O saldo de um ano

Carlos Chagas

Encerrados ontem os trabalhos do Congresso, qual o saldo que fica? Deixando de lado os ranhetas que todos os anos discorrem sobre a inutilidade do Poder Legislativo, mas afastando também os querubins que só exaltam as excelências da atuação de deputados e senadores, haverá que buscar objetividade na resposta. Melhor com eles, pior sem eles, é a premissa.

Mas qual o projeto de real interesse popular e nacional aprovado em 2011? Nada de reforma política, nada de reforma tributária, que seriam as grandes realizações do Congresso para o ano. Na memória coletiva ficará, talvez, a lei que proíbe os pais de aplicarem palmadas nos filhos. Não há, porém, que descrer da possibilidade de reconstrução da imagem parlamentar, pois a Legislatura completa o primeiro de seus quatro anos. Faltam três.

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EXPLOSÃO NO ÚLTIMO DIA

Pela manhã, ontem, reuniu-se no Senado a Comissão de Infraestrutura. Dinamite puro, no que parecia apenas a oportunidade de congraçamento e despedidas dos senadores, por conta do Natal. Examinava-se a mensagem da presidente da República pedindo a recondução de Bernardo Figueiredo como diretor-geral da Agência de Transportes Terrestres.

Pediu a palavra o senador Roberto Requião, formulando monumental denúncia contra o funcionário, a quem chamou de dilapidador do patrimônio público. Chamou-o de “ser híbrido”, pois, como agente público, formatou a privatização das ferrovias nacionais, mas como agente privado presidiu a concessionária que ganhou dois leilões.

Lembrou que a Procuradoria Geral da República apresentou representação contra ele, pedindo providências ao Tribunal de Contas da União, por haver, na direção da ANTT, proibido que se multasse a concessionária por descumprimento de contrato.

Na presidência da Comissão, a senadora Lucia Vânia aceitou o pedido de Roberto Requião para que no reinício dos trabalhos, em fevereiro, depoimentos sejam tomados e até realizada uma audiência pública com a presença de Bernardo Figueiredo. Só depois será votada a mensagem da presidente Dilma Rousseff, pela recondução do funcionário.

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