Concursos públicos tentam eliminar obesos

Leonardo Girundi

A Organização Mundial da Saúde (OMS) procura limitar a obesidade no mundo, ao estimular as autoridades nacionais de vários países a estudar possíveis impostos sobre os alimentos e bebidas prejudiciais à saúde.

O relatório “Estatísticas Mundiais de Saúde 2012” da OMS afirma que a obesidade é a causa de morte de 2,8 milhões de pessoas por ano. A OMS estima que 12% da população mundial é considerada obesa.

Somados aos problemas naturais da obesidade estamos nos deparando com outros mais modernos e mais alarmantes, destacando o preconceito e ainda o de discriminação na relação empregatícia. Dados revelam que os obesos, ou mesmo os gordinhos, possuem maior dificuldade de se relacionar e de conseguir emprego. E a última notícia que temos visto é que candidatos a concursos públicos aprovados na fase das provas são considerados inaptos ao exercício da função devido à obesidade.

“REPROVADOS”

Não é a primeira vez que o Estado de São Paulo adota tal conduta. Em 2011, o Brasil conheceu o caso envolvendo a eliminação de candidatos a professores da rede pública ocorrida durante a realização dos exames de saúde, e motivada pela obesidade.

Depois do mal-estar nacional da notícia, o governo paulista reavaliou a situação de 304 professores aprovados neste concurso público, mas que foram considerados inaptos pela perícia médica do Estado. Desses, 223 foram admitidos.

A obesidade, em suas diversas causas, consoante a Classificação Internacional de Doenças (CID), de fato é considerada uma doença. Entretanto, se esse mal for considerado um óbice à ocupação de cargo na rede escolar, também deverão ser inadmitidos no serviço público tantos quantos forem os portadores de outras doenças, tais como os portadores de doenças visuais (miopia, astigmatismo, hipermetropia etc.), os diabéticos, enfim, os portadores de diversos outros males que também são internacionalmente classificados como doenças.

ILEGALIDADE

Nesse sentido, inclusive, deverão ser inadmitidos no serviço público os portadores de necessidades especiais, que hoje, aliás, são cotistas em concursos públicos, por expressa determinação constitucional constante do artigo 37, inciso VIII, da Constituição.

O caso dos candidatos gera debate acerca da constitucionalidade da eliminação. O interessante é que existem muitas decisões judiciais favoráveis a limitação dos obesos aos cargos públicos, mas a grande maioria dos juízes entende que essa limitação aos “gordinhos” não possui previsão legal. Será que resolveremos os problemas da obesidade não permitindo que esses possam trabalhar? Se eles não estão aptos ao serviço público, por que estariam para o serviço privado? Não concordo com essas limitações e acredito que “socialmente” ainda estamos muito distantes de respostas para esses casos. Na dúvida, comunico que vou começar um regime amanhã. (transcrito de O Tempo)

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16 thoughts on “Concursos públicos tentam eliminar obesos

  1. A questão da obesidade é mais complexa que simplesmente diagnosticar que se trata de uma doença.
    Afinal das contas, doentes todos somos, entretanto, as mais graves não são vistas, sentimos somente seus malefícios quando é tarde demais. Por exemplo, o maldoso; sem caráter; invejoso; assassino; sociopata; misóginos; mitômanos…que existem em número muito maiores que os obesos!
    A verdade é que o ser humano arranja comparações para si mesmo.
    Em pauta há alguns anos, a beleza física.
    Pouco importa quem é o dono ou dona do corpo “sarado”, barriga de tanquinho, pernas bem torneadas, bunda feita por silicone, botox no rosto, mamas construídas artificialmente, coxas grosas, cabelos tratados em salão de beleza, pele bronzeada e à base de tratamento com os mais diversos cremes hidratantes, barro, ervas, plantas, músculos rígidos… que não sabem responder a capital de Roraima de sopetão, além da possibilidade de estarmos tratando com um doente pela obsessão do corpo saudável, enquanto que a mente se deteriora de preocupação com a velhice e pelancas dos braços e pescoço.
    A discriminação contra os obesos, o preconceito odioso, a repugnância de alguns idiotas com os gordos, refletem uma sociedade que substituiu valores e princípios pela aparência, e não só com relação aos “fofos”, mas, paradoxalmente, com os que ostentam riquezas, independente da forma como esta fortuna foi obtida que, no entanto, são admirados pelo carro, roupas, moradia e cartão de crédito!
    O pobre do gordo é condenado e escorraçado como se ele reunisse todos esses males e defeitos, simplesmente porque sua circunferência não obedece aos padrões impostos por uma sociedade hipócrita, cínica, cruel, e doente!
    Honra, decência, altivez, capacidade, eficiência, são desconsiderados porque o indivíduo está acima do peso, está gordo, portanto, um pecador que não merece perdão, mas o inferno na terra e depois quando morre.
    A comprovar o que digo, basta verificar a quantidade de presos existentes no Brasil, cuja incidência de magros e corpos sarados está em proporção infinitamente maior que os gordos, sinal de que nem sempre o físico apresentável seja condição para se ser uma boa pessoa, ao contrário!

