Obama, Cuba e o fim do bloqueio comercial

Barack Obama e Raúl Castro mostram que a convivência é viável

Mauro Santayana
Hoje em Dia

Em encontro histórico no Panamá, o Presidente dos EUA, Barack Obama e o de Cuba, Raul Castro, colocaram fim a um confronto de décadas, concluindo movimento de reaproximação que começou com aperto de mãos entre os dois dirigentes, a poucos metros da Presidente Dilma Roussef, na tribuna de honra do funeral de Nelson Mandela, no dia 10 de dezembro de 2013.

Antes mesmo do início das negociações diplomáticas com os EUA, Cuba já estava plenamente integrada ao resto do mundo e à América Latina. Os investimentos estrangeiros na ilha somam bilhões de dólares. Há poucas semanas, foi realizada a trigésima-segunda edição da feira Internacional de Havana, com a presença de 2.000 empresas de 60 países, entre eles a Alemanha, que esteve representada por 37 empresas, entre elas a Bosh, a MAN e a ThyssenKrupp.

A iniciativa de Barack Obama de se reaproximar com Cuba foi corajosa, mas necessária. Ao insistir em manter o bloqueio econômico sobre a ilha, os EUA estavam cada vez mais isolados, nessa questão, com relação ao resto do mundo.

CONDENAÇÃO NA ONU

Em outubro do ano passado, a Organização das Nações Unidas condenou , pela vigésima-terceira vez desde 1992, o embargo norte-americano contra Cuba. Cento e oitenta e oito países votaram contra os Estados Unidos, e a favor de Cuba. Três (as Ilhas Marshall, a Micronésia, e Palau), se abstiveram. E os únicos votos a favor de Washington foram o de Israel e o dos próprios EUA.

Em 2014, 3 milhões de turistas visitaram Cuba, que está mais para um paraíso tropical, do que para o sombrio campo de concentração pintado por publicações como o “Reader´s Digest” durante a Guerra Fria – cujo fim foi anunciado agora por Obama.

O mais famigerado campo de prisioneiros em Cuba não é cubano, mas norte-americano, Obama já se comprometeu a fechá-lo, e funciona em uma base militar dos EUA no enclave de Guantánamo.

PASSAPORTES

Há quase dois anos, qualquer cubano está liberado para montar o seu próprio negócio, tirar passaporte e viajar para o exterior, desde que tenha visto para o país de destino, incluídos dissidentes como a blogueira Yoani Sanchez, que já esteve no Brasil, e que vive em confortabilíssimo – para os padrões cubanos – apartamento em Havana, sem ser incomodada, presa ou torturada, como ocorreria caso tivesse vivido, em passado historicamente recente, em muitos países latino-americanos.

Enquanto isso, na contramão da história, assiste-se, no Brasil, ao ressurgimento de um anticomunismo tosco, anacrônico, rancoroso e desequilibrado. Malucos veem perigosos agentes comunistas por trás dos médicos cubanos que estão aqui trabalhando – em tudo iguais aos médicos cubanos que trabalham em cooperação com os Estados Unidos no combate ao Ebola na África – ao mesmo tempo em que usam e exibem aparelhos eletrônicos montados por empresas estatais chinesas, com participação acionária do Partido Comunista, na República Popular da China.

12 thoughts on “Obama, Cuba e o fim do bloqueio comercial

  1. “Se o papa continuar a falar como ele fala, mais cedo ou mais tarde eu vou começar a rezar novamente e retornar à Igreja Católica, e eu não estou brincando”, disse o presidente de Cuba, Raul Castro em sua visita ao Vaticano = está no 247… quem diria ! …

  2. Bloqueio de nada. Cuba não tem nada o que vender, muito menos dinheiro para comprar absolutamente nada. Ampla a total miséria do povo cubano. Tudo promovido pela ditadura dos irmãos Castro.

  3. Entrevista inédita de Jango expõe sua opinião sobre o golpe militar de 1964

    LUCAS FERRAZ

    ENVIADO ESPECIAL A AUSTIN (EUA)

    O ex-presidente João Belchior Marques Goulart via sua queda no golpe de Estado de 1964 como resultado de uma campanha de “envenenamento” da opinião pública contra o seu governo. “Meu maior crime foi tentar combater a ignorância”, dizia ele.

    Para Jango, criou-se uma confusão entre justiça social (que ele disse ter buscado) e comunismo (que não compartilhava), e que após o assassinato do presidente americano John Kennedy, em 1963, os EUA começaram a derrubar governos constitucionais na América Latina, entre os quais o dele.

    Três anos e sete meses depois de deixar o país, era assim que Jango via o painel da crise que o depôs.

    A Folha encontrou na Universidade do Texas uma entrevista inédita do ex-presidente feita pelo historiador americano John W. Foster Dulles (1913-2008). O depoimento, realizado em 15 de novembro de 1967 em Montevidéu, permaneceu desconhecido desde então.

    No encontro com João Goulart, segundo o relato de Dulles, o ex-presidente comentou a influência dos EUA e o antiamericanismo no Brasil.

