O silêncio sobre o SUS, uma obra de arte política que restou inacabada

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Charge do Amâncio, Arquivo Google

José Casado
O Globo

Faltam apenas 20 semanas para as eleições gerais. E os 146 milhões de eleitores continuam na absoluta escuridão, sem ideia de qual é o Brasil imaginado por candidatos e partidos. Têm-se 18 nomes listados nas últimas sondagens de intenção de voto para a Presidência da República, mas, até agora, nenhum deles sequer demonstrou preocupação em submeter ao eleitorado uma proposta alternativa para a crise do Sistema Único de Saúde (SUS), do qual dependem diretamente 150 milhões de pessoas.

Mantêm silêncio, da mesma forma, sobre suas ideias para acabar com a irracionalidade dominante nas relações entre os 50 milhões de brasileiros que não dependem do SUS, porque têm acesso a planos de saúde, e as mais de 800 empresas operadoras médico-hospitalares.

CRISE INSUSTENTÁVEL – Na crise da Saúde, não há rota de fuga disponível a candidatos e partidos. Eles sabem que a situação do sistema é insustentável e, por isso, precisam dizer logo aos eleitores como pretendem resgatá-lo ou liquidá-lo — nesse caso, explicando o que planejam pôr no lugar.

O SUS é uma obra de arte política. Nasceu há exatos 30 anos, em circunstâncias de rara unanimidade parlamentar, em torno da ideia de saúde gratuita para todos. Os resultados estão visíveis no acesso irrestrito à rede pública de hospitais, no aumento da expectativa de vida, na redução da mortalidade infantil, na prevenção (vacinações), nos transplantes de órgãos e no tratamento de infecções pelo HIV.

Suas deficiências são indicadas como principal problema nacional desde junho de 2013, quando centenas de milhares de pessoas saíram às ruas, em todo o país, em protesto contra a inépcia nos serviços públicos básicos. Detalhe relevante nessas pesquisas é a boa avaliação do SUS pela massa que dele depende, quando consegue atendimento.

SEM RECURSOS – Na origem da crise da Saúde está a apropriação privada de fatias do Orçamento público. União, estados e municípios investem R$ 230 bilhões por ano, o equivalente a 3,7% do Produto Interno Bruto, metade da média dos gastos registrados em sociedades ricas. Seria irracional propor tão somente um aumento de despesas numa etapa de virtual falência governamental.

Mas a saída, certamente, começa pela higienização do poder político sobre os contratos. A degradação acelerada nos serviços é consequência do predomínio de interesses particulares, da regulação até a fila de pagamentos às empresas.

Os governos Lula, Dilma e Temer usaram a saúde coletiva como moeda no Congresso. Permitiram a expansão do loteamento partidário em áreas-chave do Ministério da Saúde, da Funasa e da agência setorial ANS. Os principais beneficiários (PT, PMDB e PP) estenderam sua influência aos estados e municípios.

PP NO COMANDO – É eloquente que um partido como o PP do senador Ciro Nogueira — recordista em investigados na Operação Lava-Jato (41% da atual bancada) —, comande o ministério e a ANS. Ou ainda, que o líder do governo, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), tenha recebido de presente a nomeação da mãe no comando da Funasa na Paraíba, 24 horas depois de ter sido denunciado ao Supremo por corrupção.

Sem propostas objetivas para resolver a crise na Saúde, candidatos e partidos se expõem às consequências de um “estelionato” eleitoral. O ronco das ruas de 2013 ecoa alto e claro, cinco anos depois.

6 thoughts on “O silêncio sobre o SUS, uma obra de arte política que restou inacabada

  1. O SUS não é preciso dizer, é um direito de todos. Já vimos aqui uma postagem de um sus num bairro de BH que funciona maravilhosamente. Em ouros, como onde eu moro, os funcionários se limitam a medir pressão. Até carteira do SUS a moça disse que o posto nada tinha a ver. Foi preciso eu pedir para falar com a Superintendente para mostrar a Cartilha do Sus para ela me atender e fazer minha carteira. Sei que a gente acaba pagando duas vezes pela saúde, um desconto em folha, outro os malditos Planos de Saúde. Tenho certeza que o SUS em todo o Brasil pode dar certo.Também há muito preconceito e desinformação sobre o SUS.
    Os Planos de Sáude, são para quem adere ao plano, quem pode pagar, visa lucro, idoso paga mais, há carência, há planos que não cobrem internação. O SUS é um direito de todos, é gratuito, não tem fins lucrativos, tem compromisso com com a promoção e recuperação da saúde de todos, não há discriminação para idosos, não existe carencia, etc.etc.
    Eu até acho que o SUS poderia cobrar de quem pudesse contribuir com o mínimo e continuar gratuito para quem não pode pagar. O SUS É UM DIREITO DE TODOS.

  2. -Se você ver como é gasto o dinheiro dos nossos impostos, verá que a maior fatia é consumida com o pagamento de juros.
    -Portanto, enquanto não existir um “teto” no orçamento que limite o pagamento de juros da dívida pública, não passaremos de uma FAZENDA DE ANIMAIS constituída por bestas de carga: Como somos animais prolíficos, sai mais barato deixar morrer do que gastar com medicação.

    “Como se pode ver na imagem, 27% dos gastos de 2017 deverão ser destinados à amortização da dívida pública (pagamento de parte dessa dívida) e 9,6% representam os juros e encargos da mesma, totalizando 36,6% do orçamento destinados aos gastos com a dívida pública.”

    http://mameconomia.com/2017/05/15/gastos-com-a-divida-publica-correspondem-a-366-do-orcamento-de-2017/

  3. Meus caros, o SUS, em essência, é um grande plano de atendimento a “Saúde da população”, se a roubalheira e incompetência fosse banida, mas…infelizmente, a corrupção é altaneira nas 3 áreas de governo: Federal, Estadual e Municipal.
    Infelizmente, as “Autoridades responsáveis pela Fiscalização econômico financeira” não fazem o “Dever de casa”, inclusive a própria Justiça, com seus passos de cagado, leva a prescrição o “crime contra a Cidadania”, Em 2000, após denuncia minha, ao MPE, que chamou a Policia, que comprovou, o MPE, foi a Justiça, que com o correr do tempo, mandou arquivar.
    A partir de 2003, na qualidade de Conselheiro da Saúde de Guapimirim, representando a Sociedade Civil, no “Controle Social” denunciamos trimestralmente a corrupção a 10 Autoridades, 3 em Brasilia e 7 do Rio, e continua tudo na mesma, e o Zé Mané, morrendo ou ficando aleijado. Os Planos de saúde, que visam “lucro”, foi repudiado nas Conferências em Brasilia pelo Conselheiros dos Estados, e o Governo Federal, fez e faz “ouvidos moucos” e deixa os referidos “Planos” a assaltar o Cidadão, com sua “Agencia da Saúde”, aliás, como todas as Agências: Bons salários e aumento de preços, e nenhuma Fiscalização, em defesa a Cidadania, pagadora de impostos escorchantes.
    PS. sou a prova viva e em cores do descalabro: em 07 de julho de 2015, sofri uma queda de quase 3 m, fui socorrido pelo SAMU, 10 dias desacordado, com laudo médico para minha filha, que eu morreria, ou ficava em cadeira de rodas, com tal diagnostico, obrigou a me dar alta, para morrer em “casa”, após vários dias, despertei, e minha filha, contratou profissionais da saúde, e em principio de 2016, comecei a andar com dificuldade, e sem equilíbrio, e perdi mais de 50% de audição, Graças a Deus, continuo a “respirar”, deficiente. Gastei + ou – R15.000,00, e quem não tem economia: morre ou fica aleijado! O descalabro na área da saúde, é crime, a justiça dos homens é falha, mas a Justiça Divina, faz Justiça, no pós túmulo.: A cada um segundo suas obras.
    Em meus quase 89 anos, nunca vi tanta podridão, e que Deus se apiede sessa Almas a serviço das trevas, que sofrerão o “Ranger de dentes.

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