O que mais espanta no Brasil de hoje é a omissão da sociedade civil (e militar, também)

Carlos Newton

O país atravessa uma de suas fases mais desmoralizantes, em que os três Poderes se mostram verdadeiramente apodrecidos. É um escândalo atrás do outro. Não há dia em que a gente  abra os jornais sem deparar com uma denúncia grave sobre corrupção e outros tipos de irregularidades da administração pública, em seus diferentes níveis.

A oposição parlamentar é omissa e inexpressiva, porque a classe política também está apodrecida, não há lideranças de respeito, o panorama visto da Praça dos Três Poderes é realmente desalentador. Pode-se dizer, sem medo de errar, que as coisas funcionam como se não houvesse oposição no País.

Nesse contexto, o que fazem a sociedade civil, as entidades e instituições que a representam? Na verdade, a passividade é ponto comum. A União Nacional dos Estudantes (UNE) foi comprada por trinta dinheiros, levando a reboque as demais representações estudantis. Será que o lendário Caco (Centro Acadêmico Cândido de Oliveira) ainda existe? A Universidade de Brasília foi fechada? Há alguma movimentação na Universidade de São Paulo? Ninguém sabe. O fato é que nenhuma representação dos jovens tem se manifestado.

E a histórica Associação Brasileira de Imprensa (ABI), a Ordem dos Advogados do Brasil, o Clube de Engenharia, o Clube Militar, o Clube Naval, o Clube da Aeronáutica, as centrais sindicais, como se comportam? De vez em quando, há uma ou outra movimentação, mas sempre isolada e episódica. Os clubes militares, por exemplo, recentemente ensaiaram um protesto coletivo, mas depois se desdisseram, voltaram atrás, vejam que vexame.

Em meio a essa pasmaceira, é animador acompanhar a mobilização para duas importantes eleições aqui no Rio de Janeiro, em tradicionais e outrora combativas instituições da sociedade civil: no Clube de Engenharia e na OAB-RJ.

A primeira eleição será no Cube de Engenharia, onde a chapa de Eduardo Konig, Bernardo Griner e Fernando Tourinho está comprometida com a defesa da Engenharia Nacional, destinada a garantir a soberania de nosso país na área tecnológica, pressionando o poder público para que invista em aprimoramento e especialização, de forma a atenderem a demanda atual, sem importação de profissionais estrangeiros, como o governo federal cogita agora, abrindo um perigoso precedente.

Também na Ordem dos Advogados do Brasil há um sinal de alento, com a chapa encabeçada por Carmem Fontenelle, filha do saudoso ex-presidente Celso Fontenelle, que comandou a OAB-RJ em dois mandatos e se notabilizou por ter defendido a independência da entidade em relação ao Judiciário. Para vice-presidente, Carmem convidou o jurista Fernando Orotavo Neto, um dos maiores especialistas em Direito Financeiro, que recentemente fez a Comissão de Valores Mobiliários amargar a primeira derrota na Justiça, desde sua criação há 36 anos, e numa causa que envolvia uma espantosa multa de R$ 504 milhões, indevidamente aplicada pela CVM.

O Clube de Engenharia e a Ordem dos Advogados parecem estar despertando da letargia. Vamos torcer para que haja renovação também nas demais entidades que representam a sociedade civil, neste país em que a oposição se mostra insípida, incolor e inodora. O País precisa acordar. A política é importante demais para ficar entregue apenas aos políticos profissionais.

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