O tempo passa e o corte de ministérios continua um mistério

Deu na Folha

A presidente Dilma Rousseff deve receber esta segunda-feira (21) uma proposta concreta de seu núcleo político para o corte de pelo menos dez de seus 39 ministérios, como uma das respostas à crise que acomete seu governo.

A ideia é mostrar que o Palácio do Planalto “também vai cortar na carne”, como têm repetido diversos ministros, mas, até agora, o redesenho final da Esplanada ainda não está sobre a mesa da presidente.

Auxiliares de Dilma acreditam que, necessariamente, haverá a redução do número de secretarias – hoje o governo conta com 15 secretarias e órgãos vinculados à Presidência com status de ministério.

No cenário mais provável do corte, as secretarias de Portos e Aviação Civil seriam integradas ao Ministério dos Transportes, que deve ser assumido pelo ministro Eliseu Padilha, hoje à frente da Aviação Civil.

O atual ministro dos Transportes, Antonio Carlos Rodrigues (PR), deve ser nomeado para uma pasta de menor importância orçamentária, que ainda não está definida.

DEMANDA DO PT

Ainda nesse desenho, a presidente manteria as secretarias de Política para as Mulheres e de Igualdade Racial, que inicialmente eram dadas como certas no corte. O gesto é uma demanda do PT, que insiste que o governo deve fazer acenos à esquerda. Para os petistas, extinguir esse tipo de pasta criaria desgaste com a militância e a cúpula do partido.

Além disso, o Banco Central perderia o status de ministério, assim como o GSI (Gabinete de Segurança Institucional), a CGU (Controladoria Geral da União), a AGU (Advocacia Geral da União) e a SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos).

Por fim, Dilma acabaria com a SRI (Secretaria de Relações Institucionais) e integraria a Secretaria de Micro e Pequena Empresa ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

O objetivo dessa proposta é preservar também a Secretaria de Direitos Humanos, que, inicialmente, poderia ser alçada para o Ministério da Justiça ou para a Secretaria-Geral da Presidência.

MAIS DOIS CENÁRIOS

Apesar desse ser o mais plausível, Dilma tem ainda outros dois cenários que devem ser debatidos com os aliados. Em todos eles, os desenhos mostram que os principais partidos que dão sustentação ao governo não perderão tanto espaço quanto parece.

O PMDB, por exemplo, perderia em número de pastas, mas aumentaria a qualidade, com a proposta de juntar Portos e Aviação Civil, ambas com o partido e da cota do vice-presidente Michel Temer. E Padilha, que ajudou o vice na articulação política até agora, sairia fortalecido com o comando dos Transportes.

O problema dos peemedebistas seria o Ministério da Pesca, que desalojaria Helder Barbalho caso fosse incorporado à Agricultura.

Mesmo assim, o cálculo do governo é que em nenhum desses ministérios há risco de rebelião mais forte dos aliados, o que poderia ocasionar novas derrotas no Congresso ou até abrir mais espaços para um processo de impeachment contra a presidente.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
As especulações vicejam e proliferam, porque o governo não sabe o que fazer. O objetivo principal, que até parece ser único, é evitar o impeachment ou a cassação. No sábado, surgiu a informação de que, para evitar a queda, Dilma está oferendo mais três ministérios ao PMDB e só falta pedir Eduardo Cunha em casamento. Ou seja, a confusão é geral. (C.N.)

3 thoughts on “O tempo passa e o corte de ministérios continua um mistério

  1. Já corre a boca pequena, que a presidente foi aconselhada a deixar o tal corte nos ministérios, para depois da votação do pacotão.

    PARA UM BOM ENTENDEDOR………………

  2. Façam as contas: Dilma não está cortando coisa nenhuma. Está apenas remanejando o status de algumas pastas, e preservando todas que o PT pediu. De corte de cargos ainda não se falou nada. Não vai diminuir pessoal nem espaço ocupado. É conversa fiada para fingir que está fazendo economia e poder aumentar impostos.
    Numa situação como estamos, não tinha que estar negociando com ninguém antes de definir os cortes; tinha que definir primeiro e depois de definidos então é que poderia negociar quem fica com o que sobrou.
    Vai apenas criar confusão sem adiantar nada.

  3. Cotar 10 Ministério é apenas para propagandear que esta cortando na carne.
    O corte desse Ministérios não representa nem 1/10 do que deveria ser cortado.

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