O PSDB na avenida do desencanto

Carlos Chagas

Perguntam os tucanos: fazer o quê com Indio da Costa? Substituí-lo, só por vontade própria e, além do mais, por quem? Álvaro Dias responderia com um palavrão, rejeitando uma segunda humilhação. Aécio Neves fugiria para Ipanema. Os Democratas até que se curvariam a essa necessidade tão  absoluta quanto inviável, conscientes que estão da bobagem feita. O fato é que  48 horas depois da sagração do candidato a vice na chapa de José Serra, não há quem não se arrependa.

Só o  indigitado Indio da Costa ainda não acordou do sonho,  mas breve  perguntará qual o seu papel no processo sucessório, além de haver contribuído para que José Serra venha a dispor de mais três minutos de tempo de rádio e televisão, na propaganda eleitoral gratuita.  Votos, não traz para a chapa oposicionista. Prestígio, muito menos, claro que fora da tribo dos Maias, não o Agripino, mas o César e o Rodrigo. Experiência, zero. Credibilidade, nenhuma.

Apesar das cortinas-de-fumaça sustentando a unidade do bloco de oposição, a verdade é que o PSDB entrou na avenida do desencanto, onde não há limite de velocidade.  Como ganhar a eleição com um peso morto a tiracolo, guardado o respeito devido ao jovem deputado?

Fica difícil imaginar o  candidato inscrevendo-se na galeria onde pontificam José Alencar, Marco Maciel,  Itamar Franco, José Sarney, Aureliano Chaves, Pedro Aleixo, José Maria Alckmin e outros. É cedo para prognósticos, mas a escolha de Índio da Costa parece indicar que o futuro inquilino do palácio do Jaburu chama-se Michel Temer…

Próxima parada: Palácio do Planalto

O título não deve fazer supor as intenções de Dilma Rousseff ou mesmo de José Serra. Falamos da hipótese da  ocupação violenta da sede do governo por algum grupo de  desatinados, como por exemplo o MST. Só  falta isso  para  caracterizar a mutação do  movimento que  um dia empolgou   a nação inteira, único fator a despertar esperanças verdadeiras na Nova República.  Assim como a CUT, porém, o MST mudou e dá sinais de pretender chegar ao poder de forma direta, sem a intermediação de eleições.

Caso eleita, Dilma conseguirá cumprir a promessa de candidata, de não aceitar ilegalidades? Terá forças para botar a polícia e até  o Exército contra os sem-terra,  em defesa das instituições?

E se o presidente vier a ser José Serra, enfrentará a pressão do MST  como enfrentou a pressão do DEM, cedendo ao primeiro grito?

A imagem figurada da invasão do palácio do Planalto significa que os liderados de João Pedro Stédile já elaboram planos e estratégias para depois do primeiro dia  de janeiro.  Há quem tenha visto e ouvido reuniões nesse sentido, lá para os lados dos órgãos de segurança.

O maior problema do futuro governo  será impor o império da  lei, porque o  teste virá  nas primeiras semanas depois da posse.

O perigo de ficar pior

Nem só de trapalhadas no ninho dos tucanos vive a sucessão presidencial. Do outro lado também se escorrega, como aconteceu com Dilma Rousseff esta semana, em entrevista ao programa “Roda Viva”, quando defendeu a convocação de uma constituinte exclusiva para 2011, a fim de atualizar a Constituição e, obviamente, as leis dela decorrentes.

Com todo o respeito, a candidata  pode estar enfiando o país numa fria dos diabos. Passando da teoria à prática, basta indagar quem se candidatará para  integrar a constituinte exclusiva, depois que no próximo mês de outubro tiverem sido escolhidos os novos deputados e senadores?

Sem a menor dúvida, os derrotados. Quem não conseguir eleger-se agora por falta de votos e  de capacidade, tentará a próxima eleição. São eles, os rejeitados, que cuidarão do dito aprimoramento institucional. Imagine-se o resultado, a menos, é claro, que a lei de convocação da constituinte exclusiva determine à Justiça Eleitoral apenas registrar candidatos com vasto saber jurídico, diploma de advogado ou professor de Direito. Que tal um exame para candidato, sob os auspícios da Ordem do Advogados?

Como essa solução contraria e atropela a democracia, caberá aos juízes eleitorais  aceitar o registro de quem não tiver sido condenado. Melhor teria feito  Dilma Rousseff se sugerisse a simples utilização do poder constituinte derivado, inerente a todos os Congressos, a ser exercido nos primeiros meses de sua instalação. Ruim com ele, pior com a meia-sola de uma constituinte exclusiva.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *