Obituário! Aqui jaz um político que ainda não morreu


Eliane Catanhêde 
(Folha de SP)
1. Sérgio Cabral era uma estrela. Jovem, bonachão, do PMDB, governador de um dos três principais Estados, irmão camarada de Serra, amigo de Lula, aliado de Dilma. Benquisto no Congresso, bem relacionado no mundo empresarial. Saudado como possível candidato a vice-presidente de petistas, tucanos, gregos e troianos, sonhava com o dia em que o PMDB cansasse de ficar a reboque e decidisse ter candidato próprio à Presidência.

2. A implosão começou em junho de 2011, quando um helicóptero caiu a caminho de Trancoso, na Bahia, matando a namorada do filho de Cabral e a mulher do badalado Fernando Cavendish, da Delta. Da tragédia pessoal, emergiu a tragédia política. A prisão de Carlinhos Cachoeira expôs ligações perigosas dele com a Delta e as relações de Cabral-Cavendish coincidiam com as relações Delta-governo do Rio. Tudo ficou embolado, ou mal explicado.

3. Com a crueldade dos adversários políticos, Anthony Garotinho lançou a logomarca das agruras do governador: a foto de Cabral, Cavendish e secretários do Rio com guardanapos brancos na cabeça, na maior farra em Paris. Pegou Cabral de jeito, já bambo no meio do escândalo Delta.
4. Vieram os protestos e o Datafolha captou o estrago: a popularidade do governador despencou 30 pontos. Pior: os manifestantes voltaram para casa no resto do país, mas acamparam no prédio de Cabral no Leblon. Jogado na vala comum dos políticos e alvo direto das manifestações, Cabral já não consegue entrar e sair da própria casa, está à beira de ser enxotado pelos vizinhos e se debate para sobreviver na política e fazer do vice Pezão seu sucessor.
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Só faltou dizer que Cabral era concunhado de Cavendish, pois na época do acidente ele estava separado da mulher e vivia um tórrido romance com Fernanda Kfouri, cunhada do empreiteiro. Ou seja, entre os mortos no acidente estavam não só a namorada do filho de Cabral e  a mulher do empresário Cavendish, Jordana, mas também a namorada do governador. Quando começaram a ser publicadas matérias envolvendo Cabral com Fernanda Kfouri, ele rapidamente reatou com a mulher, Adriana Ancelmo. (C.N.)
(artigo enviado por Mário Assis)
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7 thoughts on “Obituário! Aqui jaz um político que ainda não morreu

  1. Eu fico imaginando a angústia de um dos maiores conhecedores e autoridades em música popular brasileira, o simpaticíssimo -sem ironia alguma- Sérgio Cabral (pai), sobre isto tudo. Tenho certeza, mesmo sem conhecer, que ele orientou seu filho, da melhor maneira possível. Até nas entrecistas e documentários em que assisti o grande Sérgio Cabral (pai), ele passa a melhor impressão e credibilidade possível e não creio, em hipótese alguma, que seja representação.

  2. Walter Martins : só acho estranho uma pessoa conhecida por ser “carnavalesco” (será profissão? Ou, o que é isto?), como o CABRAL PAI, que afirmam estar aposentado – possivelmente muito bem – como membro do Tribunal de Contas. É outro tremendo de um “vaselina”, um “bon vivant”. Só mesmo no nosso amado Rio de Janeiro, tristemente, terra dos “malandros e das malandragens”.

  3. O pai pode estar angustiado de constatar que o filho despenca de ladeira abaixo para o lixo da história e possível processo criminal, mas sempre soube das desonestidades do filho e até já desfrutou quando foi nomeado para o Tribunal de Contas e transformou em um par de anos sua mísera aposentadoria em milionária. Nunca foi flor que se cheirasse, pois sempre manteve relações de amizade com bicheiros do crime organizado e os promovia com entrevistas convescotes na televisão.

  4. Dizem que, há 20 anos passados, apenas, os CABRAL viviam, com todas as agruras, no simpático bairro de Cavalcante, zona norte do Rio de Janeiro. A metamorfose sofrida pela família, hoje instalada no chique bairro do Leblon, é algo realmente espetacular. Não fossem eles, quem de fato são, diria que só pode ter sido por obra e graça da Nossa Senhora da Guia.

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