Ontem, quase sem querer mas de forma elucidativa, Itamar Franco, Aécio Neves e Dona Suplicy, travaram debate sobre o metrô, medidas provisórias, custo elevado de ferrovias.

Helio Fernandes

Anteontem por acaso, os tres senadores, travaram não um debate, mas uma conversa transversa e transviada. Itamar, ex-presidente e governador, revelava: “Nos últimos 10 anos, o metrô de Belo Horizonte não avançou um quilometro, poderia até dizer, um metro”.

Ao lado, estava o amigo Aécio Neves, ex-governador que quer ser presidente. Pediu a palavra, foi para a tribuna e falou sobre o custo absurdo do projeto que se discutia: a criação da Empresa de Transporte Ferroviário de Alta Velocidade S/A. Dona Suplicy defendia com veemência o projeto, combatido por 37 senadores. Combatiam não o projeto e sim o custo.

Depois disso, Aécio aproveitou estar na tribuna, para dizer: “Presidente Aécio, o metrô de Belo Horizonte não ficou parado 10 anos e sim 8, todos os 8 nos quais fui governador”.

Aécio completou; “Não consegui nesses 8 anos, uma só providência do governo federal, a quem cabe a obrigação de construir o metrô, não apenas o de Belo Horizonte, mas todos outros”. Aí como o debate era interessantes mas completamente contraditório, Aécio mudou de assunto, deixou o transporte coletivo, se transportou para outro assunto, também polemico, provocando a ex-prefeita.

O ex-governador disse o seguinte: “Precisamos discutir, estudar e renovar as providencias sobre as MEDIDAS PROVISÓRIAS. A maioria delas não cumpre a exigência constitucional de ser URGENTE e RELEVANTE. Muitas dessas medidas tomam o tempo do Congresso e não resolvem coisa alguma, pois são inconstitucionais”.

Nem quero lembrar as dezenas de vezes que combati essas MEDIDAS PROVISÓRIAS, precisamente pelos motivos alegados pelo senador Aécio: falta de urgência e relevância. Basta recordar a afirmação do presidente FHC, no segundo ano do seu governo, dos 8 anos de retrocesso: “Sem medida provisória NÃO HÁ GOVERNABILIDADE”.

Provavelmente Aécio não estava tentando desmentir o ex-presidente FHC, que era e continua sendo (agora sem a menor importância) do mesmo PSDB. Estaria querendo trazer a publico, a tão falada e desatrada afirmação de FHC? Ou foi apenas traição da memória?

Apesar de reclamar da conversa alta de muitos senadores, Itamar continuou no Metrô, mas se transportando para São Paulo. E revelou:

“A construção do metrô de São Paulo, começou junto com o metrô da Venezuela, (não tratou apenas de Caracas) que hoje tem 210 quilometros funcionando, enquanto São Paulo não chega a 60 ou 70 quilometros”.

Dona Suplicy (para sempre, pelo menos o sobrenome) revoltada, elevou a voz e mudou de assunto. Só estava interessada em defender o alto custo do trem-bala. Hostilizou Aécio e Itamar, e outros governadores e prefeitos de grandes capitais e municípios, até hoje sem transporte de massa.

Dona Marta, olhando para Aécio e Itamar: “Nós não temos nada a ver com metrô, isso não é providencia nossa”. Aécio e Itamar protestaram, ela não se incomodou, entrou na área da exaltação pessoal, e dos elogios para a propria “administração” como prefeita de SP, a maior cidade do pais.

Textual; “Encontrei a capital completamente abandonada, sem metrô, suja, nem parecia uma das maiores capitais do mundo. Tive que fazer tudo, mesmo sem recursos. Deixei São Paulo altamente progressiva. E eu, pessoalmente, aplaudida pelo povo”.

Provavelmente, por causa “desse sucesso”, não foi eleita novamente. E para o senado,venceu por causa da morte de dois adversários. E para o senado, sua eleição se deu bem no final, por pouco mais de 1 por cento sobre Netinho de Paula (PCdoB).

Levou um tempo enorme, parou, Itamar e Aecio informaram desmentindo a ex-prefeita: “Metrô é obrigação do governo federal, que não tomou conhecimento das necessidades de estados e municípios”. Ainda falaram na precariedade da atuação do governo Lula na solução dos transportes de massa.

Dona Marta compreendeu a enormidade do equívoco, continuou defendendo o custo ALTÍSSIMO do TREM BALA.

 ***

PS – Os três senadores poderiam ter destinado pelo menos um “tempinho” para tratar da REFORMA POLÍTICA, cujo projeto foi entregue anteontem ao presidente Sarney. É polemico, burro, esdrúxulo, autoritário, contraditório, e altamente favorável às cúpulas partidárias de partidos que não existem.

PS2 – Sua tramitação deve ser bombardeada em massa na Camara e também no Senado, onde só conseguiu 27 votos, o necessário para ser apresentado. Mas existe uma DETERMINAÇÃO, absurdissima e que nem sei como conseguirão transformar em realidade, se a Camara aprovar.

PS3 – Trata-se do seguinte, textual:”Os nomes das listas fechadas, terão que ter o MESMO NUMERO DE HOMENS E MULHERES. Nas listas, têm ser colocados alternadamente, 1 homem e uma mulher”. Bestial, pá.

PS4 – Como é que chegaram a essa conclusão de 50 por cento para cada sexo? E a vontade do eleitor? E nos anos em que existir apenas uma vaga para senador? Existem outros absurdos e privilégios.

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