O próximo, quem será?

Carlos Chagas

É notícia velha divulgar a queda de Mário Negromonte e a designação de Aguinaldo Ribeiro para o ministério das Cidades. Importante, mesmo, é saber quem será o próximo ministro a ser defenestrado. Porque candidatos, existem muitos, na relação daqueles que foram impostos pelos partidos e pelo ex-presidente Lula à presidente Dilma. Um a um, foram e estão sendo afastados os que ela não escolheu, de Antônio Palocci a Alfredo Nascimento, Nelson Jobim, Wagner Rossi, Pedro Novais, Orlando Silva, Carlos Lupi e agora Mário Negromonte.

Não adianta argumentar que, à exceção de Nelson Jobim, a estratégia de Dilma foi prestigiar todos os já agora ex-ministros, pedindo que resistissem e contraditassem as acusações de malfeitos de ordem variada em seus setores de atuação. Na verdade, apesar das aparências e das versões oficiais, todo o processo de mudanças parece haver seguido plano minucioso.

Por isso é que Fernando Pimentel e Fernando Bezerra, apesar de atingidos pelo mesmo tipo de denúncias, continuam fagueiros e firmes como as pirâmides do Egito. Um por amizade pessoal, outro por altas razões partidárias, os ministros do Desenvolvimento e da Integração Nacional ficaram fora do processo de erosão que afastou os titulares da Casa Civil, dos Transportes, da Defesa, da Agricultura, do Turismo, dos Esportes, do Trabalho e agora das Cidades.

Têm outros na fila, sem dúvidas. Basta olhar para a fotografia inicial do ministério e marcar quais os que chegaram lá por influência ou imposição dos partidos ou do Lula. Um a um, tornaram-se alvo ostensivo ou encoberto. Quem quiser que fulanize os próximos, existindo sinais claros a respeito deles. Por exemplo: quais os que, passados um ano e um mês da posse de Dilma, ainda não despacharam isoladamente com ela, no gabinete do terceiro andar do palácio do Planalto? São pelo menos três.

Seria bom, também, verificar os ministros que até agora não disseram a que vieram, que não apresentaram projetos nem realizações de vulto. Ou os que mantém seus ministérios como feudos dos partidos de origem, acolhendo lideres, dirigentes e lobistas ligados às respectivas legendas.

Há quem suponha estar o serviço de limpeza sendo feito pela metade, porque nas substituições, apenas na Casa Civil, na Defesa e nos Transportes foram escolhidos pessoalmente pela chefe do governo novos ministros desvinculados dos partidos da base oficial. Nos demais, mantiveram-se indicações partidárias, mesmo diante da exigência de Dilma de receber nomes de competência e probidade, qualidades que ainda precisam ser comprovadas.

Em suma, passo a passo vai sendo formada a equipe da presidente da República, através de milimétrico trabalho de erosão de quantos ela não escolheu.

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TUDO TEM LIMITE

O jogo de compensações é intrínseco na política. Muitas vezes dá certo. Vale citar apenas um exemplo do passado remoto: Gustavo Capanema, secretário de governo de Olegário Maciel, era tido como escolha certa de Getúlio Vargas para ocupar o palácio da Liberdade, com a morte do governador. Só que não foi. De forma inusitada, o presidente escolheu Benedito Valadares.

Mas o que fazer com Gustavo Capanema, fiel partidário do governo federal? Vargas o convidou para ministro da Educação, tendo por dez anos sido o mais brilhante e competente de todos, até hoje. Foi uma compensação feliz.

A historia se conta a propósito de outras compensações que, infelizmente, prenunciam-se desastradas. Uma delas está em curso. Marta Suplicy viu-se garfada na pretensão de concorrer à prefeitura de São Paulo. Lula preferiu Fernando Haddad e sua escolha virou lei. O que fazer com dona Marta, então, até para evitar que ostensivamente negasse apoio ao ex-ministro da Educação? Como vice-presidente do Senado, ela havia celebrado acordo com o senador José Pimentel para que, depois de um ano, cedesse o lugar a ele. Coisas do PT.

Pois não é que com o apoio do Lula e o silêncio constrangido dos companheiros, Marta ficará na função por mais um ano? Mandaram Pimentel para o espaço em nome das compensações, mas que fica todo mundo mal, isso fica…

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NOVOS TEMPOS

Décadas atrás, muita gente tremia ao ouvir salvas de canhão em Brasília, vindas das proximidades do Congresso. Estaria a Câmara dos Deputados sendo novamente invadida? Seria o general Silvio Frota capaz de insistir na derrubada do presidente Geisel? Agora as coisas mudaram. Ontem, pela inauguração de mais uma sessão legislativa, os canhões ecoaram nos jardins fronteiriços ao palácio do Legislativo. Muita pólvora, fumaça, continências, toques de corneta e solene revista às tropas por José Sarney. E todo mundo tranqüilo. Valeu.

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VELHOS TEMPOS

Na década de trinta havia um evento que nunca falhava. No sábado de Carnaval, a festa só se iniciava oficialmente, para valer, quando um grande bloco de funcionários públicos dava a partida, concentrados diante da Casa da Moeda e iniciando o desfile pelas principais ruas do Rio. A marchinha que eles cantavam, escolhida antes em acirrada disputa, era fatalmente a vencedora do Carnaval, entoada em todos os salões. Assim aconteceu, por exemplo, com “A Jardineira”, “O Teu Cabelo Não Nega” e outras que até hoje, quando os foliões estão desanimados nos bailes, as orquestras atacam e todo mundo sai cantando, até os jovens. São coisas da memória nacional.

Pois este ano quem sabe a moda do desfile possa ser revivida? Com a Casa da Moeda saneada e livre dos malandros que a ocupavam, que tal iniciar lá o Carnaval? Aceitam-se sugestões para a marchinha…

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