Obama não virá em nosso socorro

Carlos Chagas

Viajando hoje para Washington, a presidente Dilma manterá demorado encontro, amanhã, com o presidente Obama. Seis ministros, uma governadora e uma senadora a acompanham. Na bagagem vai a recente determinação ao Banco do Brasil e à Caixa Econômica Federal para a redução dos juros, ao que parece acompanhada da mesma iniciativa por bancos privados.

Mesmo assim, continuaremos com as mais altas taxas do planeta, responsáveis pela invasão diária de milhões de dólares especulativos que assolam nossa economia, vindos de grupos variados, americanos, europeus, asiáticos e até brasileiros. Porque virou moda, entre predadores tupiniquins, enviar grandes quantias para o exterior e, de lá, repatriá-los como investimento estrangeiro, beneficiando-se da alta taxa de juros e saindo outra vez, para reiniciar a ciranda.

A especulação rende mais do que operar uma siderúrgica ou vender produtos primários para a China. Essa farra de dólares, que não cria um emprego nem forja um parafuso, não conseguiu ser interrompida pelo governo Lula e permanece impávida no governo Dilma, apesar de seus estrilos.

Esperar que Obama nos ajude é sonho de noite de verão. A economia americana vale-se da operação para minorar suas agruras. Da Europa, nem se fala. Quanto a nós, o assunto deveria ser entregue à Policia Federal.

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HISTÓRIAS DE FLORES DA CUNHA

O general Flores da Cunha chegou ao governo do Rio Grande do Sul, com a partida de Getúlio Vargas para assumir a presidência da República, em 1930. As irmãs do governador iniciaram intensa campanha pela nomeação do Pedruca, seu primo, para alguma função. Só que o Pedruca era um malandrão, jamais trabalhara, carente de capacidade para exercer qualquer função. Depois de meses sob tiroteio, Flores da Cunha não agüentou mais. Chamou seu chefe de gabinete e determinou que lavrasse ato nomeando o felizardo parente para pianista do Palácio Piratini.

O auxiliar espantou-se: “General, o palácio não tem piano”.

Resposta: “Não importa, o Pedruca também não sabe tocar…”

O governador gostava de pôquer e todas as noites chefiava poderosa mesa no Grande Hotel, cercado de empresários. Em volta dos jogadores, postavam-se sabujos e curiosos, os célebres “perus” de todas as mãos, que Flores da Cunha abominava. Certa feita, recebeu um four de ases de mão, quer dizer, bastaria pedir uma carta para disfarçar. Em vez disso, pediu três cartas, jogando fora dois ases. O cidadão imediatamente atrás dele não aguentou, começou a passar mal, com caretas e expressões de incredulidade, quando o general, voltando-se, disse apenas:

“Sofre, “peru” desavergonhado!”

No fim da vida, deputado federal, Flores da Cunha era vice-presidente da Câmara e assumiu a presidência, no auge da crise que levara o presidente Carlos Luz a ocupar a presidência da República e tentar o golpe para impedir a posse do presidente eleito, Juscelino Kubitschek. Mesmo integrando a bancada da UDN, golpista, o general formou ao lado do ministro da Guerra, Henrique Lott, que afastou Carlos Luz para garantir a posse de JK.

O problema estava na UDN, que obstruía os trabalhos e não deixava a Câmara dar a solução natural e democrática. Destacava-se o deputado Aliomar Baleeiro, especialista em regimento interno, constitucionalista e partidário do golpe, protelando a votação.

Quando pela décima vez ele pediu a palavra, Flores da Cunha atropelou todas as normas parlamentares e definiu:

“Cale a boca, baiano pernóstico! Nós vamos votar agora, de qualquer maneira. Se quiser resolver no braço, pode vir!”

Ficou garantida a posse de JK…

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