O referendo vai derrotar a reforma política

Carlos Chagas

Podem deputados e senadores optar pelo que bem entender, em matéria de reforma política.Voto  em  listas partidárias, sem o eleitor escolher seu candidato a deputado, dinheiro do governo para financiar eleições, voto  facultativo, diminuição do número de partidos e quanto mais  queiram. Tanto faz se essas mudanças venham a ser aprovadas pelos plenários da Câmara e  do Senado, mesmo invertendo-se a aprovação nas duas casas.

Na verdade, essa terá sido a reforma política feita  pelos políticos, como de tantas vezes anteriores. Elaboradas por eles, para eles. Sem maior identidade com o sentimento nacional. Por isso, e sem questionar a prerrogativa natural de o Congresso mudar, suprimir ou aprimorar as leis, ficaremos diante de um impasse de graves conseqüências. Porque certas decisões precisam transcender das clássicas atribuições parlamentares.

Tome-se a questão do desarmamento. Anos atrás Câmara e Senado aprovaram projeto proibindo qualquer cidadão de possuir armas em casa. As elites aprovaram, a mídia também. Felizmente a matéria foi ao referendo popular. Qual  o resultado? A sociedade discordou de seus representantes. Desarmar, sim, mas primeiro os bandidos, infensos a aceitar a lei. Enquanto eles existissem, deveria o cidadão comum dispor de condições para  defender-se, já que o poder público deixava de cumprir o seu papel.

Na reforma política é a mesma coisa. Proibir o eleitor de escolher pessoalmente o seu candidato, votando nos partidos, pode constituir-se  solução  ideal, mas desde que os partidos deixem de comportar-se como   quadrilhas. Crie-se, primeiro, a verdade partidária. Depois, será passado um cheque em branco para cada legenda.

Assim as demais propostas em exame. Financiamento público das  campanhas?  Ótimo, mas desde que extirpados os gastos particulares que certamente  continuarão por muitos anos. Depois, se houverem recursos  disponíveis no tesouro público, em seguida ao seu uso  para desatar o nó na educação e na saúde pública.  Nos transportes coletivos, também.

Resultado: a reforma política precisará ser submetida  a um referendo. Imaginem qual o resultado…

QUANTOS EMPREGOS A MAIS?

Os trágicos acontecimentos numa escola do Realengo,  no Rio, levam à  conclusão de que ensino  não se limita a salas de aula e  à merenda escolar.  É preciso proteger as escolas e os alunos.  Dar-lhe condições de não ser invadidos e assassinados. Tivessem as autoridades se preocupado com  a segurança dos jovens,  contratando guardas e vigias em número suficiente  para  cada unidade.  e esse animal  responsável pela morte de nove meninas e um  menino não teria sequer entrado no estabelecimento em questão. Muito menos armado de dois revolveres, transitando como  bem  entendeu pelos corredores e salas de aula.

Recursos? Ora, e as centenas bilhões de dólares remetidos todos os anos para o exterior, como remessa de lucros do capital especulativo que chega aqui sem a menor preocupação  com nosso sistema de ensino? Sem falar na fonte de empregos criados com a imprescindível segurança…

QUEM CHAMA QUEM?

Transcorridos cem dias do governo Dilma Rousseff, dos 37 ministros, mais dois que assumem nos próximos dias, pelo menos oito ainda não receberam qualquer convocação da presidente da  República, salvo para comparecer às duas reuniões conjuntas do  ministério, realizadas  até agora. Viram a chefe de longe, sem a oportunidade de mostrar planos, propostas e dificuldades. Vamos evitar o constrangimento de fulanizações, mas a verdade é que não foram chamados e nem se animam a pedir para  despachar  isoladamente. Talvez temam repreensões e reprimendas, quem sabe estejam agastados coma falta de atenção.

Esse pode ser um dos males de grandes ministérios. Napoleão dizia ser impossível ganhar uma batalha  com mais de nove generais a ele subordinados. Com  37 então, nem  se fala.  O então presidente Fernando Collor percebeu essa aberração, nomeou apenas seis ministros, mas, com todo o respeito,  nomeou tão mal que nada funcionou.

Para Dilma, agora não dá para começar a extinguir ministérios, mas bem que ela podia receber os ministros que faltam conhecer o  seu gabinete.

QUANTOS MAIS VIRÃO?

Dois políticos de primeiro time foram implacavelmente alvejados por José Sarney, na sua biografia autorizada recém-publicada, aliás elogiável, escrita por Regina Echeverria: Ulysses Guimarães, que não pode mais defender-se, e Bernardo Cabral, que deve estar preparando a réplica.

A informação é de que o ex-presidente da República dá os retoques finais às suas memórias, certamente bem mais apimentadas e profundas do que a biografia. Outros alvos serão objeto de sua pontaria, a ser verdadeiro o comentário de Fernando César Mesquita, de que Sarney não esquece agravos. Guarda-os na geladeira para devolvê-los na melhor oportunidade. Tem gente tremendo por antecipação.

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