O sentimento coletivo de “Ocupar Wall Street” precisa ser preservado

Leonardo Florencio Pereira

O valoroso simbolismo de “Ocupar Wall Street” contra a plutocracia merece converter-se historicamente em autêntica força política e não ser breve e espertamente dissolvido e apropriado pelos mesmos esquemas aos quais critica.

Não há como desprezarmos a força crítica de mobilização, na forma enérgica de um sentimento coletivo de raiva profunda de quem se sente continuamente enganado, que sustenta os protestos contra os golpes financeiros e a falta de transparência que restringem a democracia enquanto dirigem a atuação dos Estados.

O foco da crítica (assim como o dos protestos que se espalham pela Europa) é a prioridade absoluta à cobiça financeira e a utilização marcante dos espaços públicos, inclusive mediante ocupações permanentes. Assim, desenvolve a circulação sanguínea das ideias e da expressão coletiva ao redor do mundo.

O que há de mais empolgante nesses movimentos concentra-se na atuação conjunta de pessoas comuns, sem qualquer peso político ou econômico, mas cheias de fé no aprofundamento democrático, na possibilidade de atuação e mudança política a partir da base.

São autênticos e contagiantes, mostrando-se capazes de provocar debates e adesões nos mais diversos níveis e sob o manto dos mais diversos interesses (alguns claramente distantes da autenticidade e extremamente saturados pelos interesses evidentes).

Porém, enquanto os objetivos não são organizados preventa e estruturalmente,  fortalece-se a ameaça histórica de dissolução e aproveitamento de tudo o que é ingênuo e pouco estruturado, ocorrendo uma apropriação e adulteração, com o fim de que sirva também como instrumento para a promoção de tenebrosos e extremamente distintos interesses políticos e de fugazes propagandas enganosas dos mesmos plutocratas, tanto dos partidos quanto de Wall Street, como as que vemos e vimos seguidas vezes na História. Será uma pena se isso acontecer.

 
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