O Supremo, santuário do crime, coloca a nação no pelourinho judiciário

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Percival Puggina

Nossa lei penal, nosso processo penal, nossos tribunais são zonas de litígio. Quase nada está pacificado fora da letargia das gavetas e dos arquivos. Nas cortes, as posições divergem segundo “el color del cristal con que sus miembros miran”. No Supremo, há a turma do assim e a turma do assado. Um ministro manda soltar e o outro manda prender. Não se entendem entre si, mas esperam ser compreendidos.

Integram um poder político, fazem política sem voto, curtem a celebridade, mas querem ser tratados como se fossem exclusivamente poder jurídico imune às adversidades de relacionamento social e às críticas inerentes à vida pública.

DESCONFORTO – Topar com um cidadão é um desconforto que os faz enrubescer. Temos vergonha do STF! Nesta quarta-feira (23/10), os senhores ministros retomam o trôpego caminho por onde têm elucubrado e andado nesta aparentemente indeterminável questão: quando deve ser preso o réu condenado em 2º grau de jurisdição, sobre cuja culpa não incide mais a presunção de inocência?

Retornar ao criminoso patrocínio da eterna impunidade e da prescrição, ou manter vigente a interpretação que interrompeu a atividade criminosa nos negócios com o Estado brasileiro? É preciso, afirmam, pacificar essa questão.

Pois “pacificar” é uma boa palavra. Se tudo andar como pretendem os ministros, essa “pacificação” vai soltar algo entre quatro mil e 84 mil criminosos.

JUNTO A NÓS – Eles retornarão a seus negócios, às nossas ruas, estradas, parques. Somar-se-ão a outras centenas de milhares de inimigos da sociedade, à qual declararam uma guerra de conquista e formação de servidão. Ocupam território no meio urbano e rural; tomam o patrimônio e a vida de tantos; atacam nossas mulheres, nossas crianças e, em grande número, se constituem como estado paralelo dentro do Estado, a exigir integral submissão às suas determinações.

Se não fui inteiramente entendido, esclareço: há uma parcela dessa bandidagem agindo com representatividade e vigor nas nossas instituições.

SUBMISSÃO – É essa a “pacificação”, sinônimo dolorido da nossa submissão, que muito provavelmente receberá notável reforço logístico da maioria do lamentável, desastrado e escandaloso Supremo Tribunal Federal brasileiro. O simples emprego da palavra “pacificar” é uma afronta e uma evidência suplementar da relação doentiamente alienada que o Poder mantém com a sociedade.

O Supremo (a Corte) vive num universo paralelo onde o brasileiro não conta, onde a realidade nacional é informação desconhecida. Nesse universo, a dubiedade dos tratados de Direito e dos precedentes contraditórios fazem o pretensioso cotidiano para que o próprio querer se imponha. Haverá muito mais bandido nas nossas ruas, a guerra contra a população recrudescerá, mas o STF “pacificou”. Ufa! Cairá a noite sobre um Brasil mais triste, mais desesperançado, mais perigoso, mais roubado, mas violento.

SANTUÁRIO DO CRIME – A grande celebração do crime, que fez do STF o santuário de suas devoções, atravessará a noite. Metralhadoras, em festa, matraquearão balas perdidas arrepiando os morros. Abstêmios na prisão, grandes corruptos reabrirão suas garrafas de uísque. Farão o mesmo aquelas figuras conhecidas que exalam os maus odores da ira quando um endinheirado é preso.

Como obra de suas mãos, o Brasil se terá tornado um país pior para se viver. A vontade e a dignidade nacional sangrarão no pelourinho! Mas quem se importa com isso no STF? Lisboa, onde eles passam mais tempo, e a civilização ficam logo ali.

7 thoughts on “O Supremo, santuário do crime, coloca a nação no pelourinho judiciário

    • Deve ser por isso que o articulista falou de “entre 4 e 84 mil”, não de 190 mil.

      Se o Puggina falou de 190 mil presos em outro texto não faço idéia, nem sempre leio tudo que sai aqui.
      Espero que meu comentário tenha sido claro o suficiente.

  1. Se a canalha do stf revogar a prisão na segunda instância, que eles mesmo aprovaram há algum tempo, ficará definitivamente provado que, os que assim o fizer, terão demonstrado cabalmente suas parcerias com os criminosos, que ele querem beneficiar e que todo o país sabe quem são.

  2. Magnífico artigo.

    Mas devemos esperar qual conduta da pior composição do STF que o Brasil já teve ?

    Não tento esperança. Em Brasília, o túmulo do Brasil, todo e qualquer ato contra o povo brasileiro pode ser consumado.

  3. Artigo faz autopsia desse STF que está stf, com maioria de sinistros. Pobre Brasil, 220 milhões escravos dessa corrupção desenfreada. Almas trevosas, o tumulo se abrira, para a prestação de contas de tuas Obras, Jesus o Cristo pois a vida continua, “A cada um segundo suas Obras e Pagarás até o último ceitil” no tribunal da Consciência

  4. O STF parece mais o Flamengo, único clube que se considera uma nação, mas é pura vaidade, pois está mais.preocupado com.as merdas de titulos do que as famílias de suas vitimas fatais.
    A mídia faz o flamengo e a mentira o STF.

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