O PT e os banqueiros

Sebastião Nery

Serafim Rodrigues Morais, “Semi Rodrigues”, uma das maiores fortunas de Goiás (boiadeiro, fazendeiro, comerciante, industrial), comprou o Agrobanco, de Goiás. Um dia, abre os jornais e vê uma declaração do ministro baiano Ângelo Calmon de Sá dizendo que o Banco Econômico da Bahia ia comprar o Agrobanco e mais outro. Não havia nada daquilo, a declaração era inventada, plantada. Mas como bom goiano filho de mineiro, do coronel Miguel Rodrigues, engoliu em seco, ficou calado.

Recebeu um convite do Banco Central para ir lá. Foi.

– O senhor é o Serafim Rodrigues Morais?

– Sou.

– E quem é Semi Rodrigues?

– Sou eu.

– Como é que pode? O senhor é Serafim ou Semi?

– Sou os dois. Meu nome de batismo é Serafim. Mas em Goiás, São Paulo, Minas, Mato Grosso, Paraná, por ai tudo, onde negocio, só me chamam de Semi. Faz diferença?

– Faz e muita. Banqueiro só pode ter um nome. Banqueiro com dois nomes não dá. O senhor não pode ser dono do Agrobanco.

Semi entendeu tudo, levantou-se, foi saindo:

– Olhe, moço. Tenho dois nomes e garanto os dois. Conheço banqueiro aí que não garante nem os próprios cheques.

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MEIRELLES

Quando Lula anunciou seu governo, em 2003, a grande surpresa foi o presidente do Banco Central: um maneiroso e melífluo banqueiro brasileiro, deputado federal do PSDB de Goiás, Henrique Meirelles. Todo falso. Nem banqueiro brasileiro, nem deputado de Goiás. Tinha sido presidente do Banco de Boston, americano, e comprou a eleição de deputado para ter cacife político, tanto que nem assumiu o mandato.

Durante os dois mandatos de Lula, Meirelles cumpriu fielmente seu papel de agente secreto da Febraban (Federação Brasileira de Bancos): disparou os juros para garantir os lucros dos banqueiros e especuladores. Era um crime explicito contra o pais. Quanto mais os juros subiam, mais a industria, a economia, afundavam. O Brasil vinha crescendo a bem mais de 5%, Meirelles jogou para o que é hoje: menos de 2%, talvez 1% este ano.

E Meirelles? Caiu no mato, sumiu. Onde anda a Interpol?

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BANCO CENTRAL

Miguel Rodrigues, mineiro, velho e sábio chefe político de Goiás, pai do ex-deputado Orensi Rodrigues e do empresário “Semi Rodrigues” da historia anterior, estava diante da TV ouvindo os discursos de fim de ano. Falou o presidente Figueiredo, prometendo dias melhores. Daí a pouco falou Delfim, dizendo que o Banco Central garantia que 1981 seria melhor.

Miguel Rodrigues chamou o filho:

– Orensi, vem cá. O Presidente está assegurando que em 1981 vai ser melhor e Delfim dizendo que o Banco Central garantiu. Olha, meu filho, quando eu era bem jovem, morei em Frutal, lá em Minas, no Triângulo Mineiro. Um dia, chegou um delegado novo a Frutal, foi ao prefeito:

– Vim com ordem do chefe de polícia para acabar com o crime neste município. O senhor aguarde minhas providências.

Uma semana depois, as lojas, armazéns, botequins, quitandas e muros de Frutal amanheceram com um cartaz grande colado em todo canto:

“Por ordem expressa do eminentíssimo senhor delegado, fica proibido o crime neste município. Assinado, o senhor delegado”.

Miguel Rodrigues, velho e sábio, trocou de canal.

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FRANÇA

O governo francês anunciou a revisão de Orçamento de 2012, com aumento de 7,2 bilhões de euros em impostos de setores mais ricos do pais, para reduzir o déficit publico. Como o partido de François Hollande, o PS, ganhou a maioria no Parlamento em junho, a proposta deve ser aprovada.

Na campanha eleitoral de maio, Hollande pediu crescimento para os países da zona do euro. Para 2013, seu governo cobrará menos impostos da industria e classe media e 75% sobre fortunas acima de 1 milhão de euros.

No Brasil, a política do PT é tirar da industria e dar aos banqueiros.

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