O vazio e o inútil na pesquisa Dilma-Serra. Segundo a Folha e o Datafolha, Serra tem 37 por cento, Dona Dilma 23 e Ciro Gomes 13. Nenhum deles é candidato ou parece vencedor. Se não são nem parecem candidatos, o que fazer? Os exemplos dos EUA, a derrota inesperada de Nixon em 1960, a vitória ignorada em 1968

Gastam tempo, dinheiro, espaço, falseiam números, indicam preferências, especulam audiências, garantem supremacias, utilizando cidadãos “ouvidos” não se sabe onde, e que respondem não se sabe a que perguntas. Esse é o universo da “eleição”. E da pesquisa. Ou da “pesquisa”?

Pesquisadores arrogantes, enfatuados, petulantes, supostamente bem equipados, juntam tudo que apuraram em pouco tempo, e manipulam a opinião pública com os resultados que já levavam imprudentemente concluídos.

Esbravejam de forma estridente: “José Serra tem 37 pontos contra 23 de Dona Dilma”. O jornalão e mais o órgão de pesquisa, “descobrem” o que já se sabia há muito tempo: “Heloísa Helena não é candidata”. Pasmo. Assombro. Esperança ou desesperança. Não comentam porque isso não está no manual distribuído pela ANJ. (Associação Nacional de “Jornais”).

Se estivesse, perguntariam para dissipar as próprias dúvidas e não as dos leitores: “Heloísa Helena, candidata em 2006, não é mais?”. Contrariando tudo, iriam mais longe: “Ela deixou de ser senadora em 2006 para voltar ao senado em 2010?”. Não entra na cabeça deles, isso que chamam de dubiedade, que palavra.

Insistem em fazer pesquisa praticamente 1 ano antes da eleição, tentando adivinhar o destino e o futuro de cidadãos que não se definiram e se recusam a fazer afirmações. É fácil revelar sem precisar de pesquisas que começam e terminam na incógnita das indefinições.

Serra não sabe se sai ou se fica, Aécio tem que sair, Ciro mudou de domicílio habitual mas não se fixou nem mesmo no tipo de candidatura. Ele e Serra têm a mesma indefinição e surpreendentemente em relação aos mesmos cargos. Os dois hesitam, sofrem e se angustiam, não sabem se disputam o governo de São Paulo ou uma locação no Planalto-Alvorada. E para complicar mais as coisas, prejudicam a RENOVOLUÇÃO, já disputaram a Presidência da República em 2002.

Agora, Ciro e Serra foram buscar no Datafolha a adrenalina que não conseguiram na Primeira do jornalão. Lá está dito, “cai a diferença entre Serra e Dilma”, o que não agradou muito ao governador, mas era uma insatisfação transitória. Essa insatisfação aumenta na página 4, Serra lê entristecido: “Dilma se consolida em segundo, reduz a diferença para Serra”.

Incansável, o governador, (com muito tempo disponível, e não precisando se preocupar com as enchentes que só atingem os pobres) continua folheando (ou “folhando”?), vai até à página 7, descobre com enorme satisfação a manchete: “Serra vence Dilma e Ciro no segundo turno”.

Fazem cálculos e elucubrações, concluem: “A saída de Heloísa Helena favoreceu Marina Silva”. Não percebem coisa alguma e passam para o cidadão-contribuinte-eleitor, esse equívoco de análise. Marina hoje, é a Heloísa Helena de 2006.

No estranho, esdrúxulo e extravagante presidencialismo-multipartidário do Brasil, não há lugar para ninguém fora dos grandes partidos. Dona Marina é respeitada, tem votos respeitáveis, mas não irreversíveis e vencedores.

Podem argumentar que Collor se elegeu em 1989 disputando por um partido inexistente. É verdade. Mas a última eleição acontecera em 1960. 30 anos depois, na confusão da transição comandada pela própria ditadura ou alguns remanescentes, (não confundir com resistentes) foi eleito.

Todos os grandes adversários (Doutor Ulisses, Covas, Lula, eram de São Paulo. E mais Leonel Brizola, que se recusava a ir a esse mesmo São Paulo). Do dinheiro que empresários de São Paulo despejaram na campanha de Collor, ele mesmo assombrado declarou: “Sobraram 52 milhões, além de financiarmos os mais diversos candidatos”.

Fizeram as mais diversas “maquinações” e não chegaram a nenhum resultado, pelo fato de não tratarem de candidatos e sim de alternativas. E “esqueceram” de Roberto Requião, que não é opção e sim uma escolha. E sem problemas de espécie alguma. Reeeleito, tem que deixar o governo em 31 de março. Se não obtiver a legenda do PMDB, a qualquer momento pode ser senador, (não confundam com candidato a senador) nenhum perigo de perder.

Pesquisas são divagações do sistema. Agora mesmo, no Chile, Dona Bachelet, popularíssima, com 80 por cento nas pesquisas, só passou 30 para o candidato. É bem verdade que ele já havia sido péssimo presidente, mas aparecia como favorito.

* * *

PS – Indo mais longe, nos EUA, dois fracassos monumentais das pesquisas. 1960 – Nixon, senador e 8 anos vice presidente absoluto de Eisenhower, favoritíssimo, perdeu para Kennedy. 1968 – Kennedy ganhou, assumiu, governou, foi assassinado. Nixon 8 anos depois, ignorado por todos, foi candidato, não aparecia nas pesquisas, ganhou e repetiu em 1972.

PS2 – O New York Times, tentando remediar o erro e o fracasso, deu na Primeira: “Nixon, a maior ressurreição, depois da Ressurreição de Lázaro”. Quer dizer, não se justificou, mas se satisfez 2 anos depois, com o impeachment que não houve. Mas tiraram Nixon do Poder.

PS3 – No dia 20 de dezembro de 1955, na belíssima ilha Key West, Juscelino se encontrou com o presidente Eisenhower. Este convalescia de um enfarto, JK era presidente eleito e ainda não empossado, fazia viagem pelo mundo. No dia 23 foi para os EUA, Nova Iorque, Washington, hospedado na Blair House, quase em frente à Casa Branca, na mesma Avenida da Pensilvânia. Nixon, durante dois dias mostrou a JK, todas as 134 salas da ala presidência e a parte residencial. Inesquecível.

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