Onde tudo começou

Vladimir Safatle (Folha de SP)

Se procurarmos um ensaio geral para as manifestações de junho, deveríamos voltar os olhos para a Amazônia. Lá se encontra o megacanteiro de obras da usina de Jirau: uma das peças principais da política energética brasileira.

Em 15 de março de 2011, o Brasil viu uma das mais violentas manifestações do subproletariado contra suas condições degradantes de trabalho. Sem se sentirem representados por sindicatos e outros atores políticos tradicionais, os trabalhadores de Jirau, que descobriram como as condições de trabalho no novo Brasil continuam insuportáveis, atearam fogo em alojamentos e ônibus. Eles atearam fogo também na afirmação de que o subproletário brasileiro preza a ausência de radicalismo e a segurança.

Foi assim que começou o governo Dilma, ou seja, com um sinal de alerta gritante para a frustração da sociedade com os limites do desenvolvimento social brasileiro.

Depois de Jirau, veio uma sequência quase ininterrupta de greves: de policiais, bombeiros, professores, coveiros. Todos reclamando dos baixos salários, incapazes de dar conta dos gastos em um país onde somos obrigados a pagar por educação e saúde, onde não se pode contar com transporte público e onde o preço dos imóveis explodiu devido à especulação imobiliária. Um país onde o banco estatal de desenvolvimento (o BNDES) foi capaz de aplicar uma política de incentivo à formação de grandes “players” internacionais que acabou por oligopolizar ainda mais a economia.

SERVIÇOS PÚBLICOS

Sendo assim, não é nem um pouco estranho que um dos eixos das manifestações de junho tenha sido a incapacidade de o Estado brasileiro parar o processo de corrosão dos salários e criar serviços públicos universais e de qualidade. Pois, se há algo que une tanto o subproletário quanto a classe média, é a consciência de que o processo de ascensão social produzido pelo lulismo esgotou. Ele só poderia continuar por meio da criação de um Estado capaz de oferecer serviços públicos que eliminassem os gastos das famílias com educação, transporte e saúde.

Para tanto, contudo, não há milagre. Como dizem os liberais, não há almoço de graça. O problema brasileiro é que, quanto mais rico você é, menos paga seu almoço. Para impedir que rentistas, herdeiros, empresários que recebem mapas da mina das mãos do pai privatista e outras figuras do bestiário nacional continuassem almoçando sem pagar, o governo deveria ter partido para uma reforma fiscal que obrigasse os ricos a fazer o que não fazem em nenhum país latino-americano: pagar impostos.

Mas, para isso, seria preciso outra ideia do que significa “garantir a governabilidade”. Ela é necessária agora, quando não dá mais para esconder Jirau no meio da floresta.

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2 thoughts on “Onde tudo começou

  1. Publicado no blog israelbragancabrasil.blogspot.com.br
    DEC
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    República ou Monarquia?

