O risco da derrota ou saltar de banda

Charge do Paixão, reprodução da Gazeta do Povo

Carlos Chagas

O crime não é comprar um apartamento, mesmo de luxo, a preço incompatível com a renda do comprador. Crime é permitir que uma empreiteira envolvida em corrupção com dinheiro da Petrobras se encarregue das obras de reforma e complementação do imóvel, sem ônus para o proprietário. Fica evidente a relação entre a empresa e o beneficiário, em especial se ele foi presidente da República e favoreceu a outra parte flagrada pela Justiça praticando negócios ilícitos como superfaturamento de contratos, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, entre outros.

Sobre o Lula pesa a acusação de ocultação de patrimônio. É o que deve enfrentar, prestes a ser denunciado pelo Ministério Público de São Paulo. A empreiteira OAS assumiu a construção do empreendimento e entregou as chaves do imóvel ao ex-presidente da República sem que até agora ele tenha provado que pagou pelo serviço.

Cabe ao PT defender seu criador? Por questão de lealdade, não. Afinal, o partido nada tem a ver com as atividades privadas do Lula. As conferências que pronunciou, as viagens que fez ao exterior, financiadas por empresas cujos interesses defendeu junto a governos estrangeiros, incluem-se no rol das práticas contrárias à imagem que deveria preservar. A cada dia, como agora no caso do apartamento triplex no Guarujá, surgem novas denúncias de malfeitos debitados à ação irresponsável do Lula.

SERÁ CANDIDATO?

A pergunta que se faz é se, condenado ou não em longos e arrastados processos na Justiça, ele terá o respaldo dos companheiros para candidatar-se à sucessão de Dilma Rousseff, em 2018. Tudo indica que se tiver vontade, será lançado, mas enfrentará profunda reação de seus adversários. Precisará defender-se em cada palanque ou debate a que compareça. Correrá o risco de rejeição em suas próprias bases.

Será diante dessas dúvidas que o Lula decidirá. Claro que voltar a ser presidente constitui seu principal objetivo, mas disputar sem a certeza da vitória constituirá um risco. Ainda mais frente a uma performance mais do que sofrível da sucessora, que precisará contestar caso eleito. Há quem recomende que salte de banda, mesmo sem perspectiva de ser substituído por outro companheiro.

Em suma, o ex-presidente não está premido pelos fatos. Há tempo para decidir-se. Mas entre correr o risco da derrota ou saltar de banda, sempre haverá o sonho de reviver tempos que possivelmente não voltam mais.

2 thoughts on “O risco da derrota ou saltar de banda

  1. O lula é atualmente a raposa mais felpuda da política brasileira. Como macaco velho não mete a mão em
    cumbuca, ele certamente vai arranjar uma desculpa qualquer e saltar de banda.
    Sabe e muito bem, que se for candidato, os fantasmas que o assombram virão todos e muitos outros aparecerão. O projeto de poder do PT fica assim adiado ou quem sabe até esquecido, priorizando a liberdade
    do morubixaba, para que não termine os seus dias, como vizinho do zé dirceu.
    Os dias de glórias passaram, ficaram apenas os espinhos, agora o negócio é cuidar para que a vaquinha não vá para o brejo e leve o bezerro junto.

  2. Além do favorecimento “especial”, o beneficiário chamou a empresa para a cumplicidade criminosa, aprovada pelo partido dos trabalhadores que não trabalham e seus assessores de ocasião.
    Odebrecht, o prisioneiro e líder da Equipe de Empreiteiros Criminosos, que criou a moderna caverna do Ali Babá e dos seus infinitos ladrões, recebeu o selo petralha que chancelou e autorizou a construção dos pilares que sustentariam o Santo da Alma Pura no poder – assim como a Equipe de Empreiteiros – por 50 anos, no mínimo.
    Nem Sean Penn, mui amigo do megatraficante El Chapo, conseguiria interpretar o Nine Finger.
    Um plano perfeito. Um assalto aos cofres públicos perfeito. Resta perguntar: o crime compensará?

    PS: Jaques Wagner ficou enciumado e pediu que instalassem (quem?) um teleférico saindo do seu apartamentinho direto para a areia da praia, bem próximo do mar, para que os respingos das ondas também o atingisse. Nada como ser integrante de uma Orgcrim: elevador privado; teleférico privado.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *