O sonho impossível das candidaturas próprias

Carlos Chagas

Sonhar ainda não foi proibido. A três anos da próxima sucessão presidencial, dos pequenos aos grandes, todos os partidos tem direito à ilusão de que não só apresentarão candidatos, mas de que poderão vencer. Claro que no fundo seus líderes sabem muito bem da impossibilidade de milagres, exceção feita hoje ao PT e, com muito boa vontade, ao PSDB. Mesmo assim, abre-se para todos a temporada de euforia. Ou enganação.

No fim de semana reuniu-se em São Paulo o PPS, em animado congresso. A palavra de ordem foi pela candidatura própria, não deixando de ser irônico que, 22 anos depois, o antigo Partido Comunista Brasileiro só disponha do mesmo candidato. Em 1989 foi lançado Roberto Freire, secretário-geral, então deputado e depois senador por Pernambuco. Tantos anos depois, agora deputado por São Paulo, só tem ele.

Na primeira vez, parecia evidente que sua candidatura visava apenas uma espécie de pesquisa para saber quantos comunistas de fé existiam no país. Agora, ou melhor, daqui a três anos, nem isso. O PPS sofreu, precisou acoplar-se aos tucanos, engoliu amplas doses de neoliberalismo e acabou perdendo a disputa com o PCdoB, hoje com bancadas mais numerosas. A conclusão é de que o PPS continuará a reboque do PSDB, tanto faz se o candidato será Aécio Neves ou José Serra.

Vale o mesmo para o DEM, cujos dirigentes, mesmo sem realizarem congressos especiais, já apregoam que desta vez sairão com candidato próprio. Continuam carentes de nomes e já vacinados contra a aventura de lançar um desconhecido, como fizeram na sucessão passada, impondo a José Serra um insosso Índio da Costa, em parte responsável pela derrota do ex-governador paulista.

Do lado oposto, prevê-se a hegemonia do PT, seja com Dilma, para a reeleição, seja com o Lula, para o retorno. O PMDB, principal aliado, preocupa-se com as fatias de poder que os companheiros colocarão à sua disposição no próximo mandato, ameaçando com uma candidatura própria apenas para aumentar a expectativa de ocupação de alguns ministérios e muitas diretorias nas empresas estatais. O outrora maior partido nacional não tem candidatos naturais nem esotéricos. No fim, contentar-se-á em manter Michel Temer na vice-presidência.

Quanto aos penduricalhos, também iniciam suas festividades, com o PSB anunciando a hipótese do governador Eduardo Campos ser lançado ao palácio do Planalto, mas nem montado num míssil ele chegará lá. A respeito de PP, PR, PCdoB, PTB e o agora combalido PDT, nem ao menos ousarão anunciar o sonho da candidatura própria. Preferem evitar o pesadelo de ser catapultados do banquete do PT.

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MAIS UM ARGUMENTO

A recente pesquisa da Datafolha sobre as eleições para a prefeitura de São Paulo apenas confirma o que Alto Tucanato teima em não perceber: apenas José Serra, se for convencido a candidatar-se, evitará a derrota do PSDB. Nas quatro simulações apresentadas sem Serra, os demais pré-candidatos do partido ficam na rabeira. Nem Andréa Matarazzo, nem Bruno Covas, nem José Aníbal ou Ricardo Trípoli conseguem índices dignos de registro. Só o ex-governador lidera na quinta simulação, mesmo assim com razoáveis percentuais de rejeição.

A novidade nessa tomada preliminar de opinião é a constância com que Celso Russomano lidera as preferências. Bem como a presença de Netinho de Paula logo abaixo.

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