Oferecimento para ir depor no Congresso era conversa fiada. Pimentel continua blindado pela base aliada.

Carlos Newton

Em repetidas entrevistas, o ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) disse que não teria problema algum em depor no Congresso, assinalando considerar que isso até seria uma obrigação sua. Mas era só conversa fiada, e a tropa de choque do governo continua blindando o ministro, para evitar que ele seja convocado a explicar aos parlamentares as atividades de sua consultoria, a P-21.

A mais recente blindagem foi na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle do Senado, que derrubou um convite para que Pimentel falasse sobre as suspeitas de tráfico de influência relacionado às atividades de sua empresa de consultoria. Por 8 votos a 5, a proposta foi rejeitada, sob a alegação surrealista de que as denúncias não envolvem questões de governo, como se uma coisa tivesse a ver com a outra. Na semana passada, os governistas já tinham derrubaram convite semelhante na Câmara para ouvir Pimentel.

Autor do novo requerimento, o líder do PSDB, Alvaro Dias (PR), disse que a base desrespeitava acordo de líderes para pedir esclarecimentos de ministros envolvidos em denúncias. Ele reclamou que o PT adota posturas diferentes, abandonando ministro aliados também suspeitos de irregularidades. “Os ministros do PT são blindados e os demais podem ser jogados ao mar. Eles que se expliquem, se justifiquem. Não há nenhuma razão para rompimento de acordo que existia sobre convite de ministros denunciados”, afirmou.

O líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), negou quebra de acordo. “Qualquer denúncia a respeito de questões públicas, os ministros serão convidados. No caso do Pimentel, já foi dito é uma questão privada. Ele não fazia parte de nenhum governo e qualquer esclarecimento deve ser dado à Receita Federal e à Comissão de Ética Pública da Presidência.”

Para o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), os esclarecimentos apresentados por Pimentel não são suficientes. “Não queremos colocar no ministro Pimentel pecha de corrupto. Queremos esclarecimento. Ele precisa esclarecer se as suas atividades de consultoria têm ou não a ver com suas atividades públicas.”

Integrante da base aliada, o senador Ivo Cassol (PP-RO) disse que apoiaria o convite porque outros ministros já foram chamados a explicar denúncias ao Senado. “Ministro que tem medo de vir ao Congresso não pode ser ministro. É preciso dar a mesma igualdade aos ministros.”

O senador Pedro Taques (PDT-MT) reforçou o discurso. “Estamos aqui para analisar fatos. Agora, precisamos entender que a Federação da Indústria (de Minas Gerais, cliente da consultoria P-21) não é privada, não é padaria, recebe contribuições, recebe dinheiro público. Temos atribuição de investigar e não interessa qual o partido político. Qual prejuízo de um ministro vir conversar com senadores? Os fatos são graves e precisam ser conhecidos.”

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