  2. Francisco, magistral. Seus comentários sempre repletos de solidariedade e justiça.
    Pessoas como você nos faz acreditar que existe luz no fim do tunel.
    Não a estética! Viva o verbo e a dialética.
    Parabéns!
    lafer

  3. “Por mais que os obesos listem argumentos favoráveis à aceitação de sua doença a realidade é que são seres repulsivos principalmente quando tentam arrastar as suas carcaças paquidérmicas,deformadas e fedorentas(gordo sua descontroladamente)pelo mundo afora.”
    Darcy, a reciproca é verdadeira para pessoas com a mente igual a sua. A única diferença e que a obsidade tem cura, você não.

  4. Prezado Sr. DARCY, Saudações.

    O Homem é muito mais que seu corpo material. A genética nos fez diferentes uns dos outros. O metabolismo de cada um é único e particular. Uns comem pantaguelicamente e são magros, outros como eu, 1,75m e 100 Kg, engordam até com o ar. Essa expressão aprendi com grande Papa João XXIII (Roncalli), que era obeso.
    Na IIª Guerra Mundial, o monstro Hítler, que almejava manejar o Povo como se maneja o gado, criando Raças, cruzando para aperfeiçoar a Raça, e eliminando o que ele achava como Raças sub-Humanas inúteis, inferiores (Hebreus, Ciganos, Afros, e até Eslavos, etc, o que horrivelmente fez na prática do Holocausto, era MAGRO, VEGETARIANO, NÃO BEBIA, NÃO FUMAVA e NÃO JOGAVA. O grande defensor da Dignidade Humana, da Liberdade, Sir WINSTON CHURCHILL, porque a Inglaterra após a derrota da França, sustentou sozinha por quase um ano a Guerra, era OBESO, BEBIA, FUMAVA e JOGAVA. Só isso já dá o que pensar. Abrs.

  5. Lafer, meu caro,
    Quando o preconceito prepondera sobre a razão não há argumentos que possam justificá-lo, a não ser a intolerãncia, a estupidez, a idiotice, a mente embotada e voltada para valores falsos e meramente aparentes.
    Observa, meu amigo, que se a imagem do gordo é repulsiva, certamente para os que assim pensam e agem, claro, seria melhor, “esteticamente”, a visão de magros esqueléticos como as fotos da época demonstram de pessoas presas nos campos de concentração, na Segunda Guerra.
    Por outro lado, a conclusão simplória de que o gordo é desta forma pela ingestão de comida somente, comprova a suprema ignorância sobre o tema, haja vista desconhecer outros fatores que levam a pessoa se tornar obesa.
    Enfim, cada um com suas manias, traumas, dependências, complexos, síndromes, paranóias, esquizofrenias, temores, e que não são gordos, além de tais perturbações não serem visíveis, ironicamente.
    Por exemplo, esta de o gordo causar em certas pessoas(?) tanto asco, denota uma perturbação mental digna de tratamento, pois é evidente que sofre de alguma distorção da mente, de algum mal que ocasiona tanto nojo por outra pessoa, a obesa, no caso.
    Lafer, meu caro, obrigado pelo apoio, pela solidariedade, pela maneira humana e digna como entendes esta questão tão importante a respeito da obesidade, e a leitura correta que fazes desta doença que tem como causa diversos fatores, além da quantidade de comida ingerida, esta a de menor índice como causa à obesidade.
    Um forte abraço, Lafer.

  6. Caríssimo Bortolotto,
    Os teus comentários invariavelmente são elogiados de forma merecida, e admirados pelos conteúdos e conhecimentos sobre economia, além da sensatez que te caracteriza em qualquer tema que tu registras as tuas idéias, opiniões, pensamentos e conceitos.
    Ora, de acordo com o que escreveste acima, és obeso (eu desconhecia esta particularidade) mas – que surpresa! -, não deverias receber a quantidade de reconhecimentos que recebes porque és gordo, conforme manifestações de uns e outros que por nós têm ojeriza, nojo, repugnância, asco!
    A esses magros, que nos rotulam como indesejáveis, mas que desconheciam tu seres um obeso, certamente não acolheriam teus comentários com tanta receptividade se soubessem que se trata de escritos advindos de um gordo, haja vista a elegância, educação e respeito que enaltecem mais ainda o que sabes sobre economia e vários outros temas onde já nos brindaste com tua sabedoria e inteligência.
    A confirmar e comprovar esta minha afirmação, observa que os registros mais agressivos, mal educados, ofensivos e desrespeitosos existentes neste Blog incomparável, partem de um … magro!
    Um abraço, Bortolotto, meu caro.

