada mais nada menos do que a garantia de pagamento do serviço da dívida pública que beneficia, sobretudo, o sistema financeiro, particularmente os bancos.

    Um fato que chama a atenção de qualquer analista econômico diz respeito à decisão do governo petista de promover o ajuste fiscal sem a adoção simultânea de medidas que contribuam para a retomada do desenvolvimento do Brasil. A incompetência governamental extrapola todos os limites ao não propor, além do ajuste fiscal, um plano de desenvolvimento para o Brasil que acene para a população e para os setores produtivos uma perspectiva de retomada do crescimento econômico. É a inexistência deste plano um dos fatores que levam à imobilidade do setor privado na realização de investimentos levando-os a uma verdadeira paralisia.

    O que se observa é que toda a ação governamental está voltada para, de um lado, solucionar os problemas de caixa do governo e, de outro, assegurar o pagamento da dívida pública interna.
    O resto é secundário. A ação do governo não leva em conta os interesses da população e dos setores produtivos do Brasil. A ênfase do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, consiste, de um lado, em assegurar o equilíbrio das contas públicas e, de outro, a obtenção do superávit primário em benefício do sistema financeiro, principal credor da dívida pública interna.

    Sobre o ajuste fiscal proposto pelo ministro Levy, trata-se de uma falácia afirmar que é o único ajuste capaz de fazer o Brasil superar a crise atual. Na realidade, o ajuste fiscal proposto pelo governo fragilizado de Dilma Rousseff, que deve resultar em um corte de mais de R$ 70 bilhões nas despesas governamentais, incluindo programas sociais, é que poderá levar o país à bancarrota pelo simples fato de, ao promover a recessão para combater a inflação, estará contribuindo para a queda no nível da atividade econômica em geral, a “quebradeira” geral de empresas e, em consequência, o desemprego em massa que já está em curso.

    O verdadeiro ajuste fiscal que deveria ser realizado no país é o que contemplaria: 1) a tributação das grandes fortunas previsto na Constituição de 1988 e que nunca foi aplicado; 2) o aumento do imposto sobre as instituições financeiras; 3) a redução drástica dos gastos de custeio do governo federal; e, 4) redução dos encargos do governo federal com o pagamento da dívida pública que correspondeu, em 2014, a 45,11% do orçamento da União.

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