Odebrecht menospreza Lula, o governo e agride até a inteligência

Marcelo Odebrecht tratava Lula como um serviçal

Pedro do Coutto

Colocando no computador da empresa de que é presidente os e-mails que enviou, principalmente de 2007 a 2009, ao então presidente Lula, Marcelo Odebrecht manifestou concreta e diretamente seu menosprezo pelo chefe do Executivo, pelo governo, além de frontalmente agredir a própria inteligência brasileira. Esta é a primeira conclusão lógica revelada nas edições de O Globo, Folha de São Paulo e de O Estado de São Paulo, os três maiores jornais do país. As reportagens focalizando a apreensão dos documentos na sede da Odebrecht pela Polícia Federal são respectivamente assinadas por Renato Onofre, Tiago Herdy e Cleide Carvalho, em O Globo; por Graciliano Rocha e Felipe Batchtoldt, Folha de São Paulo; e por Mateus Coutinho, Ricardo Brandt e Fausto Macedo, no Estadão. Tornam-se peças primorosas do jornalismo e vão se incorporar, sem dúvida, à história moderna do país. Porque a história também é o presente, como definiu Arnold Toynbee.

Incrível a que ponto atingiu a degradação da atividade política. Como é possível que um dirigente da maior empreiteira do país se arvore em transmitir instruções ao presidente da República. Quase inacreditável que um presidente da República aceite esse tipo de correspondência e siga as instruções nela contidos. E que, além de aceitar as mensagens impróprias, dê curso às recomendações. Um delírio duplo, da embriaguez do sucesso.

LIMITES DA ÉTICA

A tradução do comportamento de Lula e Marcelo Odebrecht só pode ser encontrada traçando-se esse caminho, interpretando-se as raízes que motivara tal ruptura, pelo menos, dos limites da ética humana. E não só da ética, mas da sensibilidade da inteligência. Marcelo Odebrecht abusou do direito de errar. Lula também. Ambos desabaram, com reflexos morais diretos junto à opinião pública, junto à população. Revelam-se muito abaixo das respectivas responsabilidades e dos postos que ocupam ou ocuparam. Dizer, como fez o Instituto Lula, que a ação do ex-presidente foi patriótica, soa ridículo. Um político que disputou sete eleições presidenciais, vencendo quatro delas, sem dúvida um líder popular, possa desempenhar as funções de um caixeiro viajante, como na peça de Arthur Miller, é cometer um ato de desprezo a si próprio. Um ex-presidente da República não está capacitado, de forma alguma, para exercer tal papel. É preciso para tal tarefa, psicologicamente, sentir-se inferior ao dirigente dos negócios da Odebrecht, desenvolver para si mesmo um complexo de inferioridade.

REBAIXAMENTO

Freud explica, pode-se dizer. Mas não justifica o rebaixamento. Pois Lula, na verdade, participou de seu próprio rebaixamento, inclusive na ótica e no pensamento da Odebrecht. Esta, no fundo, não dava importância humana a Lula, pois se o considerasse importante não agiria da forma como agiu.

O Globo publicou uma comunicação de Marcelo Odebrecht à equipe palaciana, segundo mandato de Lula, solicitando e recomendando providencias para derrubar o ministro interino de Minas e Energia, Nelson Hubner, que ocupava o cargo. Hubner não permaneceu no posto.

Todos esses fatos são (ou foram) encontrados nos arquivos eletrônicos da empreiteira. Vejam só: no dia seguinte àquele no qual os advogados de Marcelo Odebrecht pediram a Sérgio Moro uma nova distribuição de seu processo, e o magistrado negou, explodiu contra ele uma bomba que ele próprio, inclusive por incompetência política, armou nos arsenais eletrônicos da empresa. Uma bomba contra ele mesmo.

11 thoughts on “Odebrecht menospreza Lula, o governo e agride até a inteligência

  1. Quanto mais baixo seus valores morais, mais fácil de se comprar uma pessoa. Isto foi com esta quadrilha que assumiu o poder em 2003 e com nossa justiça em que uma grande parcela dos que foram indicados estão com o rabo preso com esta quadrilha. Vejam o caso da Luciana Ócio que faltou a seção de julgamento da Dilma.

    • Onde esta o dinheiro da quadrilha Jorge?
      Eu so vejo dinheiro na suiça de pessoas “eticas” os menos eticos, abriram contas em bancos suiços m 1997 e 1998, como dizia Francis, os agentes publicos brasileiros eram melhores clientes dos bancos suiços que os sheiks arabes,isso elemdizia em 1998. Os “eticos” abriram contas a partir de 1995. É coisa de se pensar não é mesmo?

    • Tarciso
      E para outros, independentemente do que fez, continua sendo um líder.
      Como se pode classificar alguém que, embora todas as provas e testemunhos, continua tentando ocultar os atos de Lulla e só lembra dos erros dos outros?
      Um abraço.

  2. O Poder Judiciário Verdadeiro que tem em Moro seu guardião é o Poder que pune. Os “apodrecidos infringentes” são os que soltam, prevaricam, fatiam, servem aos desejos do “capo do agreste, o mau pernambucano” que insiste em mandar e desmandar no país, certo de que não sofrerá nada, pois seus “amestrados infringentes fatiadores dos crimes de lesa-pátria” estão de plantão esperando os Processos para anulá-los e satisfazerem seus desejos cleptômanos e ditatoriais em marcha !

  3. Na realidade, Lula se sentiu à vontade sob o comando de Marcelo, visto que, sendo uma criação artificial de Golbery e das “Forças Mágicas” que, tanto criaram como eliminaram as ditaduras na América Latina nas década de 60a 80, sempre foi “habitué” de instruções recebidas de seus tutores, a serem observadas durante toda sua trajetória! Entendendo-se o Marcelo como “mais um” a dar-lhe instruções criminosas-conspiratórias, nada haveria de “anormal” para a psique de um delinquente institucional que sempre se prestou a servir de marionete aos interesses Oligárquicos Internacionais! Ao se analisar psicologicamente essa transferência, não surpreende! Principalmente, porque Lula, mesmo demonstrando ter uma capacidade criativa incomum, não possui “toda a capacidade” requerida indispensável para assegurar sua liderança exclusivamente por méritos próprios! Ele sempre “teve as costas quentes” porque obedeceu fielmente a “comandos remotos”, os quais, ao fim, sempre seguraram sua onda quando saía dos trilhos!

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