O segundo turno, sem dvida foi um avano eleitoral e de certa forma, poltico. Uma nova chance para o cidado reavaliar (ou reafirmar) seu voto. E principalmente para os candidatos.

Helio Fernandes

Na Primeira Repblica, o cidado no tinha nenhuma participao. E os poucos, ou raros que tinham o DIREITO DO VOTO, normalmente da elite, nem sabiam o que pensava ou admitia o candidato. (Isso mesmo, O CANDIDATO. Pois era sempre um, nada mais do que um).

O PR (Partido Republicano) escolhia, elegia, consagrava e empossava. Na to exaltada Repblica, (que no dos nossos sonhos, do grande Saldanha Marinho, que dirigiu o jornal dirio A Repblica, de 1860 a 1889, e como senador foi preso quando discursava no Senado), os primeiros presidentes foram sempre INDIRETOS.

Depois, passaram a diretos, mas sujeitos RATIFICAO. Diretos uma forma de dizer, porque o presidente escolhia o seu sucessor, comunicava aos governadores. E ningum recusava, protestava, se lanava contra a escolha isolada do presidente da Repblica e do seu sucessor.

Como naquela poca a forma de comunicao era precria, o presidente mandava um telegrama aos governadores, era nica formalidade. Recebia a resposta afirmativa, acontecia o que se chamava de sucesso.

Em maro de 1930, Washington Luiz escolheu como seu sucessor o governador de So Paulo, Julio Prestes, dava por finda a formalidade.

Todos os governador recebiam e respondiam afirmativamente. O governador da Paraba, Joo Pessoa, (sobrinho de Epitacio Pessoa, presidente eleito em 1919, estando em Paris e derrotando Rui Barbosa) contrariou toda a regra que valia na poca. Mandou um telegrama para Washington Luiz, com uma nica palavra, forte, decisiva e histrica: N--G-O.

Surpresa total, finalmente algum se decidia a enfrentar o Poder total do ocupante do Catete. O governador da Paraba logo depois foi assassinado em Pernambuco, (nenhuma participao poltica, apenas uma divergncia pessoal), colocaram na bandeira do Estado essa palavra que ficou para sempre.

Mas que no mudou coisa alguma, nem mesmo o nmero de eleitores, que se manteve mnimo durante dezenas de anos. Aumentou com o crescimento da populao, mas os analfabetos, as mulheres e os dependentes dos patres, no votavam. Em 1910, primeira candidatura Rui Barbosa, os eleitores eram pouco mais de 300 mil.

A Constituinte de 1933/34, seria a grande modificao poltica e eleitoral. Vejam s que estava programado como resultado dessa manifestao do povo, ainda um eleitorado no muito grande, mas decisivo. O que estava programado merece at a denominao de revolucionrio sem armas.

1 Eleio DIRETA para presidente de Repblica.

2 Fim do partido NICO, (o Republicano).

3 Pluripartidarismo, com a criao de vrios partidos.

4 Voto para o Partido Comunista, que estava na LEGALIDADE.

5 Voto para as mulheres, um avano sensacional, pois mesmo nos EUA e em muitos pases da Europa, elas no votavam.

No vou analisar a frustrao nacional, nada foi conseguido, tudo foi ADIADO para outubro de 1938. Mesmo assim teve outra prorrogao, s se concretizaria em 1945. Precariamente e nada democrtico.

Depois os avanos foram pequenos, por causa das ditaduras, e os perodos chamados de REDEMOCRATIZAO, uma violncia contra o ato e o fato.

Agora, impossvel negar ou duvidar, houve melhoria no sistema, mas muito pequena. Tudo por causa dos erros na IMPLANTAO DITATORIAL da Repblica. A comparao necessria ou imprescindvel. Os acertos (pelo menos, sumrios e internos) dos EUA, tm que ser creditados ao nascimento feliz da Repblica.

Os FUNDADORES da Repblica dos EUA, estabeleceram na longa e democrtica Conveno da Filadlfia, como condio FUNDAMENTAL, a ELEIO DIRETA do presidente da Repblica, desde o primeiro. Aqui, todos os primeiros foram INDIRETOS, e depois, quando eram chamados de DIRETOS, no tinham a menor autenticidade.

Os erros e equvocos da Repblica, contaminaram todo o processo dito democrtico, facilitaram o caminho da ETERNIDADE DO PODER, que a vontade e ambio humana, todos dizem, o Poder o Poder. Mas no conseguimos normaliz-lo, consolid-lo, respeit-lo. Agora, por causa disso, a Histria do Brasil registra quase tantos VICES QUE ASSUMIRAM quanto EFETIVOS que no assumiram.

No havia maioria absoluta nem segundo turno. Depois da ditadura, em 1950, Vargas teve 43 por cento dos votos, Juscelino 36, Lacerda (para governador, em 1960), 29 por cento. (Ganhou de Sergio Magalhes, que teve 28 por cento, e Tenrio Cavalcanti, 15).

A se discutiu e aprovou o segundo turno, que o que estamos resolvendo agora. Para o cidado-contribuinte-eleitor, aparentemente uma vantagem, seria realidade verdadeira, se existissem partidos.

***

PS Hoje, sbado, ficam faltando 22 dias para a deciso definitiva. Se os partidos tivessem fora e militantes, esse segundo turno seria realmente importante. (Mas s existe a cpula temeriana, sem voto e longe do povo).

PS2 Acontece que Dilma e Serra querem os 20 por cento de Marina no primeiro turno, Mas no s os dois candidatos desejam esses votos.

PS 3 Mas essa votao de Dona Marina , que no tem origem ou identificao, tem a mesma destinao no desvendada. Pois a prpria Marina, quem menos ir influir na colocao ou disperso desses votos.

PS4 A cpula do PV (to carreirista quanto a dos outros) ambiciona cargos, quanto mais melhor. E avidamente conversam sem LUGAR e sem LIGAR para COMPROMISSOS ou OMISSES. Tanto faz irem com Dona Dilma ou com Serra. (QUEREM IR).

PS5 E a prpria Marina , que est convencida que os 20 por cento do primeiro turno pertencem mesmo a ela, pretende se manter neutra, PRESERVANDO-SE para 2014.

PS6 Como continuar analisando caminhos to disparatados? Haja o que houver, no aprenderam nada, com Dilma ou com Serra, NO HAVER DE JEITO ALGUM, Marina 2014.

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