Oração de um poeta à Virgem Santíssima

Rubem Braga dizia que a poesia é necessária, e o comentarista Carlos Cazé acrescenta que é fundamental conhecer este soneto de Antero de Quental, poeta, filósofo e político português, que viveu de 1842 a 1891.

Antero Quental

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À VIRGEM SANTÍSSIMA

Cheia de Graça, Mãe de Misericórdia

N’um sonho todo feito de incerteza,
De nocturna e indizível ansiedade,
É que eu vi teu olhar de piedade
E (mais que piedade) de tristeza…

Não era o vulgar brilho da beleza,
Nem o ardor banal da mocidade…
Era outra luz, era outra suavidade,
Que até nem sei se as há na natureza…

Um místico sofrer… uma ventura
Feita só do perdão, só da ternura
E da paz da nossa hora derradeira…

Ó visão, visão triste e piedosa!
Fita-me assim calada, assim chorosa…
E deixa-me sonhar a vida inteira!

Antero de Quental, in “Sonetos”

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