Obama reconhece o controle de comunicações nos EUA

Pedro do Coutto

Foi o artigo do jornalista Glenn Grenwald, no jornal inglês The Guardian, e uma reportagem do Washington Posto, que efetivamente levaram o presidente Barack Obama a reconhecer publicamente em entrevista aberta à que o governo norte-americano exerce monitoramento, até então secreto, nas ligações telefônicas e nos acessos aos principais servidores da Internet. No Brasil, sábado, a revelação foi feita através da reportagem de Raul Juste Lopes, correspondente da Folha de São Paulo na capital dos Estados Unidos.

Como o The Guardian e Washington Posto publicaram o documento de dezoito laudas sobre a prática aprovada pela Casa Branca, Obama ficou sem linha de recuo e se viu forçado a  vir a público falar sobre o sensível tema. Confessou. Sobre tudo ao dizer que não é possível harmonizar 100% de segurança, outros cem por cento de privacidade e zero de inconveniência. Esta inconveniência só pode ser por parte do governo. Google, Facebook, Microsoft e Yahoo, incluídos no programa de monitoramento, negaram terem participado do sistema. Obama ficou mal no episódio. Tanto assim que disse o que parece não ser lógico e possível: o controle limita-se somente à procedência e ao destino das ligações, não ao conteúdo das conversas.

Difícil acreditar na versão. Inclusive porque, se, como diz a matéria da Folha, foram monitoradas milhões de ligações, não é plausível não ter havido escutas quanto a seu conteúdo. Ouvir ligações telefônicas não é, claro, uma invasão de privacidade que se limita ao plano político e de combate ao terrorismo. Pelo contrário, estende-se, por exemplo, aos campos econômicos e financeiros. Às senhas bancárias e às  dos cartões de crédito nesses serviços acessados pelo telefone ou pela Internet. Um perigo.

CHANTAGEM

Além disso, dependendo de quem está efetuando o monitoramento, pode a atividade transformar-se em instrumento de chantagem. E quais os resultados positivos verificados até agora? Pode-se questionar que o monitoramento, como é assim chamado pelo presidente, não obteve dados importantes em relação ao atentado na maratona de Boston.

Isso de um lado. De outro, depois das confirmações do presidente da República, haverá uma retração enorme nos telefonemas, e mails, etc. O monitoramento praticamente desabou. E se tal aconteceu evidentemente a razão de um possível êxito estava no sigilo de tais operações. Assim, se o presidente Barack Obama foi levado pelas circunstâncias a reconhecer sua existência é porque não tinha certeza de sua legitimidade.

Ele sustenta ser legal e constitucional, aliás Glenn Grenwald acentua ter sido instituído pelo governo George Bush. Mas estas duas características certamente vão deslocar o debate para o Congresso, podendo expor o governo a uma derrota. No Senado, a maioria é republicana, na Câmara é democrata. Mas depende dos assuntos em discussão. Na questão da exigência de antecedentes para os compradores de armas, quatro senadores de seu partido votaram contra o projeto de Obama. Mas não se trata só disso. Trata-se da repercussão nacional e internacional do controle das comunicações. Primeira página dos principais jornais do mundo, atingiu fortemente a imagem do governo.

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2 thoughts on “Obama reconhece o controle de comunicações nos EUA

  1. O governo dos Estados Unidos está certo. Ele deveria colocar escutas para ver o que os mensaleiros ainda soltos pensam e tramam. Idem os petistas que escaparam das sentenças da Justiça. Temos que tomar cuidado com o avanço do comunismo internacional no Brasil. Lembrai-vos de 64!.

  2. Tem gente escrevendo posts demasiadamente longos. Nínguém lê. Cada post deveria ter no máximo 15 linhas. O resto vai pra lata de lixo.
    Cadê o editor do blog? Ele já está em clima de Copa das Confederações? Ou saiu de férias?

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