Operação Lava Jato enfim começa a chegar em Sérgio Gabrielli

 Sérgio Gabrielli chefiava o esquema de corrupção

Ricardo Brandt e Fausto Macedo
Estadão

A Operação Acarajé, da Polícia Federal, mira em Armando Trípodi – emblemático personagem da Lava Jato citado no capítulo que envolveu o então presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (morto em 2014) em suposta chantagem de R$ 10 milhões para engavetar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobrás, em 2009. Esse dinheiro, segundo revelou o delator Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da estatal petrolífera, teria sido usado para abastecer a campanha tucana de 2010.

Trípodi teria dado sinal verde para Paulo Roberto levantar recursos desviados da estatal e fazer o repasse a Guerra. Na época, ele exercia a função de chefe de gabinete do presidente da Petrobrás, José Sergio Gabrielli. Na segunda-feira passada, 22, a PF deflagrou a Acarajé e a Petrobrás demitiu Trípodi da função de gerente executivo de Responsabilidade Social.

O documento da PF aponta ‘indícios do oferecimento e efetivo pagamento de vantagem indevida (por parte de Zwi Skornicki) em favor de Armando Trípodi’. O relatório assinala expressamente que o ex-chefe de Gabinete de Gabrielli recebeu propina ‘consubstanciada no pagamento da execução de serviços na residência do funcionário público por empresa especializada, sem aparente causa lícita e justificável’.

CUSTO DOS SERVIÇOS

Os investigadores da Acarajé descobriram anotações pelas quais ‘constata-se que o custo total dos serviços – que envolviam a instalação de aparelhos áudio-visuais, de iluminação e de automação –, com o preço dos equipamentos, totalizaria R$ 90 mil (R$74 mil + R$ 16 mil)’.

“Chama a atenção a anotação de que a nota fiscal da execução do projeto deveria ser emitida em nome do “Sr. Armando”, isto é, em nome de Armando Trípodi, muito embora Zwi Skornicki tivesse arcado com parte das despesas sem justificativa lícita e razoável.”

O relatório relembra a primeira citação a Trípodi, na delação premiada de Paulo Roberto Costa. Em agosto de 2014, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás relatou que em 2009 foi procurado pelo então presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra, que teria exigido R$ 10 milhões para abafar a Comissão Parlamentar de Inquérito que havia sido instalada para apurar irregularidades nas obras da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. A obra era um dos sete alvos suspeitos na Petrobrás que justificaram a abertura da comissão, em julho daquele ano.

Foi a primeira vez que um nome do PSDB apareceu no escândalo de corrupção na Petrobrás. Sérgio Guerra teria sugerido a Paulo Roberto que ‘tivesse uma conversa’ com Armando Trípodi.

CAMPANHA DO PSDB

O delator Costa afirmou que o tucano relatou a ele que o dinheiro abasteceria as campanhas do PSDB em 2010. Naquele ano, o presidente do partido foi o coordenador oficial da campanha presidencial do candidato José Serra. Integrantes da campanha informaram que o ex-senador não fez parte do comitê financeiro.

“Não se pode deixar de destacar que a própria Petrobrás, em auditoria interna, apontou o nome de Armando Trípodi como um dos funcionários com indícios de cometimento de irregularidades no âmbito da estatal”, assinalou o delegado da PF Filipe Hille Pace.

A defesa de Trípodi não foi localizada para falar sobre a Operação Acarajé. Quando seu nome foi citado no episódio sobre o suposto repasse de R$ 10 milhões para a campanha do PSDB, ele divulgou nota na qual repudiou ‘com indignação e veemência quaisquer insinuações ou afirmações caluniosas que procurem vincular meu nome a práticas criminosas’.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGChegando no chefe de gabinete, por óbvio, chega-se também no ex-presidente Sérgio Gabrielli, que discretamente chefiava o esquema da corrupção institucionalizada na Petrobras. Como diz o juiz Sérgio Moro, é só seguir o caminho do dinheiro. (C.N)

9 thoughts on “Operação Lava Jato enfim começa a chegar em Sérgio Gabrielli

  1. Como aquela brincadeira de enfileirar os dominós, um a um, e depois encostar no primeiro desencadeando a queda dos demais até chegar no último, assim terminará a vitoriosa saga do Juiz Sergio Moro, dos Procuradores de Justiça e da Polícia Federal. Ora se várias peças desse dominó já estão caindo e agora chega a vez de Sergio Gabrielli, certamente chegará a vez de Jaques Wagner e Lula. É só uma questão de tempo. Estamos ansiosos para soltar nossos foguetes em comemoração pela volta de um país decente e livre dessa quadrilha que se instalou no poder. Fora Lula! Fora Foro de São Paulo! Fora Dilma e Fora PT.

  2. Entretanto, o atual “silêncio dos “Padrinhos” é auspicioso”!
    Vamos acompanhar de perto os “contra-movimentos”, que deverão se reproduzir em editoriais, matérias pagas e artigos nos principais jornais político-econômicos mundo afora, . . . pois tentarão “fazer de tudo” para desviar o curso dos acontecimentos!

    Afinal, se essa “MODA MORO”, EXEMPLAR como já COMPROVOU SER, se alastrar pelo mundo, como conseguirão implantar sua “Nova Ordem Cleptocrata”, pela PROMOÇÃO DA CORPORATOCRACIA PATRIMONIALISTA como o meio “engenhado” para IMPLANTÁ-LA?

    Será muito bom que TODOS continuem antenados para as EVIDÊNCIAS, quando começarem a surgir “novidades” nos noticiários internacionais que comecem a “ecoar” nos locais! Certamente não será por falta de letras no alfabeto que algum “PLANO X” não virá em socorro dos crápulas “regionais” cooptados !

  3. “mira em Armando Trípodi – emblemático personagem da Lava Jato citado no capítulo que envolveu o então presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (morto em 2014) em suposta chantagem de R$ 10 milhões para engavetar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobrás, em 2009..”

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