    Um dos poderosos argumentos dos republicanos para eliminar a monarquia no Brasil eram os custos que a família imperial causava aos cofres públicos. Na época, o salário do imperador era 67 contos de réis mensais ou 800 contos de réis por ano. Mas, os verdadeiros interesses dos republicanos vieram à tona logo nos primeiros dias da república, quando foi aprovado um salário de 120 contos de réis mensais para o primeiro presidente, o Marechal Deodoro da Fonseca.
    As distorções entre a república brasileira e os sistemas monárquicos não são coisas do passado. O professor belga de Administração e Finanças Públicas, Herman Matthijs, analisou o orçamento das Monarquias europeias e, constatou que o custo dos ricos reinos existentes no velho continente com os seus respectivos monarcas, está bem abaixo dos praticados pela ainda emergente república brasileira com seus sucessivos presidentes.
    Na Europa, a Casa Real que mais recebe dos súditos, em valores atuais, é a do Reino Unido, 45 600 milhões de euros ou 124 488 milhões de reais; seguido pela Holanda que investe 39 100 milhões de euros ou 106 743 milhões de reais; e a Noruega, 25 100 milhões de euros ou 68 523 milhões de reais. A Espanha é o país que tem o menor orçamento, 8 400 milhões de euros ou 22 932 milhões de reais.
    O Rei da Noruega é o que recebe o mais alto salário dentre os soberanos da Europa, 1 200 000 euros ou 3 276 000 reais por ano; seguido pelo Rei da Holanda, 829 000 euros ou 2 263 170 reais e o Grão-Duque de Luxemburgo, 645 000 euros ou 1 760 850 reais. O Rei Juan Carlos da Espanha é o que recebe o menor salário. São 175 622 euros, ou 479 488 reais por ano.
    No Brasil, assim como no inicio da república, a farra com o dinheiro público continua. O portal contas abertas divulgou que o gasto de caráter secreto do presidente Lula, em 2010, foi R$ 11.000.000,00. Em 2011, a presidente Dilma gastou apenas 100 mil reais a menos que Lula, foram cerca de 10.900.000,00 milhões de reais com gastos secretos, fora o salário de R$ 26.700,00 mensais. Somem-se a isso as despesas com o avião presidencial, Santos Dumont (aerolula), e o helicóptero; os salários dos tripulantes, combustível e manutenção, que são pagos com o dinheiro público, mais os custos com o carro oficial. Sem falar na verba de gabinete que não é menos de 100 mil reais mensais. Em 2012, os gastos secretos da presidente Dilma chegou a R$ 17.700.000,00.
    Considerando-se apenas o gasto secreto, 17,7 milhões de reais, vemos que a presidente Dilma recebeu em 2012, em valores atuais, bem mais que os mais ricos monarcas da Europa. Mais de 5.1 vezes mais que o rei da Noruega; quase 7,8 vezes mais que o rei da Holanda; mais de 9.65 vezes mais que o Grão-Duque de Luxemburgo e quase 36 vezes mais que o rei Juan Carlos da Espanha. Comparando estes númeos com os do ano anterior, verenos que os gastos secretos da presidente Dilma cresceu cerca de 70%. Estamos falando apenas dos gastos da presidente, os gasto secretos do governo, chegaram a R$ 59,9 milhões.
    No Brasil nos 67 anos de monarquia, o orçamento geral do Brasil cresceu 10 vezes, mas o orçamento da família imperial se manteve o mesmo: 800 contos de réis por ano. Durante a guerra do Paraguai, 25% deste valor foram destinados, voluntariamente pelo imperador ao Exército. Hoje, o orçamento das forças armadas diminui, enquanto cresce o patrimônio dos políticos.
    A Grã-Bretanha, com toda a sua glória, gasta US$ 1,87 da renda per capita por ano para manter a monarquia, no Japão este custo não chega a US$ 0,50. No Brasil, para manter a presidência, esse custo está estimado entre US$ 6,00 à US$ 12,00. No plebiscito, em 1993, a monarquia recebeu 7 milhões de votos, 13% dos votos válidos. Na época, uma pesquisa feita pelo instituto Data Folha mostrava que 21% da população eram monarquistas ou simpatizantes.
    Durante todo o período monárquico tivemos uma inflação média de 1,58% contra os 10% nos primeiros dias da república; 41% em 1890 e 50% em 1891. Um século depois, entre fevereiro de 1989 e março de 1990, a inflação chega a uma média de 86% ao mês ou 2.751% ao ano. Na monarquia, tivemos apenas uma moeda, o Réis. Na república já foram oito moedas. No final do Império, o salário de um trabalhador sem nenhuma qualificação era 25 mil réis, o equivalente a cinco salários mínimos, R$ 3.110,00. Hoje, um trabalhado com curso superior, dificilmente consegue este salário.
    Em 1889, 13% da população estavam habilitados a votar. Na Inglaterra esse percentual era de 7%, na Itália 2%, em Portugal 9%. No início da república apenas 2,2% da população votou. Em 1930, não ultrapassamos os 5,6% de eleitores.
    Na república tivemos nove golpes de estado, 13 ordenamentos constitucionais, quatro Assembleias Constituintes e 10 repúblicas, o congresso foi fechado seis vezes e tivemos 40 presidentes. Se a monarquia tivesse sido mantida, Dom Pedro teria tido apenas três sucessores. Das 12 maiores economias do mundo, oito são monarquias e das 165 repúblicas, apenas 11 mantêm regimes democráticos há mais de 30 anos.
    Vale à pena destacar que o movimento republicano só conseguiu se fortalecer e tomar o poder, graças à adesão dos escravocratas que ficaram insatisfeitos com a abolição da escravidão. Despois que a lei áurea foi aprovada pelos deputados, o Documento foi apresentado para a assinatura da princesa Izabel, O Conde d’Eu, nessa ocasião, teve um momento de hesitação: “Não o assine, Isabel. É o fim da monarquia”. Ao que ela respondeu: “Assiná-lo-ei, Gaston. Se agora não o fizer, talvez nunca mais tenhamos uma oportunidade tão propícia. O negro precisa de liberdade, assim como eu necessito satisfazer ao nosso Papa e nivelar o Brasil, moral e socialmente, aos demais países civilizados”. Junte-se a isso o fato de a sociedade da época, com sua formação machista, estar bastante insatisfeita com a o fato de Dom Pedro ter na sucessão uma mulher, ainda mais casada com príncipe estrangeiro.

    O fato de os republicanos terem oferecido cinco mil contos de réis a Dom Pedro II quando este estava no exílio, era o prelúdio do que estava por vir. O então ex-imperador recusou a bondosa oferta feita as custas do erário público.

  2. Aleluia. Agora vai. Habemus Projeto Alternativo, Deus é brasileiro e o Papa é nosso. Viva o Novo Brasil de Verdade, porque evoluir é preciso. AMéM. O modello político-partidário-eleitoral,mercenário e esquemoso,com a reeleição e eleições de 2 em 2 anos,revelou-se um lixão a céu aberto.Aflorou-se todos os seus defeitos e o tamanho do vencimento do seu prazo de validade.E quem está dentro do lixão e se alimenta do dito cujo não sente o seu fedor.E a vontade do povo-patrãos expressa nas ruas parece diametralmente oposta às vontades dos”seus representantes”,aliás, uma distância abissal,um nó górdio que faz do voto uma emboscada contra o eleitor,que,além de tudo,depois de usado,é tachado pelos mesmos de“a besta do apocalipse eleitoral”,gozação embutida na frase:”cada povo tem o gov. que merece”,em que pese as candidaturas serem todas impostas pelos partidos.O relacionamento entre povo,partidos e seus”representantes” é tão grave,que até já obrigou o povo ir às ruas emitir um enorme S.O.S,talvez para Deus,porque o resto é ainda pior,lembrando que a famigerada ditadura militar é a puta que pariu a imundícíe, e que, de quebra, nos legou um inexpugnável rastro de merda, sangue e indenizações. Portanto,gora, meus caros, sem essa que querer andar de lado igual caranguejo, ou voltar para a caverna escura, chegou a hora da verdade verdadeira: é a Meritocracia Eleitoral, ou a Meritocracia Eleitoral, face à qual todos podem participar diretamente: partidos, sindicatos, clubes, ONGs, cidadãos, e inclusive você cidadão (civil, fardado ou à paisana), indepente de filiação partidária, caso queira. E se, em 2014, optarem pelo continuismo da imundície, adeus, o Leão entrará em hibernação, deixará de rugir politicamente para o resto de sua vida.

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