O que o cidadão prefere: a palavra CASSA ou CAÇA? A primeira, ditatorial. A segunda, travestida de democrática, contribui para a miséria torturante.

Não convidado para o jantar altamente restrito com o presidente da França, o Ministro da Defesa não gostou. Informei imediatamente: “A ordem para não convidá-lo partiu diretamente de Lula”.

Era mais do que evidente que só mesmo um presidente da República, às vésperas de não deixar o cargo, teria condições e autoridade para barrar o Ministro da Defesa numa reunião para compra de armas.

Só que isso não é o mais grave. Nelson Jobim não é pessoa física muito admirada ou prestigiada, ninguém sentiu o golpe contra ele. Mas o que dizer da atitude do presidente Lula, que “fechou a compra” de caças para a Aeronáutica, sem que a FAB sequer soubesse (e lógico, sem aprovar) de uma negociação (qual a palavra mais próxima de negociação?) que vai custar, no mínimo, no mínimo, 31 bilhões de dólares, ou mais de 50 bilhões de reais?

Sei que é uma questão delicadíssima, vou contrariar interesses colossais de todos os lados. Como o mundo é dominado pelo complexo industrial militar, consideram (e divulgam com insistência) que um país só é potência mundial, por causa do seu maior ou menor arsenal, de terra, mar, ar e no fundo do mar.

Não tenho qualquer dúvida: a condição de potência mundial deveria ser medida e respeitada pelo fim da pobreza e não pelo tamanho do estoque de armas, incluindo as nucleares. Já imaginaram esses 60 bilhões investidos em reforços da infraestrutura, da educação, da saúde, do saneamento, do desenvolvimento verdadeiro?

Eu sei, todos os nossos vizinhos, e até “parceiros” mais distantes, se armam ininterruptamente, com a mesma insistência com que defendem seus mandatos também ininterruptos. O ideal seria que todos não se armassem ou se desarmassem. Mas o mundo não é ideal nem ideológico, a não ser que imponha suas convicções, com caças, tanques, submarinos, tudo que possa destruir em vez de construir.

Paul Getty, ganhador de dinheiro, fosse como fosse, eternizou o conceito: “O melhor negócio do mundo é uma refinaria bem administrada. O segundo, é uma refinaria mais ou menos administrada. O terceiro é uma refinaria pessimamente administrada”. Errou completamente. O melhor negócio do mundo é a COMPRA e a VENDA de armas.

Por que junto o ato de COMPRAR com o de VENDER? É que os dois, rigorosamente ligados, mobilizam a mais glamurosa, mais excitante e mais admirada (em todas as línguas) que é a palavra COMISSÃO.

Especialistas me dizem: “Helio, normalmente, uma operação como essa de 60 bilhões, provocaria uma comissão de 1 bilhão e 800 milhões (Três por cento). Mas como é operação praticamente sigilosa, sem que ninguém fosse ouvido,  a comissão pode (e deve) chegar a 6 bilhões. (10 por cento).”

O presidente Sarkozy chegou, viu e vendeu. E nem trouxe a sua principal arma, Madame Carla Bruni. Não precisava. Pra que deixar Paris, que desde Hemingway em 1920, é sempre uma festa?

Esse projeto de compra de caças, vem sendo adiado há anos. Não existe dúvida, foi retomado agora por causa de Chávez e Uribe. Chávez é um perigo total, cada vez compra mais armas da Rússia. Uribe, mais displicente, troca a ocupação do seu país por mais um mandato no Poder. (Mais um, por enquanto. Quem faz tudo pelo terceiro, o que não fará pelo quarto?)

Apesar da pressa, ainda há muito para discutir e combater. No modelo do mundo guerreiro, quando os líderes empunhando armas, lutam pelo Prêmio Nobel da Paz, os vendedores escaparão da falência, (a Dassault) os compradores aumentarão sua geografia bancária.

***

PS- Conclusão: na DITADURA ou DEMOCRACIA, o vocabulário tem pouca diferença. Numa ditadura, por qualquer coisa utilizam a palavra CASSA. Na democracia, trocam os dois ESSES pelo Ç (c cedilha), torturam imprudentemente a necessidade de desenvolver e melhorar a vida da população.

PS2- E como fica o presidente da República, que afirmou sem consultar ninguém: “Está tudo concluído com a França”. Não está nada concluído, com o próprio Lula se desdizendo e negociando com outros países. Como é o certo, se é que é certo gastar 31 bilhões roubados de um povo morto de fome?

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