  7. Caro Francisco,
    Outro dia estava eu na tv a cabo (que de um modo geral é um lixo) procurando algo
    de útil e, por pura sorte estava passando na REDE VIDA um filme sobre a vida do
    Dourtor Moscatti (não sei se a grafia está correta), italiano, êle era médico, uma
    vida inteira dedicada a medicina e aos pobres. Era também professor e durante as aulas sempre falava:
    – A medicina praticada sem amor, sem compaixão, não é medicina.
    Esse ensinamento vale para tudo na vida. E é por viver cada vez mais em um mundo
    materialista-consumista, egoista, onde as pessoas são atomisadas, imbesilisadas, é que para a grande maioria a vida e a dor do proximo nao vale nada.
    Vale a pena assistir a pelicula.
    Saudações, Francisco.

  8. O que o Darci tem é o que muitos possuem: GORDOFOBIA. Um mal contra o qual as feministas também lutam porque as mulheres ainda são as suas maiores vítimas. Temos que combater os preconceitos e não cristalizá-los. Parabéns pelas suas palavras humanas, senhor Francisco!

  9. Preconceito ,não JA!É conceito!
    É tudo questão de mobilidade.Desde quando uma pessoa com mais de 200 kgs.vai poder se lavar direito para não ficar fedendo.Um obeso nestas condições dificilmente conseguirá lavar os pés,p.ex.
    Daí que vai ter um tremendo xulé!!!!!!Isso sem falar de outras partes do corpo

  10. A obesidade é uma doença, mas o preconceito, não fica atrás. Se eu disser que a obesidade é bonita, estou sendo mentirosa,principalmente em se tratando de uma doença. Mas isso não quer dizer que vou discriminar a pessoa por isso.

  11. Prezado Sr. DARCY, Saudações.

    Muito obrigado pela boa Resposta que me destes, menos as últimas três linhas. Como pode uma Pessoa tão inteligente e bem informada como o senhor, concluir que: Um Obeso NÃO SE AMA e NÃO SE CUIDA, e portanto não tem capacidade de AMAR e CUIDAR de ninguém! Na prática nunca constatei isso. Mesmo que escreva Laudas e Laudas …..???? Formamos aqui, neste espaço Democrático do TI onLine, uma Comunidade de Pessoas, que nem se conhecem fisicamente e trocamos idéias, damos nossa Opinião sobre os mais diversos assuntos, e quando não gostamos de algo, ou o assunto não nos interessa, devemos passar batido, ou rebater combatendo a ideia, NUNCA A PESSOA. Eu seria um imbecil total se não valorizasse o que diz a Ciência, sobre a SAÚDE, nosso maior Bem, mas sei também que “em Forma fisicamente” ou mesmo “fora de Forma”, o importante mesmo é SER FELIZ e não ofender gratuitamente outros. Abrs.

  12. Prezada Mônica,

    Eis o resultado de quem somente se preocupa com a silhueta, em ser esbelto, magro.
    A imaginação sofre queda vertiginosa em razão deste egoísmo e cuidados pessoais, além da obsessão do peso em acordo com a altura
    Eles ainda pensam que o sexo somente se faz na forma de a mulher se encontrar em decúbito dorsal, que pobreza de espírito!
    Não é por nada que este pessoal narcisista é abandonado pelas suas mulheres, mesmo com o corpo em forma, haja vista a mente completamente deformada ou, então, magérrima, a ponto de não proporcionar á companheira a satisfação necessária por falta de criatividade em momentos tão ternos e íntimos!

  13. Justamente por Voltaire dizer o que pensava foi preso duas vezes e, na terceira, para fugir da prisão, refugiou-se na Inglaterra.
    E não se trata de dependência de afetos ou complacência, mas de respeito, só isso.
    Mais a mais, a questão não ficou apenas nesta simplicidade de aversão a gordos, mas a forma como a estes se dirigiu, demonstrando ser preconceituoso, muito além da sua ojeriza pelos obesos.
    Quanto à liberdade de expressão ou de pensamentos, nada a opor, evidentemente, mas, na razão direta que se pode escrever o que se quer, então também o contrário é verdadeiro, sob pena de clamorosa injustiça e segregação.
    Se registrou a sua “franqueza”, publiquem-se as respostas, a meu ver, na mesma intensidade e dimensão escolhidas pelo “sincero”, de modo a equilibrar o debate, se assim pode ser denominado.
    Por outro lado, a célebre frase do pensador quanto ao direito de as pessoas se expressarem, foi de um cinismo absoluto, desde que fosse ele, Voltaire, a escrevê-las, claro.

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