O PTB denunciou Denucci ao Ministério da Fazenda, mas Mantega se omitiu e manteve na Casa da Moeda um cidadão sob suspeita.

Carlos Newton

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, manteve Luiz Felipe Denucci (indicação do PTB) na presidência da Casa da Moeda mesmo após ser alertado oficialmente de que ele era investigado pela Receita e Polícia Federal, informa reportagem de Andreza Matais, José Ernesto Credendio e Natuza Nery, publicada na Folha.

Em ofício, protocolado em fevereiro de 2010 e dirigido ao próprio Mantega, o próprio PTB diz que deu “respaldo” à indicação de Denucci, mas que a denúncia era “gravíssima” e “o pronto afastamento, indispensável”. Mas Mantega preferiu mantê-lo, sabe-se lá por quê.

Como se sabe, aceitar indicações do PTB (ou de qualquer partido, convenhamos) para cargos públicos é um risco enorme. Mas quando o próprio partido adverte que a situação é “gravíssima”, o poder público não tem como se omitir, e foi justamente o que fez o ministro Mantega.

Denucci acabou sendo demitido no sábado, a toque de caixa, como se dizia antigamente, por suspeita de receber propina de fornecedores da Casa da Moeda via duas empresas no exterior em nome dele e da filha, que segundo O Globo movimentaram cerca de US$ 25 milhões. Denucci confirma a existência das empresas, mas nega ter feito movimentações financeiras com essas contas.

O mais desanimador é que a demissão só ocorreu após ter chegado à Fazenda informação de que a Folha preparava reportagem sobre o caso. Ou seja, se a imprensa não fosse livre, Denucci continuaria no cargo. Agora, vai curtir os milhões num dolce far niente, como dizem os italianos, já que no Brasil impunidade de corrupto é coisa mais do que garantida.

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JEFFERSON ACUSA MANTEGA

O presidente do PTB, Roberto Jefferson, disse hoje à Folha que o ministro Guido Mantega (Fazenda) deve ir ao Congresso explicar a indicação e a demissão de Luiz Felipe Denucci da presidência da Casa da Moeda por suspeita de corrupção.

Segundo ele, Denucci é um nome do ministro da Fazenda e o PTB fez apenas  um “favor” ao chancelar a indicação.

“O ministro Mantega, que é o padrinho, deve satisfações à opinião publica. Ele foi feito presidente da Casa da Moeda pelo ministro”, disse Jefferson, reafirmando que o governo foi alertado há dois anos sobre o fato de Denucci e a filha dele, Ana Gabriela, terem montado duas offshores no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas, como a Folha revelou nesta semana.

“O governo já sabia desse problema e só tomou providências ao saber de uma matéria que a Folha preparava.”

Um relatório da empresa londrina WIT, que faz transferência de dinheiro para o exterior, apontou que, por meio de transações complexas, os Denucci receberam U$ 25 milhões de comissão de empresas contratadas da Casa da Moeda. Ele confirma ter as offshores, mas diz que o documento é falso.

Ele criticou o papel do governo na apuração de irregularidades e disse que o Planalto quer deixar a conta pela indicação no PTB.

“O Mantega chamou o Jovair [Arantes, líder do PTB na Câmara] e pediu um aval. Ele não é do PTB. Ele é do Mantega. O PTB fez um favor ao Mantega e se deu mal.”

O presidente do PTB disse que não causa surpresa o envolvimento do partido no caso. “Eu não confio no PT. O PT é um amigo que trai o outro.”

Temeroso de que Denucci envolva o partido em mais denúncias, o presidente da legenda proibiu a bancada na Câmara de indicar um substituto. Até sábado, o governo elogiava a atuação de Denucci no cargo.

Vice-líder do governo e líder do PTB no Senado, Gim Argello (DF), não quis comentar o caso.

O Congresso reabre na tarde de hoje os trabalhos. Com isso, poderá ser protocolado um requerimento pedindo a presença de Mantega para tratar da demissão na Casa da Moeda.

Para que o ministro da Fazenda fale formalmente aos congressistas é necessária a aprovação de um requerimento em comissão permanente.

 

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