OAS apoiou Lula, mas lesou outros 500 compradores de imóveis

Sem carro, sem fgts, sem casa - Para comprar um apartamento da Bancoop, o vendedor Rogério Navarro e a mulher, a professora Silvana, rasparam o saldo do FGTS e venderam o carro. A ideia era parar de pagar aluguel e atender ao pedido da filha, que sempre quis um quarto só para ela. Só que a Bancoop quebrou, a OAS assumiu a obra e o prédio nunca saiu do chão. Hoje, Navarro e a família vivem de aluguel em um apartamento na Zona Leste. Ele diz não ter mais esperança de receber a casa. “Nunca mais tivemos notícias da OAS.”

Silvana e Rogério perderam a esperança de receber o apartamento

Pieter Zalis

Passados quase dez anos desde que a Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop) quebrou, e seis desde que a OAS começou a assumir alguns de seus empreendimentos, compradores de cerca de 500 imóveis até hoje não ouviram o tilintar das chaves do apartamento. Quando a cooperativa quebrou, em 2006, deixou quinze obras inacabadas. Oito foram repassadas para a OAS. Outras duas foram transferidas para construtoras menores – a MSM e a Tarjab, que concluíram os empreendimentos no prazo. Já no lote da OAS, três empreendimentos nunca ficaram prontos. Localizados em diferentes bairros de São Paulo, eles hoje se encontram abandonados.

Para comprar um apartamento da Bancoop, o vendedor Rogério Navarro e a mulher, a professora Silvana, rasparam o saldo do FGTS e venderam o carro. A ideia era parar de pagar aluguel e atender ao pedido da filha, que sempre quis um quarto só para ela. Só que a Bancoop quebrou, a OAS assumiu a obra e o prédio nunca saiu do chão. Hoje, Navarro e a família vivem de aluguel em um apartamento na Zona Leste. Ele diz não ter mais esperança de receber a casa. “Nunca mais tivemos notícias da OAS.”

OBRAS ABANDONADAS

No Residencial Casa Verde, na Zona Norte da capital, há apenas um grande bloco de concreto onde deveria estar a garagem, e mais nada. A vegetação tomou conta do lugar. Os únicos funcionários que aparecem de tempos em tempos são faxineiros encarregados de dar fim a tudo o que possa se transformar em foco de criação do Aedes aegypti. No Liberty, no centro de São Paulo, a obra avançou um pouco mais antes de também parar. O esqueleto da construção foi erguido, mas ainda não tem nem elevador. A situação não é melhor no Villas da Penha II, na Zona Leste: embora algumas poucas casas projetadas tenham saído do papel, continuam sem portas nem janelas.

A OAS, em recuperação judicial desde que foi tragada pelo escândalo de corrupção na Petrobras, simplesmente diz que não tem dinheiro para terminar o que começou. Ainda há um quarto prédio inacabado, porque quem não quer que a empresa siga com a obra são os próprios ex-cooperados da Bancoop. Eles brigam na Justiça para que a OAS perca o direito sobre o prédio, por discordarem das condições estabelecidas para a retomada da construção. Ao todo, chega perto de 500 o número de ex-cooperados da Bancoop que, nas mãos da OAS, nunca receberam seu apartamento ou brigam na Justiça para não perdê-lo. É uma situação bem diferente da do ex-presidente Lula e seu hoje famoso tríplex do Guarujá, caprichosamente reformado e mobiliado pela empreiteira investigada na Lava-Jato.

CONTABILIDADE FRAUDADA

A Bancoop foi criada em 1996 com a promessa de oferecer a seus associados imóveis a um custo 40% menor que o do mercado. Em sua maior parte, os cooperados eram filiados ou parentes de filiados ao Sindicato dos Bancários, por sua vez, ligado ao PT. Em 2006, a Bancoop fechou, deixando um rastro de prédios inacabados e centenas de famílias na ruína. Em 2010, ao varrer os subterrâneos da entidade, o Ministério Público descobriu o que a levara a quebrar. As investigações da contabilidade da cooperativa revelaram práticas estarrecedoras. Extratos bancários indicavam volumes milionários de saques em dinheiro feitos por meio de cheques emitidos pela Bancoop a si mesma ou ao seu banco.

Outros cheques mostravam de forma mais clara os seus destinatários: dirigentes da cooperativa, os cofres do diretório nacional do PT e até um ex-segurança do então presidente Lula, Freud Godoy, já conhecido por seu envolvimento no “escândalo dos aloprados”. A conclusão do MP à época foi que dirigentes da entidade, além de encher os próprios bolsos, haviam usado o dinheiro dos cooperados para financiar campanhas eleitorais de candidatos do PT, repassando valores para empresas de fachada que faziam “doações oficiais” aos seus comitês eleitorais.

VACCARI ERA O CHEFE

Entre os diretores da Bancoop denunciados pelo MP à Justiça estava João Vaccari Neto. O ex-tesoureiro do PT, agora réu no processo do petrolão e preso desde abril, responde no caso da cooperativa por estelionato, formação de quadrilha, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Afirma o promotor José Carlos Blat, responsável pela investigação: “A Bancoop foi o embrião dos grandes esquemas criminosos que vieram em seguida, como o mensalão e o petrolão”.

Agora, uma nova apuração do MP, também conduzida por Blat, verifica se houve ilegalidade no repasse das obras da Bancoop para a OAS e se isso acarretou prejuízo para os mutuários. Na semana passada, Veja ouviu os relatos de cooperados que afirmam ter sido coagidos pela empreiteira a aceitar termos duríssimos em troca da manutenção de seus contratos. Alguns perderam com eles as economias de toda uma vida. Outros ainda lutam para um dia ao menos poder colocar os pés naquilo que foi um sonho. Nenhum deles relata ter sido convidado a vistoriar seu imóvel na companhia do presidente da OAS.

