O que já era muito difícil no Brasil antes da tuitercracia, agora ficou ainda pior

Resultado de imagem para twitter charges

Charge do Durval (Arquivo Google)

Delfim Netto
Folha

A verdadeira “república democrática” deve garantir a todos os seus membros: 1º) o pleno direito à vivência de sua cidadania, sem distinções identitárias; e 2º) a igualdade de oportunidades apoiada em políticas públicas que nivelam a capacidade cognitiva de todos, independentemente da história e da geografia de seus progenitores.

Todo cidadão sairá para a vida com os mesmos instrumentos para compreender o mundo. O ponto de chegada de cada um dependerá do seu esforço combinado com a sua sorte, e não mais das condições prevalecentes na partida!

INTOLERÂNCIA – Por que não se conseguiu, até agora, realizar essa aspiração? Porque o homem costuma recusar, sem nenhuma razão objetiva, o conhecimento empírico quando este nega suas crenças pré-concebidas!

Por que uma mãe caridosa recusa para seu filho uma transfusão de sangue quando evidências empíricas de seus efeitos benéficos acumulam-se há pelo menos um século?

Por que um evangélico se recusa a aceitar o fato empiricamente comprovado de que a identidade sexual não é zero ou uma, mas todas as possibilidades e, por isso, quer “curar” o normal LGBT?

DEMOCRACIA – O governo Bolsonaro não quer aceitar que não há a forma de se construir uma sociedade civilizada sem políticas públicas focadas e apoiadas na evidência empírica, que obedece à metodologia científica universalmente aceita.

Como é evidente, a viabilidade da “república democrática” depende da construção de um consenso de tolerância entre seus membros com relação a todas as diferenças identitárias, o que exige um contrato social: uma Constituição —uma lei à qual todos se submeterão— sob o controle do Supremo Tribunal Federal, ele mesmo submetido a ela. Esse processo circular pode apresentar problemas lógicos insuspeitados quando há eventos dramáticos.

ONDAS DE CONTÁGIO – O que já era difícil antes do Twitter ficou muito pior. Todos o usam: líderes políticos, jornalistas, jovens e velhos, ricos e pobres. Vivemos uma espécie de “tuitercracia”, que produz “ondas de contágio” que podem ter graves consequências, uma vez que estimulam as diferenças identitárias.

Sua “voz” é flutuante, inconstante e costuma trocar de sinal quase instantaneamente, o que desmoraliza e destrói as instituições que ainda restam da democracia liberal. Esta que está sendo substituída, lentamente, pela iliberal, que não prioriza a liberdade nem o devido processo legal. Não vai terminar bem.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Caramba! A coisa está muito séria. Desde o fim do regime militar, Delfim Netto jamais criticou governo algum, nunca fez oposição. E de repente sai chutando o balde, ao descrever a nossa “tuitercracia”. E o pior é que Delfim está cheio de razão. (C.N.)

23 thoughts on “O que já era muito difícil no Brasil antes da tuitercracia, agora ficou ainda pior

  1. Dizem que Delfim Netto é o “Sarney da economia” por causa de sua duração como protagonista no cenário nacional e “otras cositas más”.

    Não acho uma comparação muito elogiosa.Mas parece que ele faz jus à comparação principalmente quando tenta, com esse artigo, ser o “Sarney da literatura”.

  2. Esse Delfim, o socialista fabiano, foi o introdutor de muita coisa ruim para o Brasil. Era o consultor do Lula. Sempre deu palpite. Tanto fez que muito contribuiu para conduzir o Brasil ao abismo. Mas, é muito bom ver que o agora velho gagá esta furioso com o atual governo. Isso é uma luz para o nosso futuro. Se o capeta está bravo é porque estamos no caminho certo. Esse velho ainda está no tempo da Maria Fumaça. Twuitter não é para o bico e, muito menos, para os neurônios desse velho gagá. Chora, velho! O comunismo jamais será implantado no Brasil.

  3. Se o ex-ministro queria ostentar seu preconceito infundado contra pessoas religiosas, ele conseguiu, pois ao referir-se às possibilidades de identidade sexual, por exemplo, a questão não se trata de algum “fato” empiricamente comprovado, pois no nível genético do cromossomo sexual X, a situação realmente é “zero” ou “um” para definir “homem” ou “mulher”, exceto nos casos onde ocorre alguma anomalia, o que resultaria em um sujeito literalmente fora da normalidade estatística (algo aparentemente ignorado pelo ex-ministro). Além disso, quem cunhou a expressão “cura gay” não foram os evangélicos, mas sim militantes que se opõem jocosamente ao direito do cidadão de restaurar sua orientação sexual, quando esta entra em conflito com sua identidade genética (natural), mas infelizmente os conselhos de Psicologia não estão interessados em igualdade de direitos, mas sim em priorizar a agenda LGBT.

  4. Delfim Netto não é nenhum santo, muito pelo contrário. Velho aliado da ditadura e homem de Direita, fora os desvios que fez, mas é inteligente e tem experiência em governos diversos e sabedoria.

    O que ele está falando é que o governo Bolsonaro, o primeiro que ele criticou na vida, é um desastre, e vai levar o Brasil para o fundo do poço. Nem a Direita que tem lucidez, ao contrário dos idiotas bolsonaristas, acredita que este governo de Bolsonaro vai dar certo.

