Obama: depois da questão das armas, o caso dos imigrantes

Pedro do Coutto

Em artigo publicado na Folha de São Paulo de 9, Michael Kepp, tradução de Paulo Migliacci, analisa as dificuldades enfrentadas pelo presidente Barack Obama no segundo mandato conquistado nas urnas de 2012 diante do Congresso dos Estados Unidos. Não conseguiu os 60 votos necessários do Senado para aprovar o projeto do governo de maior controle na venda de armas no país, partindo da exigência dos antecedentes dos compradores.

Venceu por 54 a 46, mas a vitória transformou em derrota relativamente ao quorum especial de sessenta por cento exigido pela matéria. Ele se empenhou a fundo, acentua Michael Kepp, inclusive levou a Washington os pais de vinte crianças mortas no episódio do atirador de Newtown. Não influiu na disposição dos seis senadores que faltavam. Dois ou três do Partido Democrata, pelos cálculos votaram contra. A Casa é composta por cem senadores, dois por Estado.

O Partido Republicano tem maioria de um voto. Existe um representante do Partido Independente. Alguns republicanos votaram com a Casa Branca. Os democratas não conseguiram a união esperada. Na Câmara dos Representantes, a vantagem numérica dos republicanos é maior e, portanto, mais decisiva. No Senado, a minoria vitoriosa bloqueou a legítima iniciativa do presidente. De parabéns a indústria das armas. No segmento, a presença de duas empresas brasileiras, as quais, como foi publicado recentemente, são exportadoras para o mercado norte-americano.

NATURALIZAÇÃO

O outro projeto, apoiado por Obama, e que enfrenta resistência é o que cria condições para a naturalização de 11 milhões de imigrantes ilegais. Questão difícil, mas os republicanos temem, nas urnas do ano que vem, reação contrária dos hispânicos que hoje significam treze por cento da população, aproximadamente 39 milhões de pessoas. De qualquer forma integrantes da oposição ao projeto apresentaram nada menos que 300 emendas modificativas. Entre os autores das emendas figuram parlamentares do próprio partido do presidente da República. O projeto está sendo analisado e debatido na Câmara e no Senado. O senador republicano Jeff Sessions, por exemplo, admite a transformação do projeto em lei, mas sua emenda visa a limitar o número dos imigrantes que poderão ser legalizados. A questão também envolve pontos programáticos relativos à permanência no país, uma coisa, conquista da cidadania, outra, direito de voto, uma terceira.

A reforma migratória – acentua a FSP em outro texto – ganhou força no Parlamento depois da reeleição de Barack Obama, que contou com o suporte do eleitorado hispânico, francamente favorável ao projeto de reforma. Mas a oposição passou a se concentrar mais em torno do tema, na esperança de recuperar espaço junto aos eleitores de origem latinoamericana. Surge aí a contradição: quais os posicionamentos, numa questão dessas, que poderão render mais votos nas eleições do ano que vem? As pesquisas de opinião pública vão se suceder, na busca de informação em torno das dúvidas existentes. Inclusive porque como em toda questão política, candidatos às vezes perdem votos de um lado e ganha de outro.

Entretanto, existem aqueles que são reconduzidos de eleição em eleição – nos EUA os deputados enfrentam as urnas de dois em dois anos – exatamente por sua fidelidade ao pensamento das correntes conservadoras que não aceitam mudanças na estrutura social do país. São dificuldades para Obama enfrentar. Somadas à desativação de Guantânamo, anunciada sempre e sempre adiada.

 

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2 thoughts on “Obama: depois da questão das armas, o caso dos imigrantes

  1. Até onde sei, na União dos Estados Unidos da América (50 Estados), a maioria dos Estados já exigem para compra de uma arma de fogo, atestado de antecedentes. É verdade que nas Feiras de armas, essa legislação na prática fica prejudicada. De qualquer forma, até agora o Congresso Americano achou melhor não fazer uma Lei Federal, onde os Estados, que tem autonomia, já Legislam. A arma de fogo, principalmente a de cano longo, está muito associada a Defesa do Lar de um CIDADÃO LIVRE.
    Quanto a Lei de Naturalização de +- 11 Milhões de Imigrantes Ilegais, é complexa porque numa Conjuntura de alto Desemprego/Sub-Emprego, aumentará muito as Despesas Públicas e terá como efeito colateral, atrair outros 12 Milhões de Imigrantes Ilegais em pouco tempo, e ter de se começar tudo de novo. O que é necessário é aumentar o Emprego/Salários nos Países fornecedores de Imigrantes Ilegais. Abrs.

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