8 thoughts on “OAS apoiou Lula, mas lesou outros 500 compradores de imóveis

  1. Apesar da imensa desonestidade, Lula não tem um pingo de vergonha, ou pudor. Foi capaz de receber “de presente” esse apartamento triplex logo num edifício iniciado pela BANCOOP, a qual de um imenso golpe em inúmeras famílias.

    Aliás, essas famílias enganadas possuíam alguma ligação com o Sindicato dos Bancários, e confiaram plenamente na “chancela” dessa entidade sindical conferindo idoneidade à tal BANCOOP.

    É muita desfaçatez! Caso o escândalo não tivesse vindo à tona, Lula e família desfrutariam tranquilamente do luxuoso triplex. E não se importariam de forma alguma com as famílias lesadas.

    • Sabe por quê (?), Angela. Sindicalismo é sinônimo de compadrio. De um modo geral, os trabalhadores dirigentes de sindicatos são muito bons de “gogó”. Simples assim. Abominam o trabalho. O picareta-mor é a expressão do que digo aqui. Onde trabalhou, por curto período, conseguiu acidentar-se. Acidentes acontecem, mas o dito-cujo, daí prá frente, incorporou, como ferramenta de trabalho, o microfone e começou a debutar nos portões das indústrias. O resto você conhece. E o pior: fez escola – para nossa desgraça.

  2. PT é amoral, pergunta: o Ministério Público, vigilante da LEI, com tantos anos, onde anda, a Justiça lenta e cara, não se pronuncia, está tudo dominado pelo PT e quadrilha, o STF não nos deixa mentir, como dizia RUI BARBOSA: “JUSTIÇA TARDIA NÃO É JUSTIÇA”, se fosse na CHINA, estariam presos ou fuzilados,mas aqui éo BRASIL, terra da corrupção, rouba-se milhões, hoje na casa dos bilhões, e o Executivo só pensa em aumentar impostos para serem roubados, que já alcançaram o patamar de 6 salários anuais. LULA é BANCÁRIO?, para comprar na COOPERATIVA, isso é crime hediondo, esse Vacari, merece prisão perpetua. PT e associados transformaram o POVO, em ESCRAVO, independente da “cor da pele”, em sustentar a podridão nos 3 PODERES, Madame incompetente, quer acabar com o que resta de DIREITOS DO TRABALHADOR.
    SALVE O dr. Sergio Moro (JUIZ) e Equipes MPF E PF, (ESSE É JUIZ), ESTÃO DANDO UMA LIÇÃO DE HONRA E DIGNIDADE DE SERVIDORES PÚBLICOS, HONRANDO O SALÁRIO, QUE LHES PAGAMOS, O RESTO É O RESTO!.

  3. Parece que o Bumlai está ficando nervoso..

    Para ter bens desbloqueados, amigo de Lula ataca ‘os caciques do PT’

    Por Ricardo Brandt, Fernanda Yoneya e Fausto Macedo

    06/02/2016, 09h00

    Por seus advogados, pecuarista José Carlos Bumlai pede a juiz da Lava Jato que libere seus ativos – confiscados desde novembro de 2015 -, e diz que ‘seria mais coerente’ que sequestro atingisse dirigentes do partido, Banco Schahin e ex-executivos da Petrobrás.
    O pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula, pôs um fim nas relações muito próximas que mantinha com o PT. Por meio de seus advogados, ele pediu ao juiz federal Sérgio Moro que libere seus bens – confiscados desde novembro, quando foi preso na Operação Passe Livre, desdobramento da Lava Jato. A defesa alega que todos os ativos que Bumlai amealhou “possuem origem comprovadamente lícita”.

    Eles partem para o ataque a outros protagonistas do episódio que envolve um enigmático empréstimo milionário do próprio Bumlai realizado em outubro de 2004 no Banco Schahin e a contratação para operar o navio-sonda Vitória 10.000.
    “Seria mais coerente impor a constrição aos corréus, os afagados e protegidos donos do Banco Schahin, aos caciques do PT ou ainda aos que compunham a Diretoria Internacional da Petrobrás pois, se existe alguém que teve ganho patrimonial com a pouca-vergonha da contratação fraudulenta do tal navio-sonda, certamente não foi o peticionário (Bumlai)”, afirmam os criminalistas Arnaldo Malheiros Filho, Daniella Meggiolaro, Conrado de Almeida Prado e Lyzie de Souza Andrade Perfi, defensores do amigo de Lula.
    O ataque de Bumlai escancara o rompimento com o partido que seu amigo fundou no início dos anos 1980. Admirador de Lula, a quem conheceu em 2002, o pecuarista se prestou a fazer o empréstimo que o levou à prisão no dia 24 de novembro de 2015, sob acusação formal de gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. Isolado, na iminência de uma pesada condenação que o juiz da Lava Jato poderá lhe infligir, Bumlai foi para cima do PT.
    A origem da acusação ao pecuarista é exatamente o empréstimo de R$ 12,17 milhões no Schahin, dinheiro que, segundo Bumlai, foi integralmente destinado ao PT. Na ocasião, afirmou, o partido de Lula atravessava dificuldades de caixa e necessitava de reforço para saldar dívidas de campanha.

  4. A OAS não só deu apoio ao lulamolusco, vários políticos também se beneficiaram da empresa do famoso ACM – o Capo do Nordeste., entre eles estão a Quadrilha do Efeagacê alckimintira….

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