O trator ruralista avança sobre os indígenas

Costa recebeu o apoio das lideranças indígenas

Bernardo Mello Franco
Folha

Durou 112 dias a gestão de Toninho Costa na presidência da Funai. Demitido na sexta-feira, ele saiu atirando. Convocou a imprensa e acusou o ministro da Justiça, Osmar Serraglio, de interferir no órgão para favorecer o lobby ruralista. Especialista em saúde indígena, Costa relatou pressões para entregar cargos técnicos a políticos aliados ao governo. Acrescentou que Serraglio, filiado ao PMDB de Michel Temer, atua como despachante do agronegócio na Esplanada. “Ele não está sendo ministro da Justiça, está sendo ministro de uma causa”, resumiu.

A captura da pasta e a intervenção na Funai são faces da mesma ofensiva. Ela também desossou o Ministério do Meio Ambiente, que perdeu quase metade do orçamento, e abriu caminho para uma nova escalada da violência no campo. Só nas últimas três semanas, a pistolagem matou nove lavradores em Mato Grosso e feriu dez índios no Maranhão.

O trator avança com combustível garantido pelo Planalto. A bancada ruralista nunca mandou tanto num governo, e tem aproveitado cada chance para demonstrar força e acertar contas com adversários.

PARECER FINAL – Há quatro dias, o deputado tucano Nilson Leitão apresentou o relatório final da CPI da Funai e do Incra. Propôs o indiciamento de mais de cem pessoas, incluindo antropólogos, líderes indígenas, ativistas católicos e até procuradores que defendem a demarcação de terras. Como os ruralistas dominam a comissão, o texto deve ser aprovado com folga.

Leitão é o mesmo deputado que quer abolir a CLT no campo e permitir que os trabalhadores rurais passem a receber parte do salário em casa e comida. Se deixarem, a turma ainda propõe a revogação da Lei Áurea, prestes a completar 129 anos.

O agronegócio é vital para a economia brasileira e pode ajudar o país a sair da crise. Para isso, não precisa tratorar índios, devastar florestas ou ser representado por gente que defende ideias retrógradas, derrotadas pelo movimento abolicionista.

7 thoughts on “O trator ruralista avança sobre os indígenas

  1. Esta é outra chaga aberta, permanentemente.
    Anos e anos e pouco foi resolvido.
    Falta trabalho profissional sério e um projeto nacional (não de governos).
    Temn de tudo. De invasão de terras indignas a mal uso delas pelos próprios índios.
    Sem contra com a discussão infindável da defesa da cultura indígena. Uma hora tem de manter os índios como eram 500 anos atrás. Outra que é preciso levar aos indígenas os progressos.
    E entre uma e outra, tudo acaba em bagunça!
    E isto será assim, até o fim dos índios.
    RFallavena

  2. Fallavena tem razão. O assunto indígenas não pode ser tratado de modo passional.

    Tem muita gente enriquecendo nas costas dos índios e à custa dos bolsos dos cidadãos que trabalham.

    O Brasil é uma nação mestiça e como tal deve ser observada, estudada e entendida.

    Por acaso os brasileiros sabem que o Marechal Rondon era filho de índia e neto de índios ? Que possuía 75% de sangue indígena ?

    Observem as fotografias que são tiradas em cidades do norte e do nordeste do Brasil e reparem nos traços da população que circula pelas ruas. A expressiva maioria é de mestiços ou se europeus puros ?

    Por qual razão foi paralisada a CPI da Funai ?

    • celsoF, pura verdade.
      Aliás, TUDO o que é feito em nosso país é provisório, apaga incêndio ou rouba-rouba.
      Após mais de 30 anos da redemocratização, não temos um setor funcionando direito.
      Acabo de saber que os correios não estão em greve!
      ontem diziam que estavam e negociando. Dos 36 sindicatos que os representam, 33 aceitaram a proposta.
      Deus, 36 sindicatos só dos correios!
      Você acha que um país assim pode funcionar?
      Abraço e saúde.
      Fallavena

    • Prezado lucas
      Aprendi a buscar a responsabilidade pelos erros cometidos.
      Faz muito cobro de todos aquilo que já assumi também.
      Democracia é organização, participação, consciência e responsabilidade do povo e não de seus representantes.
      Cobrar dele é inverter a ordem do processo. Eu te escolho e sou responsável pela escolha. Tu és o responsável pela confiança que te passei. Mas não podemos esquecer: tudo mandato é, inicialmente, responsabilidade de quem vota.
      Por esta razão, sempre cobro primeiro do eleitor e não do eleito.
      O povo brasileiro, por omissão, escolha e erros ao longo das últimas décadas, é que colocou a democracia na situação em que está.
      E só ele pode reparar, se for pela democracia.
      Abraço.
      Fallavena

  3. O autor do artigo critica os ruralistas e endeusa os indígenas durante o dia e, À NOITE, vai jantar o ARROZ produzido pelos ARROZEIROS, temperado com a PICANHA produzidas pelos PECUARISTAS, assada em carvão originário de vegetação de ÁREA DESMATADA e, se a digestão não for perfeita, irá tomar um remédio feito por alguma multinacional capitalista do tipo CIBA-GEIGER…
    E, depois do bucho bem cheio, vai dormir em uma mansão construída em TERRENO que séculos atrás foi tomado dos indígenas!!!

    -Deve ser por isso que a VENEZUELA, o paraíso da IDEOLOGIA ESQUERDISTA na terra, está cheia de imigrantes americanos e de indígenas brasileiros, todos ilegais e fugidos das ideias contrárias ao MOVIMENTO CONTRA O ABOLICIONISMO direitista!!!

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