    “Não há no Brasil um sentimento contra o povo dos EUA”, disse. “O Brasil quer que a América Latina tenha independência em suas discussões, o país quer que os brasileiros, e isso inclui as classes populares, comandem o próprio destino. O país às vezes sente que há um excesso de interferência dos EUA, que falam muito em democracia, mas deveriam permitir a democracia.”

    Jango creditou sua queda e a de governos democráticos na região, como Argentina e Bolívia, à influência de Lyndon Johnson, presidente que assumiu a Casa Branca após o assassinato de Kennedy.

    A visão do ex-presidente não era correta, mas ele não viveria para ver as revelações sobre a participação americana no golpe: Johnson apenas seguiu o script planejado pelo antecessor, que teve relação amistosa com o brasileiro enquanto eram presidentes.

    Sobre o envenenamento da opinião pública, Jango relembrou a feroz posição da imprensa contra o seu governo. “As pessoas na América Latina não são inclinadas ao comunismo. Justiça social não é algo marxista ou comunista”, ressaltou.

    O ex-presidente alegou ter feito ” grandes concessões a grupos políticos” para promover as reformas de base, uma de suas bandeiras, sem sucesso. À época, seu governo não conseguiu aprovar as reformas, como a agrária, num Congresso de maioria conservadora. “Eram reformas a favor da independência, do desenvolvimento, do bem-estar e da justiça social.”

    Como reconheceu, a lei que regulamentou a remessa de lucros de empresas estrangeiras “causou grande perturbação ao governo”. “As companhias estrangeiras estavam preocupadas. Quando o capital estrangeiro entra e sai, não há vantagem para o Brasil. Ao contrário, esse capital prejudica. Todo capital estrangeiro deveria ser bem-vindo se colaborasse com o desenvolvimento do país.”

    Conforme registrado por Foster Dulles, Jango não queria que as declarações fossem atribuídas a ele, tratando-se apenas de “sentimentos pessoais”, para ajudá-lo a compreender o Brasil.

    O presidente deposto lembrou que o golpe ceifou a oportunidade de o Brasil dar “um grande impulso para o processo democrático” na América Latina. E ainda citou, ao que parece se referindo ao clima político de sua queda, que “o excesso de liberdade é ruim, mas o excesso de oposição também é ruim.

  4. A matança promovida por Che e os irmãos castros, mais de 20 mil cubanos, está registrada em fotos, vídeos e depoimentos do próprio Che, quando num discurso na ONU, já depois de já ter matado milhares. disse que os fuzilamentos continuariam.
    Hoje tudo isso se repete com o Estado Islâmico.

    Em ideologias ou religiões o hediondo encontra justificativas para sua prática.

    O papa vi se encontrar com o genocida Raul.
    Esse mundo….

  5. É o começo do fim da Utopia da Revolução Comunista de Cuba. Cuba não é a China que tem armas de Hidrogênio. Dentro de 20 anos o Capital Americano tomará conta de tudo o que for rentável em Cuba. Certo ainda está FIDEL que diz Não confiar no Governo Americano. Mas os irmãos CASTRO, depois da falência da URSS e da pré-falida Venezuela, não conseguem um SUSTENTADOR para Cuba. E sem um SUSTENTADOR, a Cuba Comunista não se sustenta, pois que Consome muito mais do que produz. Abrs.

  6. Prever o futuro é que é utópico. A revista NEWSWEEK previu a desintegração do PC cubano após o fim da URSS e quebrou a cara nesses últimos 25 anos. A prática demonstrou que o Raul acabou respeitado e reconhecido pelo presidente dos Estados Unidos. Ou vocês acham que presidentes dos EUA respeitam seus lacaios? Dão ordens a eles através de subalternos, como davam ao xá do Iran, ao Stroessner, ao Batista etc. etc. E cospem neles quando caem, como foi o caso da revelação daquela conta de 50 milhões de dólares que o Pinochet mantinha nos EUA sem que ninguém no Chile soubesse. O Obama chama hoje o iraniano Ali Khamenei de Supremo Líder em entrevistas. E breve, breve vai botar o galho dentro em relação ao resistente Assad, da Síria. São governantes que acima de tudo se fazem respeitar, não se dobram aos interesses de dominação dos EUA.

    • Assassinar a própria população desarmada como Che,Fidel e Raul fizeram é crime hediondo.
      O estado Islãmico repete com a sua revolução, a revolução cubana.

      O curioso é que Fidel era advogado, estudou as leis, sabia que para se fazer justiça é preciso julgamento com provas e testemunhas , mas optou pela barbárie do linchamento como método de justiça. Che, médico, preferiu também matar a salvar vidas. Mataram mais que os generais ditadores do Cone Sul.

      Em religiões e ideologias é preciso acreditar nas verdades estabelecidas em detrimento do palpável e do visível.
      É preciso ter fé.
      Aos infiéis a morte.

      Esse mundo…

  7. O governo dos EUA, os senadores lá e a comunidade cubana de Miami majoritariamente aprovam atualmente essa política em relação ao governo cubano. Por que você não se dirige a eles para protestar? Aqui, seus escritos ideológicos e propagandísticos não influem em NADA, ainda mais misturando situações conflitivas no Iraque, na Síria e nos países árabes que nada têm a ver com Cuba e com a América Latina predominantemente cristã.

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