O revólver do doutor

Sebastião Nery

Quando assumiu o Ministerio da Agricultura no governo Figueiredo, Nestor Jost não foi à transmissão do cargo na Coalbra (Coque e Álcool de Madeira do Brasil), uma picaretagem com dinheiro público, inventada por Sergio Motta e o general Golbery, para produzir álcool de madeira, lá em Uberlândia, e que deixou um rombo de US$ 250 milhões.

Jost mandou como seu representante o assessor parlamentar, doutor Fontoura, um gaúcho desabusado, sobrinho do ex-chefe do SNI, general Carlos Alberto Fontoura.

O salão apertado da sede da Coalbra, no edifício Serra Dourada, em Brasília, estava lotado. De repente, Sergio Motta e o doutor Fontoura começam a gritar um para o outro: “Ladrão! Filho da puta!”

O doutor Fontoura tirou do bolso um revólver, o auditório em pânico. Sergio Motta, gordo, suando, disparou escada abaixo, e o doutor gritando:

– Vou te dar um tiro na bunda!

Não deu. E não foi por falta de alvo.

***
TUCANADA

Sergio Motta foi dirigir a Eletropaulo, no governo Montoro, e cuidar para sempre do financiamento das campanhas eleitorais da tucanada. A partir de 95,  os tucanos são donos de São Paulo. Em 2008, estouram na França os escândalos da empresa Alstom no Brasil:

“O Ministério Público vai investigar os contratos da Alstom com seis(!) empresas ligadas ao governo de São Paulo: além do Metrô, a Eletropaulo, a Cesp, a Sabesp, a CPTM, a CTEEP.

A Alstom teria pago US$ 6,8 milhões só para obter um contrato de US$ 45 milhões com o Metrô. Os valores seriam usados para pagar comissões a políticos brasileiros”…

E mais: “Ao lado de uma cifra de R$ 2 milhões, aparece uma série de nomes, entre eles o do senador Valdir Raupp (então líder do PMDB no Senado) e Adhemar Palocci, diretor da Eletronorte, irmão de Antonio Palocci” (“Folha”).
PSDB e PT são um pingue-pongue da corrupção. Jogam sempre juntos.

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TADINHO DO SARNEY

O senador Sarney, democrata no Senado, “liberal” na “Folha” e intelectual na Academia, sempre defendendo a “liberdade de imprensa”, o “direito de expressão”, mas quando chegam as eleições vira o cão do terceiro livro. Volta aos horrores da ditadura, reencarna o sargentão bigodudo da Arena, incorpora o Edir Macedo e processa todo mundo que o critica.

Em 2006, abriu dezenas de processos contra jornalistas, jornais e até simples “blogs”, lá no Amapá. Em 2008, entrou em Brasília com uma ação exigindo R$ 220 mil de “indenização por danos morais” (é quanto ele avalia sua moral?) por causa de artigo (“Sarney quer acabar com Jackson”) do jornalista Jersan Araújo, publicado no “Jornal Pequeno”, do Maranhão.

Para defendê-lo, Sarney foi buscar dois advogados no Piauí. Estranho. Que culpa tem o Piauí? Por que no Piauí? Por que não no Maranhão? Será por que os do Maranhão já o conhecem de sobra?

Os dois causídicos do Piauí são desbragadamente enganatórios:
“O jornal quer transformar a concepção e o pensamento dos leitores sobre a figura impoluta (sic) do autor, que possui um caráter (sic) indubitavelmente digno e respeitável (sic) e está passando pelo sofrimento (sic) de ver seu nome motivo de escrachos (sic), difamação, injúria, calúnia”.

Tadinho do Sarney. 20 anos de bedel da ditadura e tão inocente.

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