O time reserva ou uma nova seleo?

Carlos Chagas

Quinta-feira o presidente Lula rene o ministrio, pela primeira vez no ano. Tudo indica que ser a ltima, ao menos na atual composio, tendo em vista que pelo menos 16 ministros deixaro seus cargos para candidatar-se s eleies de outubro. No sairo todos de uma vez, mas, de acordo com suas convenincias. O prazo esgota-se a 31 de maro. Existem os que permanecero ministros at o minuto final, como Dilma Rousseff, da Casa Civil, e os que pretendem antecipar a cerimnia do adeus para logo depois do Carnaval, na segunda quinzena de fevereiro, como Tarso Genro, da Justia, e Reinhold Stephanes, da Agricultura.

Apesar de a reunio ministerial dar a impresso de constituir-se num comcio eleitoral em favor da candidatura de Dilma Rousseff, espera-se que o presidente Lula sinalize a respeito das substituies. O primeiro-companheiro j no parece entusiasmado pela estratgia de aproveitar todos os secretrios-executivos das pastas que ficaro vagas. Est atento ao fato de que, apesar do valor e da competncia de cada um dos reservas dos ainda ministros, certos ministrios exigem a convocao de craques capazes de exprimir o primeiro time, vindos de outros clubes e estdios.

Sendo este o derradeiro ano de mandato do presidente Lula, portanto um dos mais importantes, a lgica indicaria a necessidade do aproveitamento de figuras exponenciais encontrveis mais na sociedade civil do que nos partidos. Afinal, poltico que se preza no refuga eleio. A maioria dos atuais deputados e senadores concorrer no mnimo reeleio, tornando-se, assim, impossibilitados de ocupar ministrios.

Todo cuidado pouco

Dada a lambana resultante da divulgao do III Plano Nacional de Direitos Humanos, o governo decidiu botar o p no freio na elaborao do texto final da Consolidao das Leis Sociais. preciso evitar confrontos e conflitos capazes de surgir da disposio do presidente Lula de no apenas reunir as iniciativas j tomadas no campo das relaes do trabalho e correlatas, mas de anunciar novas disposies que beneficiem os assalariados sem prejudicar os empresrios. Tarefa muito difcil, por sinal, ainda mais depois de ter ficado exposta a fraqueza do governo, que na questo dos direitos humanos recuou por presso dos militares e da Igreja. Por que no recuar se a moda pegar do lado da indstria, do comrcio e dos servios? O desgaste seria dobrado, num ano eleitoral e, por isso, a redao da Consolidao das Leis Sociais transcender os limites do ministrio do Trabalho. Passar pelo crivo da equipe econmica e, espera-se desta vez, ser lida minuciosamente pela Casa Civil.

Injustias

O trgico desaparecimento da dra. Zilda Arns, no Haiti, leva a um raciocnio lateral, de que o Terceiro Mundo ainda permanece desconsiderado pelos pases ricos. O Prmio Nobel da Paz j foi concedido a representantes do Hemisfrio Sul, como no caso de Nelson Mandela, mas a prevalncia continua para luminares oriundos l de cima, como ainda no recente caso de Al Gore.

O Brasil j deveria ter recebido esse prmio, no mnimo para D. Helder Cmara e para Zilda Arns, sem falar no irmo dela, D. Evaristo Arns. Nossa contribuio para a paz no mundo tem sido bem maior que a de cidados de pases permanentemente empenhados em guerras.

Fardado por que?

Ainda a respeito do horror acontecido no Haiti, vale comear elogiando o ministro da Defesa, Nelson Jobim, pela iniciativa de haver-se deslocado para aquele pas nas primeiras horas de conhecida a tragdia. Reconhecimento extensivo aos comandantes do Exrcito e da Marinha.

Agora, no pode passar despercebido um episdio singular: por que Nelson Jobim apresentou-se fardado, se nem reservista , muito menos oficial ou subalterno militar? Foi no mnimo inusitado ver na televiso sua imagem envergando uniforme camuflado de campanha, boina verde e coturnos. Nem os generais-presidentes, enquanto na chefia do governo, foram vistos usando farda, apesar de disporem desse direito.

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