O Senado enquadra a presidente

Carlos Chagas

O Senado decidiu votar emenda constitucional que obriga todo presidente da República a indicar um jurista, no máximo em   90 dias, para qualquer vaga aberta de ministro do Supremo Tribunal Federal. Trata-se de uma reação mais do que necessária à estranha delonga da presidente Dilma em ver preenchido o lugar de Joaquim Barbosa, aposentado em julho do ano passado. Os protestos do Supremo são conhecidos há muito, pois funcionando com dez e não com onze ministros, seus trabalhos vem sendo prejudicados.

Fica difícil, quase impossível, perscrutar os motivos porque Madame não faz a indicação. Não será pela falta de cidadãos detentores de alto saber jurídico e reputação ilibada. Até porque poderia ser selecionado um jurista amigo do governo, capaz de votar segundo seus interesses. Essas situações são comuns.

Agora que Renan Calheiros endossou a proposta, pode ser que a presidente demore ainda mais para indicar o novo ministro, por capricho ou represália, mas quem fica mesmo prejudicado é o Judiciário. E nem ao menos o Executivo se beneficia. Afasta-se, como mesquinha, a hipótese de os senadores estarem decididos a rejeitar qualquer nome proposto, como parte do entrevero entre o Senado e o palácio do Planalto. Fica no ar a indagação sobre a demora.

LAVANDO A JATO

Enquanto isso, desenvolve-se a Operação Lava-Jato. Mais dois presos, ontem, por ordem do juiz Sérgio Moro. Não vai demorar o julgamento dos envolvidos no escândalo da Petrobras que não são parlamentares, a se verificar na primeira instância da Justiça do Paraná. Mesmo os que detém mandato parlamentar, respondendo a inquérito junto ao Supremo, deixam de contar com prazos ilimitados. A expectativa é de que as denúncias, quando admitidas, sejam processadas até o fim do ano.

A conclusão a tirar de mais um capítulo da novela do embate entre o governo e o Congresso é de parecer longe a trégua na Praça dos Três Poderes.

PROIBIÇÃO SEM FINANCIAMENTO

Há apreensão entre os parlamentares mais dedicados à reforma política. Sabem que as contribuições empresariais nas campanhas eleitorais estão na base da corrupção que assola o país, mas hesitam em promover a proibição pura e simples. O futuro da classe política estaria em jogo, pois ninguém se elege sem muitos milhões. O financiamento público atenderia pequena parte das necessidades e, mesmo assim, é visto com antipatia pelo eleitorado. Num país onde se cortam gastos sociais, como justificar recursos do tesouro nacional para ajudar a eleger políticos? O risco é de continuar tudo como está.

4 thoughts on “O Senado enquadra a presidente

  1. Sr. Chagas, parabéns, queria entender, a maioria dos ministros STF são simpáticos ao PT-governo, e tem um que foi reprovado 2 vezes para Juiz da 1ª, inclusive tem condenações (a Mídia publicou),inclusive reelegeu a Srª Dilma, ao proibir testes na urnas “ladronas” e a apuração ultra secreta comanda pelo dito cujo, ela poderia nomear outro de igual quilate, mas, com essa atitude, fico na situação de “cego em tiroteio”.
    Alguém explica, por favor,quem puder, explique!!!
    A que ponto chegamos, RUI BARBOSA, estou contigo. me envergonho dos desgovernantes que temos.

  2. Sou contra o financiamento privado e público de campanha.
    O governo deveria acabar com horário eleitoral gratuito, e a soma
    desse horário, seria jogado para sábado em cadeia de televisão e rádios para debates entre Presidentes, Vice Presidente (também deveria ser eleito), Senadores e Deputados Federais, com publicação em todos os jornais. Isso num ano,
    no ano a seguir o mesmo modelo para governadores e Deputados Estaduais, e a
    seguir, eleição para Prefeito e vereadores. Pulverizando as eleições, fica mais fácil ao
    eleitor ver a diferença entre um candidato e outro. Votar em 7 candidatos ao mesmo tempo,
    só tem um intuito, confundir a maioria dos eleitores. A quem isso interessa?
    Em tempo: Os governadores ofereceriam as praças públicas e segurança para os candidatos para fazerem seus comícios.

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