O três reis “magros”, na poesia humorística de Olegário Mariano

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Mariano, retratado por Portinari

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O diplomata, político e poeta pernambucano Olegário Mariano Carneiro da Cunha (1889-1958), num soneto bem-humorado, afirma ter uma mulher amado “Os Três Reis Magros”, ou seja, três peraltas, cada qual pior, na opinião do poeta.

OS TRÊS REIS MAGROS
Olegário Mariano

Amas a três peraltas. Dividida
tua alma é deles. Cada qual pior.
Andam-se engalfinhando toda a vida…
Gaspar e Baltasar e Melchior.

Este joga foot-ball. É um rei do sport,
difícil de levar-se de vencida.
Aquele tem uma barata Ford.
E o outro é um bate-calçadas da Avenida.

Isso é um nunca acabar! De luta em luta,
de mentira em mentira, esperta e astuta,
vais a vida levando…Mas bem vês:

tornas teus dias cada vez mais agros
e, dando o coração aos três reis magros,
ficas mais magra do que todos três.

One thought on “O três reis “magros”, na poesia humorística de Olegário Mariano

  1. Muito boa esta posta Paulo Peres, para quem conhece Olegario Mariano como “o poeta das cigarras”, conforme ficou rotulado. Eu particularmente, amo cada poesia de suas cigarras
    O ENTERRO DA CIGARRA
    As formigas levavam-na… Chovia…
    Era o fim… Triste outono fumarento!…
    Perto, uma fonte, em suave movimento,
    Cantigas de água trêmula carpia.
    Quando eu a conheci, ela trazia
    Na voz um triste e doloroso acento.
    Era a cigarra de maior talento,
    Mais cantadeira desta freguesia.
    Passa o cortejo entre árvores amigas…
    Que tristeza nas folhas… Que tristeza!
    Que alegria nos olhos das formigas!…
    Pobre cigarra! Quando te levavam,
    Enquanto te chorava a Natureza,
    Tuas irmãs e tua mãe cantavam…

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