  5. Jesus, não deixou religião alguma, deixou ensinamentos que nada tem haver com a maioria das chamadas “religiões” que enriquecem e ganham poder em nome de Deus.
    Bolsonaro é um péssimo gestor da coisa pública, mas se prepara muito bem para eleições de 2022, procura agradar os evangélicos que representam expressivos votos de cabrestos mais certos, salvo exceção.
    Em véspera de eleições, políticos de vários partidos vão pedir a benção aos pastores evangélicos.
    Pelo crescimento das igrejas evangélicas através de propaganda pela televisão, não duvido que em breve os evangélicos decidirão as eleições para presidente.

    • A foice de SP sendo o que é, jornaleco desacreditado, redação apinhada de comunas, maconheiros, gazelinhas e sapatas, datafolha então…este senhor quando ministro da economia foi um desastre, agora opinando sobre religião e sexo? Patético, nasceu com aparelho reprodutor masculino é homem, feminino, mulher, fato biologicamente irrefutável, ciência exata! Gostaria que os “progressistas, moderninhos e demais politicamente corretos”, explicassem a reprodução da soma de dois cromossomos Y ou X, impossível!

    • Correto. Sem demérito a nenhum deles, seja macaco ou viado. Mas observe: há homem viado e menino viado, mas não há homem macaco, nem menino macaco.Contudo se alterar homem por adulto e menino por criança, teremos macaco adulto ou macaco criança, o que é correto.

      Já Delfim poderia colaborar também com o governo utilizando sua capacidade cognitiva. Já deu pitaco pro FHC, Lulla, Dilma. Por que não o JB?

  6. Existem sujeitos que quando, sempre democraticamente, se manisfetam contrários a alguma coisa, é sinal que a outra parte (a criticada) está tomando a direção correta.
    Esse cidadão, que agora posa de oráculo da sabedoria, pureza e descência, deveria ser um exemplo de como “não deveríamos” fazer.
    Por favor, esse senhor, além dos conhecidos “trabalhos” realizados como ministro, consultor (R$ 5.000.000,
    00 em lista de empreiteira) agora se tornou um Oráculo da midia Isentona, assim como Rodrigo Maia.
    Ora, por favor, não devíamos esquecer que ele foi consultor dos últimos governos denominados progressista (Luladrão/Dilmanta).
    Tim Maia estava certo.
    Só pode ser brincadeira…
    Como diria o comunista João Saldanha (assim como o Editor).
    …vida que segue….

  7. Os mais antigos podem clarear minha memória? Não foi este senhor que cunhou a famosa frase? ” VAMOS CRESCER O BOLO PARA DEPOIS DIVIDIR “. Com isto mandou a classe média pagar a conta . Fazer sacrifício. E depois não teve divisão nenhuma do bolo, com a classe média, que realmente paga imposto neste país.

  8. Velho babão, tá vivo ainda como????
    Delfim deve beber do mesmo sangue que o Temer….

    Assista The Handmaids Tale, irá conhecer do que se trata um governo religioso.

    Nossa sorte, somos brasileiros e o Bozolado é um idiota, uma paródia de lider para republiquetas abacaxi.

  9. Apelar para o vagabundo do Delfim Neto, que colocou o país de quatro, é baixaria. O cara conseguiu fazer o país ficar endividado em dólar e quando estourou a bomba, o país faliu, um imbecil. Além disso, sabemos das histórias de falcatruas deste sujeito, principalmente na embaixada. Se Delfim critica é porque Bolsonaro está no caminho certo. Não passa de um representante da velha política e da corrupção.

  10. Perfeito Antônio, era conhecido em Paris como Mr. Dix per Cent.
    Como é possível ainda em 2019 alguém ler alguma coisa desta múmia.
    Faltou registrar quem o psicografou

  11. Curiosamente, “república democrática” é uma expressão que foi muito usada para denominar regimes que nunca tiveram reputação de democráticos: Temos os exemplos da República Democrática Alemã e da República Democrática Popular da Coréia, conhecida no ocidente como Coréia do Norte. O uso de tal expressão por Delfim parece um ato falho que trai o viés autoritário que costuma acompanhar esses ideais de reforma do gênero humano, aqui no caso, em caso de criar um benevolente mundo de tolerância. Mas quem decidirá o que deve ser tolerado ou não? O Delfim? A “ciência” ou seus porta-vozes?A intolerância sempre parte do gênero humano, – mesmo o presente artigo pró-tolerância não é lisonjeiro com evangélicos e testemunhas de Jeová, nem indaga de suas razões. No caso dos assuntos familiares, que parecem ser uma grande preocupação do artigo de Delfim, é bom notar que mesmo os grandes liberais não tem problemas em impor aos filhos padrões de comportamento de suas predileção e sem se preocupar com a opinião deles, como por exemplo fazê-los seguir uma dieta vegana – uma invenção moderna que nunca foi seguida em qualquer civilização humana passada – ou proibi-los de ver filmes antigos da Disney ou ler contos de fadas, todos supostamente manchados de ‘sexismo’. Ninguém questiona quando famílias fazem às crianças tais imposições ditas progressistas.
    A propósito, quando foi que Delfim desenvolveu tão profunda consciência moral? Onde estava sua preocupação com tolerância quando ele serviu ao regime militar?
    Não uso twitter, mas o que parece incomodar Delfim e muita gente é que essas redes sociais deram voz a muita gente que era ignorada pela ‘zelite’.

  12. O general João Figueiredo “augurou” que no Brasil haveria uma “guerra civil”A e correria muito sangue. Eu não desejo, mas com Bolsonaro como presidente tudo é possível.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *